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A Dengue é um dos principais problemas de saúde pública do mundo. A Organização Mundial de Saúde estima que 80 milhões de pessoas se infectem anualmente, em 100 países. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da Dengue. O objetivo da Vigilância Epidemiológica no combate à Dengue é reduzir o número de casos e a ocorrência da epidemia, sendo de fundamental importância a implementação das atividades de controle em momento oportuno. Nesse sentindo a oportunidade é entendida como detecção precoce da circulação viral e adoção de medidas de bloqueio adequadas para interromper a transmissão que apresentou grande magnitude no ano de 2023. Sob a coordenação do Centro de Controle de Vetores, a estratégia adotada pelo município de Lins, associou aos protocolos preconizados pelo Ministério da Saúde uma inciativa inovadora, de priorizar ações de prevenção direcionadas e a detecção de áreas de risco com a eliminação de focos do Aedes aegypti antes do início da transmissão e ou circulação viral. A inciativa abrange um território de 570, 2km2 e 74.779 mil habitantes, monitorados por 11 auxiliares de campos e 16 agentes de combate a endemias. Essas ações vêm com os subsídios SUS apresentar propostas possíveis e de baixo custo de serem implantadas e impactaram positivamente no combate à essa preocupante epidemia.
Implementar estratégias de redução da Dengue com resposta rápida e em tempo oportuno, para eliminação de focos do Aedes aegypti, antes da transmissão viral, através do conhecimento prévio dos agentes de endemias, da situação epidemiológica do local monitorado e com ovitrampas, possibilitando o bloqueio em áreas delimitadas e pré definidas.
Para implantação da estratégia foram definidas etapas: I reconhecimento do território de risco ocorreu de fev. a abr/2023, com a divisão do município por setores censitários prioritários e o desenvolvimento de mapa vinculado ao Google Earth. II planejamento entre abr. e jun., composta pelo desenvolvimento do instrumento a ser utilizado como armadilha que simulam o ambiente ideal para a procriação do Aedes aegypti. Utilizado para confecção das armadilhas a garrafa pet, pois além de ser um material de fácil acesso não agrega custos a ação. III desenvolvimento com início em jul. de 2023, em um período considerado de baixa transmissão, instalado 90 ovitrampas, em áreas definidas, que simulam o ambiente ideal para a ovipostura da fêmea do Aedes aegypti. As ovitrampas, são vistoriadas a cada 10 dias e o material coletado é enviado para o avaliar quanto a positividade ou não para vetor transmissor da Dengue. Sem a interrupção de outras ações preconizadas e cruzando informações com o histórico Epidemiológico toma-se a decisão quanto ao bloqueio de redução de criadouros em um raio de 150m no entorno da armadilha, gerando gráficos e mapas para aplicação das medidas de controle direcionada. IV acompanhamento de agos. de 2023 a fev. de 2024, possibilitou a partir das análises concentrar os trabalhos nas áreas larvárias positivas, antes da transmissão e consequentemente a diminuição dos casos de Dengue no período.
O estabelecimento de um processo de trabalho pautado na análise prévia permitiu não somente a diminuição de casos positivos mas também o fortalecimento das ações de educação em saúde . Representam resultados qualitativos o potencial do trabalho preventivo com um passo anterior a transmissão e permitindo o trabalho assertivo e adequado da equipe. No que tange os dados quantitativos com amostras analisadas de forma comparativa nos períodos de setembro a dezembro de 2020 com 16 casos positivos, de setembro a dezembro de 2021 com 12 casos positivos, de setembro a dezembro de 2022 com 56 casos positivos e no período de setembro a dezembro de 2023 com 15 casos positivos. Uma diminuição significativa contrária a realidade regional e nacional de aumento exponencial da transmissão.
É prematuro considerar que a implementação das novas ações é o único fator para diminuição da transmissão da dengue no município de Lins , mas nos leva a considerar que estratégias de baixa densidade tecnológica mais de intensa participação dos agentes de endemias no processo de trabalho tem como reflexo resultados iniciais motivadores .Os Agente de Combate de endemias são os protagonistas nos impactos positivos dessa mudança.
Dengue, Ovitrampas
Fabiano Cristian Oliveira, Silvia Cristina de Oliveira Vasconcelos Cardoso