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A equipe do CAPS opta pela criação de atividades que sejam de acordo com os interesses e necessidades dos usuários inseridos no serviço, atividades essas que são discutidas em Assembleia, onde são elencadas propostas, apontado as necessidades e a viabilização do que foi sugerido, a grande maioria dos usuários que estão inscritos na oficina de futebol solicitava outros momentos o qual pudessem expandir as atividades corporais, a partir disso foi realizado a discussão entre os técnicos e posto em prática a definição da oficina de práticas corporais. No que concerne a saúde mental Wachs e Fraga (2009) colocam que, A Reforma Psiquiátrica, em implementação no Brasil, propõe a substituição do modelo manicomial de assistência por uma rede integral de cuidado às pessoas em sofrimento psíquico. Tal mudança ganha corpo no Sistema Único de Saúde (SUS) com a criação de uma série de serviços que operam em prol da cidadania, dos direitos sociais e da re inserção dos usuários na comunidade (WACHS; FRAGA, 2009, p. 94) A partir disso entendemos que cabe ao serviço psicossocial propor ações em prol da ampliação do repertório e incentivo de apropriação dos espaços públicos do território, como centro de cultura, parques e centro esportivo, sendo assim utilizamos a oficina como meio de apropriação ao levar a oficina para estes espaços, esperamos a partir disso construir ações para utilizar os espaços públicos dos territórios mais próximos ao município de Francisco Morato
Objetivamos com a expansão das práticas corporais ser além de um braço de apoio na oficina de futebol que também é ofertada para os usuários do CAPS, ser uma oficina onde ofertamos momentos para estimular reconhecimento corporal, trabalhar a concentração, integração entre usuários, apropriação do território e ocupação destes espaços com autonomia.
As oficinas de Práticas Corporais ocorrem semanalmente na área externa do CAPS, onde é conduzida por dois técnicos de saúde mental. Semanalmente ofertamos propostas diversas de dinâmicas, onde avaliamos também as questões motoras amplas, aspectos cognitivos e psíquicos, além de incentivar na ampliação de repertório das interações sociais e apropriação do território, considerando que estamos buscando levar a oficina para ser realizado nos espaços livres do território. A oficina é composta por exercícios de respiração, alongamento e dinâmica corporal, por fim ofertamos lanche na área de café do CAPS.
Realizamos a construção de possíveis atividades para nortear nossos objetivos propostos que perpassam pela estimulação cognitiva, interação social, coordenação motora. Com a inserção de atividades corporais, obtivemos maior engajamento dos usuários e ampliação do vínculo terapêutico, observamos que os usuários tiveram ganhos na linearidade do acompanhamento em saúde mental e evolução no quadro psíquico com boa estabilização, sendo possível incentivar a reinserção social, inclusive para o mercado de trabalho ou cursos profissionalizantes. Conforme a oficina se tornava mais dinâmica, percebemos que ela desencadeou interesse nos demais usuários que por vezes estavam circulando no espaço aguardando atendimentos, passando a solicitar participação. Com o grande número de usuários que foram inseridos, tendo em vista diversas complexidades, foi necessário buscar dinâmicas que proporcionassem inclusão mesmo nas suas complexidades específicas. E com grande apreço, os profissionais intitulam na atualidade o movimento como o CROSS CAPS o qual é caracterizado como uma oficina aberta de prática corporal.
As práticas corporais modificaram o processo de expansão psicomotor de maneira harmoniosa. Observou-se notoriamente a incorporação de modelos comportamentais associativos a intermediação das relações entre os usuários, assim como, a construção de movimentos para a ampliação da percepção corporal e motora. As oficinas geraram a proposta de manutenção da saúde na execução de movimentos que trabalham o sistema musculoesquelético, coordenação postural e aspectos cognitivos como concentração, atenção, raciocínio. A atividade em grupo também favoreceu a autonomia nas atividades básicas e em alguns casos atividades instrumentais de vida diária. Findando a análise experimental, consideramos como preâmbulo a reinserção nas atividades sociais, de cidadania e lazer mecanismos adequados para propor ações de prevenção em saúde e reabilitação psicossocial. O desenvolvimento do cuidado psicossocial-território que desapossa a dinâmica hospitalocêntrica-manicomial (Brasília, DF: D.O.U, 2001) revigorou os olhares dos atores sobre a importância imprescindível de pactuar com as práticas de desenvolvimento sustentável que norteia a agenda 2030, na qual, oportuniza de maneira longitudinal a sociabilização independentemente da idade, gênero, deficiência
saúde mental, práticas corporais
Flávia Paola Belo Ferreira, Pedro Henrique Clarim Pereira