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Montar, colorir, pintar, cantar, dançar… aprender… A criança quer descobrir, desafiar, ter amigos, sonhar, viver. Então…vem brincar comigo ? O brincar faz parte da vida da criança. É brincando que ela inicia sua interação com o mundo, estabelecendo formas de comunicação, relacionamento e experimentação. Brincar é uma atividade constante e natural que estimula o aprendizado e a apreensão de valores culturais e sociais. O adulto de maneira geral vê as atividades lúdicas, quando praticadas por ele, como atividades de lazer e ócio e quando se trata da criança, nem sempre são valorizadas. O brincar é livre, essencial no desenvolvimento das crianças, é uma atividade de estimulação da criatividade, de diversão, de descontração, de interação. No brincar a criança tem a possibilidade de desenvolver as atividades motoras, perceptivas e cognitivas. É a possibilidade de reinventar um mundo novo, tão complexo hoje para nossas crianças. É a possibilidade de terem momentos felizes e de serem felizes. O grupo Vem Brincar Comigo, realizada pelos profissionais do CAPS ij do município de Rio Claro – SP estimula o brincar, desde a produção do brinquedo até o exercício da brincadeira, proporcionando momentos bons, diversão, lazer, estímulo sensorial, criativo e interação social.
Promover espaço seguro para se expressar a partir da brincadeira, além disso, promover criatividade, socialização, diversão, autonomia e recursos internos para solucionar conflitos e adversidades da vida cotidiana, além de aprender a lidar com o compartilhar e com as diversas emoções existentes no cotidiano dos usuários. Estimular o cuidado do sujeito e sua infância de maneira lúdica e sem estereótipos ou rótulos dos transtornos mentais, podendo brincar, fantasiar e se permitir no faz de conta de elaborar e ressignificar algumas vivências e experiências traumáticas .
O grupo é formado por crianças de ambos os sexos com a idade entre três e seis anos, com queixas de sofrimentos psíquico moderado ou agravado tendo como mediadores técnicos do CAPS ij, neste grupo, uma psicóloga e uma assistente social. Está dividido em duas quinzenas: 3 e 04 anos e 05 e 06 anos que se revezam, devido a alta demanda, em média temos a participação de 10 crianças por quinzena e os casos agravados participam semanalmente. A atividade proposta é livre e tem apenas uma condição: brincar. O maior desafio dessa prática para os profissionais é que quem dará o contorno à atividade serão as crianças, ou seja, os técnicos terão que se despir do “controle do outro” e permitir serem conduzidos pelas crianças e pelo movimento grupal. O grupo é realizado em uma sala composta de tatame, almofadas e caixas com brinquedos, que ficam no chão, a disposição das crianças, onde cada uma tem a possibilidade de escolher o brinquedo, são estimulados a escolher uma cantiga, a dançar.
Os resultados são surpreendentes. No momento em que as crianças são chamadas para entrar no grupo, as técnicas convidam: vamos brincar? E todos entram felizes, sem chorar. Chegando à sala, retiram o sapato, exploram as caixas com os brinquedos, utilizam óculos de brinquedo, chapéu e fantasias. O momento torna-se mágico, único, envolvente. Observamos também grande melhora no comportamento (agitação, comportamento opositor, agressividade, isolamento social e baixa auto-estima). Realizamos construção de brinquedos com materiais recicláveis com as crianças, atividades com fantoches com personagens do Sitio do Pica-pau Amarelo e observamos que essas atividades proporcionaram aproximação junto aos responsáveis, oportunizando lembranças da infância. São realizadas orientações aos responsáveis sempre que solicitado por eles, ou sentido necessidade da equipe. Um momento em grupo com os responsáveis também é realizado para orientações previamente agendado pela equipe. Como proposta, temos a inserção futura dos pais nas brincadeiras, realização de oficinas de construção de brinquedos, possibilitando o resgate da infância, dos momentos culturais, de aproximação familiar, de melhoria do cuidado, da expressão do amor.
Diante do relato de experiência, foi possível observar que estimular o brincar, desde a produção e formulação de brinquedos até o exercício da brincadeira, permite estimulo sensorial, criativo, interações sociais e experimentações com o mundo. É permitir à criança a oportunidade de se desenvolver em um ambiente lúdico e de promoção de saúde mental. Ao brincar com a criança, o adulto brinca com si mesmo. Brincar é um exercício de imaginação e busca de novas habilidades. A brincadeira registra as emoções vivenciadas e o afeto, fazendo diferença para um desenvolvimento feliz. Convidamos todos a instigar essas fontes inesgotáveis de potencialidades a partir da arte de brincar. “O objetivo do CAPS não é ser encapsulado, virando um ambulatório, e sim que sirva para ampliar as relações dos usuários com o território” Kiara Olivett
Brincar, lúdico, interação, criança.
Jociellen Fernanda Goia de Souza, Juliene Patricia Antonio, Fernanda Cestaro Salla Sá, Letícia Forti da Silva