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O trabalho realizado com usuário de SPA é sempre desafiador! João, 32 anos, histórico de esquizofrenia e uso abusivo de SPA (álcool), cuja a dinâmica familiar é constituída pelo genitor, idoso, e um irmão com histórico de TAB. João apresentava histórico de risco de exposição social, com prejuízo da crítica de realidade; além disso, comportamentos de heteroagressividade.A queixa inicial foi trazida pelo irmão, relatando que já fez uso de bebida alcoólica e encontra-se abstinente há mais de um mês, apresentando agitação psicomotora, inquietação, insônia e confusão mental, além de apresentar comportamentos hostis frente a estranhos e com vizinhos. O caso foi discutido pela equipe do CAPS, para o planejamento de ações frente a um caso considerado complexo, considerando ainda não haver vínculo com algum profissional do CAPS AD II. A priori foi realizada uma visita domiciliar onde João encontrava- se hostil, com olhar desconfiado, juízo de realidade prejudicado, presença de delírios/alucinações, solilóquios, risos imotivados, humor irritável, afeto embotado, crítica de morbidez ausente e se recusava a tomar medicações via oral ou a realizar o tratamento medicamentoso proposto. A fim de evitar a internação involuntária, o caso foi matriciado com a UBS do território, acordando visitas domiciliares compartilhada, estabelecendo vínculo e possibilitando sensibilização e aceite do paciente para a administração da medicação. As visitas seguiram certa periodicidade até a melhora do usuário
O objetivo inicial foi buscar estratégias do cuidado ao usuário, que evitasse a internação, ou seja, respeitando a singularidade do caso, mas com o cuidado quanto aos riscos que o quadro demandava, visando à estabilidade psíquica de João, bem como sua autonomia. E obviamente para atingir um bom resultado, a discussão do caso, o planejamento de ações do PTS e a parceria com a atenção primária fez-se imprescindível.
A construção do PTS traçando o matriciamento com a atenção primária, embasado no método das diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental, incorporando a política de Redução de Danos, como uma estratégia que consiste em unir medidas de saúde com o objetivo de minimizar as consequências oriundas do uso e abuso de substâncias psicoativas, respeitando a liberdade e o protagonismo do usuário e ofertando acesso aos serviços, conforme cita Andrade (2011 apud BRANDÃO et al). Logo, diante da complexidade de ausência de vínculo com o CAPS AD II, o matriciamento junto a atenção primária foi essencial para a troca de informações, bem como para o acompanhamento do caso.
A partir da primeira visita pelo técnico (T.O.) e médica psiquiatra do AD, passados um mês observou-se melhora do quadro, onde o genitor referiu que João estava colaborando nos afazeres domésticos. Conforme as visitas compartilhadas entre os profissionais da atenção especializada e primária seguiam, em três meses a partir do início do acompanhamento vimos que usuário havia iniciado trabalho em uma borracharia próximo à sua residência, tendo inclusive sido visitado em seu ambiente de trabalho, com o consentimento do mesmo. Apesar de apresentar melhora do quadro e manter estabilidade, após cinco meses ocorreu uma recaída consolidada através da ingestão de álcool, levando o usuário à apresentar instabilidade psíquica, agitação psicomotora, mas com ausência do quadro psicótico de outrora. Assim sendo, João acabou sendo levado ao serviço de urgência e emergência, onde após estabilizado, foi direcionado ao CAPS, passou por escuta qualificada e uma nova avaliação médica (psiquiátrica) foi realizada. O usuário restabeleceu suas atividades e algum tempo depois, considerando a melhora do quadro, cientes da possibilidade ou previsibilidade de recaídas, passível de doenças crônicas, João recebeu alta com a indicação de acompanhamento pela atenção primária em saúde.
A partir dos relatos, pode-se observar a estabilização do quadro psíquico do paciente, o retorno à sua sociabilidade (com a família, inclusive auxiliando nos afazeres domésticos) e a recuperação autonomia representada por sua funcionalidade laboral. O sucesso do resultado foi possível porque houve o apoio familiar, que buscou ajuda e foi colaborativa durante o processo e devido à aproximação do técnico (T.O.) do CAPS AD II visando o vínculo com o usuário que se encontrava em sofrimento psíquico e com a parceria entre a especialidade e a atenção primária em saúde, que possibilitou o prosseguimento deste cuidado através do resultado desta vinculação entre usuário e profissionais, culminando no aceite de João para o uso eficaz de medicação de ação prolongada, que simplifica a administração do medicamento, assegura a regularidade do tratamento e torna mais econômica a assistência, diminuindo o risco à episódios de recaídas, bem como a necessidade de atendimentos em serviços de urgência e emergência, e claro, de internação.
vínculo, intersetorialidade, redução de danos
João Mario Cataroço, Maria Carolina Ferreira Lippe, Alessandra Maria Pedroso, Paula Roberta Pedruci Leme, Carmem Sílvia Guariente