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As Hepatites Virais constituem um importante desafio para a saúde pública em todo o mundo. No Brasil, de 2000 a 2021, foram notificados 718.651 casos confirmados de Hepatites Virais. Destes, 279.872 (38,9%) são referentes à hepatite C. Em relação aos óbitos, a Hepatite C representa a maior causa de morte entre as hepatites virais (76,2% do total de óbitos por hepatites virais) (BRASIL, 2022). A via parenteral é a principal via de transmissão vírus da hepatite C (HCV) resultante do contato com sangue infectado. Durante a hemodiálise, o sangue é filtrado por meio de acesso vascular por períodos prolongados, ampliando as chances de contaminação e transmissão das hepatites virais (BRASIL, 2020a). O Brasil é signatário da proposta da OMS que propõe a eliminação das Hepatites Virais como um problema de saúde pública até 2030. Em 2020 publicou orientações relativas às estratégias de micro eliminação da hepatite C em serviços de diálise (BRASIL, 2020b). A Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS) de Itaquera possui em sua área de abrangência dois estabelecimentos que prestam serviços de hemodiálise. Um deles atende 375 pacientes e a outro, 229. Entendendo a importância de adotar localmente as estratégias de microeliminação, a UVIS Itaquera iniciou no ano de 2022, em uma das clínicas de hemodiálise, um projeto piloto para identificar pacientes portadores do vírus da Hepatite C e verificar a situação de acompanhamento destes pacientes com infectologista.
Verificar a situação de acompanhamento com infectologista dos pacientes portadores do vírus da Hepatite C na maior clínica de hemodiálise do território da UVIS Itaquera, identificando aqueles que necessitam de busca ativa para iniciar ou retomar o acompanhamento de saúde para este agravo. Identificar os pacientes com sorologia reagente para Hepatite C em terapia de hemodiálise na clínica de hemodiálise; Realizar levantamento das notificações destes pacientes no banco SINAN de modo a verificar se os pacientes com sorologia reagente para Hepatite C estão notificados; Verificar a atual situação de acompanhamento destes pacientes com infectologista; Solicitar visita domiciliar às UBS de residência dos pacientes com sorologia reagente para Hepatite C que não realizaram acompanhamento/tratamento para este agravo ou que o abandonaram; Encaminhar pacientes sem acompanhamento para Hepatite C para ambulatórios de referência para Hepatites Virais próximo às suas residências.
A equipe de Vigilância Epidemiológica da UVIS Itaquera produziu uma planilha, para preenchimento dos dados dos pacientes pela clínica de hemodiálise. A planilha continha colunas com informações básicas do paciente e outras informações tais como a data de entrada no serviço, 1ª sorologia realizada na clínica, exames atuais (anti-HCV e HCV-RNA), nº SINAN, local em que realiza o acompanhamento com infectologista, dentre outras. Após devolutiva da planilha pela clínica, a UVIS consultou o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) a fim de verificar se todos os casos estavam notificados. Para aqueles em que a notificação não foi encontrada, sinalizou-se ao território de residência para que a notificação fosse realizada pelo serviço de diagnóstico. Para os casos sem informação de acompanhamento com infectologista na planilha, e para aqueles casos em que não foi possível identificar consulta com infectologista através do SIGA Saúde, a equipe solicitou à UVIS de residência a busca ativa e o encaminhamento do paciente a uma das referências de Hepatites Virais do município. Para os casos residentes no território da UVIS Itaquera, a UBS de referência do paciente foi acionada para realizar visita domiciliar e encaminhá-lo a um dos ambulatórios de referência para o acompanhamento das hepatites virais, preferencialmente o mais próximo à residência do paciente a fim de facilitar o acesso e evitar abandono do acompanhamento.
A clínica de hemodiálise enviou à UVIS Itaquera a planilha preenchida com informações de 32 pacientes que apresentavam sorologia reagente para Hepatite C. Dos 32 pacientes, apenas 02 não estavam notificados no banco SINAN e as UVIS de residência do paciente foram comunicadas para providencias junto aos serviços que realizaram o diagnóstico. A clínica de hemodiálise não tinha informação sobre acompanhamento de 26 dos 32 pacientes em terapia de hemodiálise. Destes 26 pacientes, a UVIS conseguiu encontrar registro de acompanhamento com infectologista de 13, através do histórico de atendimento do sistema SIGA Saúde e/ou análise da notificação no SINAN. Assim, 13 pacientes dos 32 listados pela clínica como pacientes sabidamente com sorologia reagente para Hepatite C (Anti-HCV reagente) não tinham registro de acompanhamento com infectologista. Dos 13 pacientes sem registro de acompanhamento com infectologista, apenas 04 residiam no território de Itaquera e a busca ativa de cada um deles foi solicitada para a UBS de residência do paciente. Todos os casos apresentavam HCV-RNA detectável. Destes 04 casos, 02 realizaram tratamento, 01 teve alta do infectologista por cura, 01 apresentou HCV-RNA não detectável após tratamento e aguarda retorno com infectologista, 01 caso segue em busca ativa e 01 caso foi a óbito durante o acompanhamento. Os demais foram casos, não residentes da área de abrangência da UVIS Itaquera, foram comunicados às UVIS de residência para seguimento.
Em consonância com o princípio de equidade, a estratégia de micro eliminação visa dividir as metas nacionais de eliminação em metas menores para segmentos populacionais, para os quais as intervenções de tratamento e prevenção podem ser realizadas de maneira mais rápida e eficiente usando métodos direcionados (BRASIL, 2020a). Assim, enquanto serviço de Vigilância em Saúde descentralizado, a equipe de Vigilância Epidemiológica da UVIS Itaquera buscou adotar localmente a estratégia para identificar os casos de pacientes em hemodiálise com histórico de sorologia reagente para Hepatite C e verificar situação atual de acompanhamento. Com este levantamento foi possível desencadear providências necessárias caso a caso, obtendo resultados efetivos, pois garantir acesso ao tratamento das pessoas portadoras do vírus da Hepatite C neste contexto apresenta-se como uma forma de contribuir para prevenção de novos casos, evitando a transmissão da Hepatite C na clínica de hemodiálise, conforme estratégia de micro eliminação.
HEPATITE, MONITORIZAÇÃO
VANESSA LEONORA GOMES, KARLA REGINA HARAMI PEREIRA ALVES, RAQUEL XAVIER DE SOUZA SAITO, RENATA FERREIRA DE CALDAS, JOÃO GABRIEL ZERBA CORRÊA, CARLA ROBERTA FERRAZ RODRIGUES, SORAIA NOGUEIRA FELIX, ANDREIA REIS GARCIA, PEDRO YOSHITAKA FUKUYAMA, GILDETE SANTOS ROSA, SONIA APARECIDA LEITE, LUANA ROSA PEREIRA, ALETUSA NUNES, CAMILA MATIAS MODESTO, TATIANA DA CRUZ VITÓRIO DOS SANTOS, LUIZA DA LUZ QUINTELA, AMANDA PUOSSO DE ALMEIDA, JULIANA PAULA SANTOS GUARATO, LAURINDA FUJIKO TSUKUDA, ELIO RAMOS, IOLANDA BASTOS BRITIS BEZERRIL, SABRINA ARYELLE DA NOBREGA DOS SANTOS, ELENICE MUTSUKO MIYAZATO WATANABE