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Com uma área de abrangência de 1,004.10 m² e 18.114 cadastrados, a UBS Jardim Fanganiello é da modalidade ESF (Estratégia Saúde da Família), com 06 equipes; possui uma população mista e com predominância de idosos. Realizando um diagnóstico territorial, a equipe do Núcleo de Vigilância em Saúde (NUVIS-AB) priorizou o indicador de saúde relacionado às pessoas em situações de acúmulo, pois em 05/2023 foram identificados pelas Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) e pela Agente de Promoção Ambiental (APA) 20 possíveis casos de pessoas em situação de acúmulo (9 casos de acúmulo de animais e 11 de acúmulo de materiais/inservíveis), sendo que na unidade existiam 03 casos em acompanhamento pela equipe técnica. Quanto ao fluxo interno da unidade, não ocorria o gerenciamento dos casos em planilha oficial do Comitê Regional de Atenção às Pessoas em Situação de Acumulação (CRASA) de Guaianases e pouco realizavam reuniões internas programadas para esta discussão. No território sob o olhar da saúde ambiental, quanto aos riscos socioambientais que possuem relação com situações de acúmulo, destacam-se 13 pontos de descarte irregular de resíduos, 7 pontos de vendas de reciclavéis (ferros-velhos), 59 pontos de atenção para riscos zoosanitários (rato, mosquito, aranha, carrapato, escorpião, pombo e animais abandonados em situação de rua) que podem estar relacionados a riscos hidrícos, como pontos de acúmulo de água e acesso a vetores via esgoto/córrego.
Acompanhar 100% dos casos de pessoas em situação de acúmulo na área de abrangência da UBS Jardim Fanganiello. Instituir comitê interno do CRASA local; Reduzir casos de pessoas em situação de acúmulo; Notificar todos os casos acompanhados e inserir no sistema SEI.
Após levantamento inicial, a equipe de vigilância da unidade identificou a necessidade de estabelecer um plano de ação para diagnóstico dos possíveis casos de pessoas em situação de acúmulo do território, com evidência no projeto terapêutico singular (PTS). Este processo é realizado por uma equipe multiprofissional e pode considerar: assistência farmacêutica, odontológica, acompanhamento clínico, acesso à saúde mental, assistência social, nutricional, terapia ocupacional e fisioterapia, além das ações de vigilância ambiental no imóvel do paciente. A metodologia implantada foi a instalação do comitê interno CRASA na unidade, que conseguiu gerenciar seus casos, planejar visitas e realizar o PTS dos pacientes diagnosticados. Este comitê também realiza articulações com parceiros através do comitê regional CRASA para direcionamento de demanda quanto ao fluxo estabelecido de pessoas em situação de acúmulo, como a Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS) de Guaianases, Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Subprefeitura de Guaianases. Todas estas potencialidades podem favorecer o processo de orientações e ações em saúde, com foco no acompanhamento de pessoas em situação de acúmulo. Esta experiência se dará pela atuação efetiva na residência de um paciente que precisou de intervenção intersecretarial para iniciar seu processo de tratamento em saúde.
Com esta reformulação implantada, a equipe atualmente gerencia todos os casos de pessoas em situação de acúmulo do território, com os devidos acompanhamentos em saúde que se fizerem necessários em âmbito local e realizando articulações intersetoriais para discussões de casos complexos em ãmbito regional. Quanto ao paciente, foi possível encaminhá-lo para seu tratamento de saúde específico, onde ficou internado por um determinado período; durante este período, a equipe da UBS solicitou aos familiares autorização para realização da limpeza do imóvel, a ser realizada pela concessionária de limpeza urbana CORPUS, via Subprefeitura. Com acompanhamento de vigilância ambiental sendo realizado pela ACS, APA e UVIS, tinha-se conhecimento dos riscos zoossanitários existentes, porém não na proporção encontrada. Existe um córrego que passa no fundo da residência e, somado ao acúmulo de resíduos, era um local que fornecia alimento e acesso para roedores, que é um problema de saúde pública devido a transmissão de zoonoses. Mesmo que o processo tenha se prolongado, ocorreu a limpeza do imóvel onde todos os envolvidos realizaram suas devidas atribuições. Chamou a atenção as inúmeras tocas de roedores encontradas. A UVIS relata que já realizou a aplicação de 90 raticidas no imóvel (30 aplicados em 01 dia, com aplicação na mesma quantidade repetida a cada 10 dias) e, sabendo que um raticida elimina ao menos 1 roedor, até hoje já houve a eliminação de mais de 90 ratos no local.
Inicialmente, quando tem a implantação da melhoria de um processo de trabalho, imagina-se que a carga diária não suportaria esta inclusão, porém com a organização da equipe e atribuição de responsabilidade para cada categoria profissional, que as realiza com qualidade, identifica-se um fluxo estabelecido sem grandes interferências em suas agendas, pois a equipe entende a importância de sua atuação dentro de cada avaliação e execução dos processos de saúde (mental, ambiental e atendimento clínico). Mensalmente a Supervisão Técnica de Saúde de Guaianases acompanha os casos complexos e direciona as atribuições necessárias via CRASA regional por meio de processo no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), fator que favorece a resolutividade inicial da situação de acúmulo do paciente. É imprescindível que ocorra um acompanhamento efetivo do paciente em relação à sua saúde mental após a ação de retirada de inservíveis, para que a ação de fato seja efetiva, sabendo da dificuldade na resolução da situação de acúmulo e no aspecto de vigilância ambiental encontrado no imóvel.
Mental, ambiental e atendimento clínico.
Monica Lopes Carnelos dos Anjos,, Samantha Cristina Honório,, Vera Lucia Lopes de Souza, Isadora Bento de Oliveira