Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Esporotricose é uma infecção fúngica de implantação subaguda ou crônica, causada por fungo do complexo Sporothrix schenkii, que são fungos dimórficos, estão presentes na natureza, em solo rico em material orgânico, nos espinhos de arbustos, em árvores e vegetação em decomposição. A forma de levedura é a que pode parasitar o homem e animais. No Brasil, a espécie mais frequente é S.brasiliensis, atinge habitualmente a pele, o tecido subcutâneo e os vasos linfáticos, mas pode disseminar-se pela via linfática e/ou pela via hematogênica, afetando também órgãos internos. No município de São Paulo em 2011 foram identificados os primeiros casos de Esporotricose em felinos e em humanos na região de Itaquera, na Coordenadoria Regional de Saúde Leste. Atualmente há notificações em 65 distritos administrativos (DA) no município, sendo as maiores ocorrências no DA Itaim Paulista, registrado até 2020, 71 casos. Na Unidade Básica de Saúde Jardim das Oliveiras, da Supervisão Técnica de Saúde Itaim Paulista, das 09 equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF) existentes no serviço, 08 registraram notificações de casos suspeitos de Esporotricose animal, evidenciado no Relatório Diagnóstico do Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS) de 2023, sendo um total de 22 casos suspeitos, dados que condicionou a equipe do Núcleo de Vigilância em Saúde (NUVIS) a elaborar um projeto para enfrentamento do aumento de casos e expansão da doença, principalmente em humanos.
Reduzir a transmissão zoonóticas de Esporotricose entre as famílias cadastradas na Equipe 01 da UBS Jardim das Oliveiras por meio da detecção precoce de animais domésticos (cães e gatos) com lesões sugestivas, sensibilização dos tutores sobre a zoonose e cuidados com a saúde e do atendimento ao protocolo municipal de guarda responsável. Busca ativa de cães e gatos com lesão sugestiva de Esporotricose e pessoas em contato (caso suspeito) equipe 01, com intensificação no raio de 200 metros de casos confirmados; Sensibilizar para os protocolos de guarda responsável (Bem-Estar animal, castração, vacinação); Mapear casos suspeitos e realizar visitas integradas e compartilhadas com Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS); Capacitar os profissionais da unidade para alinhamento e atendimento dos fluxos e protocolos da Nota Técnica (01 DVZ/COVISA/2022 – atualizado 2023).
Visitas domiciliares para busca ativa de animais com lesões sugestivas na equipe 01. Visitas Compartilhadas com Unidade de Vigilância em Saúde Ambiental para casos suspeitos em animais. Intervenção Educativa em Grupos Educativos e Sala de Espera da Unidade Básica de Saúde. Intervenção Educativa em Escolas e Equipamentos Sociais do território da área delimitada.
Há de se considerar que a maioria das detecções de casos em pessoas ocorre a partir da identificação de animais com Esporotricose. Muitos casos têm sido identificados em ações de busca ativa, desencadeadas a partir de um caso de Esporotricose em animal, permitindo a detecção precoce em pessoas. A Equipe 01 a mais afetada com essa problemática de animais lesionados, com 03 casos Esporotricose humana confirmados e 05 gatos com suspeita Esporotricose. Realizada capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e da Agente de Promoção Ambiental (APA), foram realizadas visitas domiciliares em 60 % das casas, com aplicação de um questionário quantitativo para avaliação da responsabilidade e das boas práticas da guarda responsável. O APA realizou Intervenção Educativa nos grupos de saúde da unidade e em sala de espera. Os profissionais da equipe 01 tem aplicado o protocolo durante as visitas domiciliares no território notificando as equipes da UVIS sobre a presença de gatos com lesões sugestivas de Esporotricose, com a finalidade de detectar oportunamente a ocorrência e dar início às ações objetivando o controle da doença e o diagnóstico precoce em humanos.
Por ser a Esporotricose uma doença negligenciada, não há interesse de grandes empresas farmacêuticas no investimento e desenvolvimento de novas tecnologias em saúde no controle da doença, como novos fármacos que reduzam o tempo de tratamento, métodos diagnósticos acessíveis e oportunos e vacinas como uma das medidas de prevenção. A Esporotricose tem demonstrado ser uma doença relacionada aos hábitos e estilos de vida. A população sob risco vive nos locais com determinada condição ambiental desfavorável, como pavimentação incompleta, casas com quintais onde há presença do felino sem assistência adequada com exposição ao solo (acúmulo de materiais orgânicos, de vegetação em decomposição), ou seja, ciclo de transmissão gato-ambiente-homem. Com o aumento do número de casos nas duas últimas décadas, não existem medidas específicas no controle da doença que impactam na redução dos seus efeitos nos aspectos epidemiológicos e socioeconômicos. Diante desse cenário, a vigilância epidemiológica da equipe, principalmente do APA e do ACS se mostra como referenciais essenciais para a identificação da rede de causalidades e dos elementos que exercem determinação sobre a saúde dos cadastrados.
Esporotricose, Vigilância em Saúde.
Almir dos Santos Amorim, Patricia Araujo Santos de Lima, Thauane Santana, Tamara dos Santos Cavassana