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As famílias que convivem com os usuários de substância psicoativa, demonstram preocupação, impotência e medo frente ao comportamento inadequado e imprevisível, da inconstância de humor e dos riscos que seus entes queridos se colocam. Para além disso, há pouca clareza sobre o contexto social, familiar e afetivo que o usuário está inserido e o quanto as relações são afetadas por esse contexto, sendo a família também potencial de mudança para o indivíduo. Observamos durante os encontros de familiares a necessidade de serem acolhidos, em razão do sofrimento que trazem, por presenciarem essa dependência e sentirem-se impotentes diante desse cenário, bem como, a dificuldade de impor limites nessa situação, o que acarreta a perpetuação do ciclo. Nas relações de pais e filhos fica claro a falta de imposição de limites, assim como nas de marido e mulher, onde o vínculo transforma se em maternal. Na maioria das vezes o familiar se torna um codependente, que é uma condição em que o indivíduo se submete a aceitar comportamentos inconcebíveis e a ter que lidar com as consequências deles sem conseguir se afastar, pois suas escolhas estão sujeitas ao que o usuário prioriza, e na maior parte do tempo é a droga. Em razão dessa escolha, o familiar anula- se para o seu cuidado, colocando -se em segundo plano e tornando -se parte do ciclo de dependência. Diante da necessidade do cuidado o grupo torna- se essencial para o fortalecimento e acolhimento das angústias trazidas por esses indivíduos.
Propiciar espaço de acolhimento, reflexão e orientação da dependência química aos familiares, acolher o sofrimento psíquico, facilitar a troca de experiencias, visando o fortalecimento ofertado pelo CAPS Álcool e Drogas de Guaianases, com o intuito de fortalecer a parceria da família nesse processo, para que no final o familiar consiga inverter a ordem de sua prioridade, se colocando em primeira pessoa do cuidado.
Trata se de um relato de grupo verbal, onde são realizadas rodas de conversa semanais, com um grupo de familiares sem inscrição prévia. Nesta roda, fazemos o acolhimento do sofrimento deste familiar e a psicoeducação para auxiliar e fortalecer esses familiares, para que consigam ofertar apoio aos usuários e se desvincular dessa submissão.
Observou-se que os familiares se sentiram apoiados, acolhidos e fortalecidos, frente a dificuldade de lidar com suas emoções e sentimentos que permeiam a convivência com os usuários dependentes químicos, e ainda se colocaram em primeira pessoa do cuidado.
O grupo de família apresenta- se como uma estratégia de cuidado, esclarecimento e fortalecimento do núcleo familiar, frente as necessidades e sofrimento desses familiares, que trazem ao serviço suas angústias e incertezas em busca de amparo.
Acolhimento, Dependência Química.
Maria Vanusa Almeida Deo, Ricardo de Jesus Gomes, Alessandra Freitas da Silva