Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O fenômeno das drogas, lícitas e ilícitas, está presente desde os primórdios da humanidade e tem sido praticado em várias culturas diferentes. No Brasil a produção, o tráfico e o uso, constituem uma ameaça abalando a integridade dos indivíduos e da sociedade, em relação à segurança e à saúde e se tornou um foco de preocupação para as autoridades. Ser gestante em situação de rua é ter necessidades específicas. Espaços e ações que possam reduzir a dor, o sofrimento e a exclusão. São mulheres com olhar sensato e sensível, tanto para si quanto para o outro, ou seja, para quem compartilha da mesma situação existencial. Não se identificaram na rede de serviços assistenciais – pública e do terceiro setor – programas focados na questão da gestante em situação de rua, ainda que o Brasil já viva, atualmente, histórias de famílias que têm a situação de rua como experiência intergeracional. Os resultados apontam para a necessidade de constituição de políticas intersetoriais, voltadas para gestantes em situação de rua. O maior desafio em prestar assistência a gestante em situação de rua são as fragilidades, devido a incapacidade da paciente o acompanhamento se torna ainda mais complexo quando somado as outras questões de saúde. Considerando esse contexto faz-se necessário o empenho e empatia da rede de saúde e rede psicossocial além do vínculo dessas com a atenção básica para que a gestante seja alcançada nas suas individualidades zelando pelo nascimento do bebê em boas condições de saúde
O objetivo desse trabalho é mostrar a importância do envolvimento da equipe estratégia saúde da família – ESF com a rede de saúde e a rede psicossocial na assistência para gestante em situação de rua, com enfoque no apoio familiar garantindo acolhimento da gestante e do bebê.
Realizado estudo descritivo e exploratório do prontuário clínico, com análise retrospectiva do histórico da paciente. Foram realizadas discussões em rede em saúde e psicossocial que trouxeram abordagens diferentes que conduziram o caso por meio de matriciamentos da equipe médica e de enfermagem. Paciente SSS 21 anos, sexo feminino, G2, PN0, PC1, gestação de alto risco em situação de rua, referenciada pelo equipamento Centro de Referência Especializado de Atendimento a Pessoas em Situação de Rua (Centro POP), pertencendo Unidade Básica de Saúde Ubs Drº Ghazi Osman Barakat Rhazi – Dona Amélia, área 54, microárea 06, usuária de crack, maconha, cocaína, cigarro (mais 20 dias unidades dia) e álcool, hipóteses diagnosticas transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso do álcool, sífilis na gravidez e gravidez de alto risco. Procurou a unidade com encaminhamento de referência do Centro POP assinado pela assistente social para atendimento de saúde por suspeita de gravidez, devido atraso menstrual foi realizado consulta de pré-natal dia 30 de dezembro de 2022 na unidade de saúde mencionada acima. Foi encaminhada a sala de vacina, dentista, prescrição de medicamentos para gestação, solicitado exames do primeiro trimestre. Após realização do teste rápido para infecções sexuais foi diagnosticada com sífilis e iniciado tratamento.
Foram realizadas ações entre ESF, rede em saúde e rede psicossocial. A paciente perdeu os pais aos 16 anos e teve que se virar, veio para Araçatuba devido uma oferta de emprego em uma casa de prostituição onde engravidou e teve que sair. Apresenta relacionamento conflituoso com a família do parceiro, tem um filho de cinco anos que está com a irmã mais velha em Goiás. Realizada reunião em rede com os equipamentos Centro de Referência de Assistência Social, Conselho Tutelar, Centro POP, Ambulatório Médico de Especialidade e UBS. Os equipamentos ficaram com atividades determinadas a serem desenvolvidas com a paciente. Em 14/02/2023 realizada reunião em rede e acerca da decisão do juiz que foi a internação compulsória, a técnica do Centro POP foi buscar os documentos no Poupa Tempo e após deixaria paciente na UBS para realizar exames necessários, porém não foi localizada. Localizada em 17/02/2023 sendo internada na Santa Casa de Araçatuba por meio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e transferida para Centro Terapêutico Mensageiro da Paz no município de Cedral. Em 30/03/2023 nasceu bebê do sexo feminino ainda no período de internação da paciente e foi acolhida pela sua irmã em 04/04/2023, sendo o bebê levado para Goiás. Ressalta-se que foram feitas buscas ativas da paciente inclusive nas ruas, semáforos e mediações da UBS, nas consultas a paciente era acompanhada pela equipe e levada ao Centro POP para realizar sua higiene pessoal.
O acompanhamento da gestante e o tratamento, tem a intenção da visão reflexiva que possa favorecer a mudança de hábitos, redução de danos e uma melhor qualidade de vida. Após o trabalho ativo efetuado pela ESF, rede de saúde e rede psicossocial paciente foi internada compulsoriamente e sua bebê acolhida pela irmã no estado de Goiás, gestante foi acompanhada pela equipe de enfermagem, agente comunitário de saúde e médico da ESF, todos trabalharam com afinco para redução de danos tanto para gestante quanto para o bebê. Se fez necessário a construção de novas estratégias de atuar junto a essa paciente em situação de rua, tendo como base as atividades rotinas e o cotidiano de sua vida, buscando foco da atenção ao feto, adequando-se as necessidades da paciente. O cuidado à saúde, para a paciente que gestam em ruas, apresenta fragilidades e precariedade, se tratando do cuidado em si. O cuidado realizado pelos profissionais da atenção básica, serviços de saúde e psicossocial foram contínuos, demostraram zelo e preocupação.
Gestante, drogas, situação de rua
Gabriela Peres Teruel, Thamiris Naiasha Minari Ramos, Luis Felipe Pupim dos Santos, Carmem da Silva Guariente, Naiara da Silva Campos Albino, Rafael Assem Rezende, Daiane Luzia Carvalho Ferraz