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A experiência que vamos relatar ocorreu no municipio da Estância Turística de Eldorado/SP, cidade com quinze mil habitantes, terra de quilombos, indígenas e ribeirinhos. Ao iniciar o ano de 2023 a equipe técnica do CAPS se reuniou para juntos elaborar o plano de trabalho da unidade, diante da ações planejadas e avaliando o trabalho do ano de 2022 percebemos que as atividades estão ocorrendo de forma isolada, vimos a necessidade de nos aproximarmos da atenção básica, ou seja, de nos aproximarmos do território. Diante da problematica levantada, propomos a ação do matriciamento, que tem como objetivo integrar as equipe do CAPS e das ESFs, para juntos contruirmos o cuidade em saúde mental. Considerada um das principais estratégias desenvolvidas pelos CAPSs para articular a rede de cuidados, o Apoio Matricial ou Matriciamento é compreendido como “um novo modo de produzir saúde em que duas ou mais equipes, num processo de construção compartilhada, criam uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica” (Chiaverini, 2011, p.13) Sendo assim, apresentamos a proposta do matriciamento para equipe da ESF que abraçaram a proposta. Salientamos que a Rede de Assistência à Saúde (RAS) de Eldorado tem como cenário no município: uma (01) equipe de atenção básica/ (UBS), oito (08) equipes de Estratégia Saúde da Família/ESF (Esperança, Cerejeira, Colibri, Itapeuna, Batatal, Flamboyant, Quilombo, Ypê).
Integração das equipes de saúde da família e Centro de Atenção Psicossocial para acompanhamento das pessoas com problemas psíquicos, promovendo a educação em saúde mental e a discussão do projeto terapêutico singular.
Iniciamos o matriciamento no mês de Março/2023, quando a equipe do CAPS foi até as ESFs para discutirmos os casos dos territórios. Antes foi realizado um levantamento dos prontuários do CAPS por ESF, esses dados foram tabulados em uma planilha no Excel, onde foi levantado, nome, bairro, equipe de ESF, diagnóstico e último atendimento. No Matriciamento houve a participação do (a) enfermeiro (a) da equipe, técnico (a) de enfermagem, médico (a) e os (as) agentes comunitarios (as). A equipe do CAPS teve o cuidado de levar os prontuários de cada paciente, onde pontuamos cada caso, conversamos sobre o PTS de cada paciente, vimos a importância de conhecermos de perto a realidade e os arranjos familiares, a equipe do território trouxe informações importantes referente a alguns casos, e teve agentes comunitários que relataram não saber de pacientes de suas áreas que faziam acompanhamento no CAPS. Em alguns casos após o matriciamento, vimos a importância de realizarmos visitas compartilhadas,aproveitando que estávamos no territórios, já separamos casos para visitas domiciliares e institucionais. Casos que envolveram crianças e adolescentes fomos visitar as escolas do bairro para conhecer o contexto escolar e visitas domiciliares para conhecermos o arranjo familiar. Essa ação teve como objetivo conhecer o paciente fora dos muros que delimita o CAPS, atravé desse trabalho visitamos in loco a realidade do paciente e permitiu que os demais serviços conhecessem o trabalho do CAPS.
A ação do matriciamento proporcionou a aproximação das equipes CAPS e Atenção Básica, passamos dessa forma a nos comunicarmos melhor e enxergar o paciente como um ser bio, psico, social. Aquele paciente diabético e hispertenso pode também ter um diagnóstico de ansiedade, e tem todo direito de ser atendido tanto na ESF quanto no CAPS. Aquela frase “o paciente não é meu” não deve mais ser dita, aprendemos que não podemos ver o paciente apenas pelo seu diagnóstico e apenas encaminhar, aprendemos que precisamos e devemos ter um atendimento humanizado centrado na pessoa, através de uma escuta qualificada, que o PTS deve ser elaborado de acordo com a realidade de seu território e compartilhado em entre ESF e CAPS. A proposta da ação promoveu a integração das ESFs e Centro de Atenção Psicossocial para acompanhamento das pessoas com problemas psíquicos. Assim como desmistificou a saúde mental e sensibilizou as equipes da Atenção Básica para um olhar humanizado referente aos pacientes com sofrimentos psíquicos.
A vivência da ação do Matriciamento proporcinou para equipe do CAPS e ESF um momento único de aprendizagem, precisamos de mais ações e atividades realizados em conjunto. Não podemos trabalhar no piloto automático, “presos” no consultório. Enquanto CAPS vimos a importância de percorrer os territórios, visitarmos os espaços dos pacientes, e eles nos verem em seus espaços, para juntos pensarmos em Projeto Terapêutico Singular com efetividade. Caso contrário o CAPS vai estar fazendo apenas ambulatório de saúde mental. Enquanto profisisonais do CAPS preciamos refletir sobre o nosso verdadeiro papel frente a reforma psiquiátrica, se não trabalharmos visando a autonomia e liberdade de nossos pacientes, se não passarmos as informações para os nossos colegas da Atenção Basica, corremos o risco de retroagirmos toda uma luta em defesa dos pacientes da psiquiatria e transformamos os CAPS em ambulatorio ou até mesmo pequenos manicômios. Sendo assim, em nosso município o Matriciamento faz parte do nosso cronograma, percorremos os territórios visando o melhor cuidado em saúde mental.
matriciamento, saude mental, atenção básica
DAYANE APARECIDA DE MORAES, Simone Mendes da Silva Linsenmayer, Rafaela das Neves Fernandes, Dilneia Mendes, Andre Luiz Lopes, Isaura Cunha Silva, Gustavo de Oliveira Bonifácio, Maria Aparecida Pereira Martins