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Este relato descreve a implementação do projeto de Microplanejamento recomendado pelo Ministério da Saúde (MS) em unidades de saúde de Santana de Parnaíba. O projeto é focado na vacinação de alta qualidade (AVAQ), tem como objetivo principal resgatar as altas coberturas vacinais, com isso eliminar e controlar as doenças imunopreviníveis; também visa aprimorar a gestão, o planejamento, a tomada de decisões nas salas de vacina, colaborando com a identificação de casos faltosos e o monitoramento das metas de vacinação. O Microplanejamento demanda a colaboração entre profissionais de saúde de diversas áreas, incluindo Vigilância Epidemiológica (VE), Atenção Primária à Saúde (APS) e Secretaria de Tecnologia e Informação. Essa colaboração conjunta promove uma análise detalhada da realidade do território, indo além de uma perspectiva meramente generalizada. O presente relato detalha como foi o início da implantação da AVAQ no município assim como suas etapas: coleta dos dados de vacinação, utilização das ferramentas propostas pelo MS para tabulação dos dados, fórmulas de cálculos, geração de relatórios e informação para análise e acompanhamento da cobertura vacinal de cada território e a nível municipal. Considerando a vacinação como uma medida fundamental na prevenção de doenças públicas, essa iniciativa busca otimizar recursos, identificar possíveis falhas e promover a qualidade e eficácia dos serviços de vacinação oferecidos à população.
Geral: Implantar o Microplanejamento como instrumento de gestão das salas de vacina nas unidades de saúde de Santana de Parnaíba. Específicos: 1. Facilitar a análise crítica das doses de vacinas disponíveis para aplicação em cada mês. 2. Promover a busca ativa de casos faltosos e o acompanhamento da meta de cobertura vacinal. 3. Identificar o comportamento da população em relação à busca de doses em outras unidades de saúde do município ou na rede privada. 4. Buscar a excelência na aplicação e registro efetivo de vacinas.
A implantação da AVAQ iniciou-se com o treinamento organizado pelo Estado, onde participou a coordenadora da VE e a coordenadora da APS, logo após esse treinamento, iniciamos as etapas do processo conforme planilhas eletrônicas e recomendações fornecidas no treinamento. Foi criado um comitê de coordenação da AVAQ, onde decidiu-se iniciar a metodologia nas crianças na faixa etária de zero a quatro anos, realizamos a coleta dos dados vacinais das 13 unidades de saúde do município. Primeiramente fizemos um levantamento da população pertencente à área de abrangência de cada unidade de saúde e montamos as planilhas de monitoramento para cada território. Como temos sistema próprio de vacina, exportamos os relatórios dos registros das vacinas pertencentes ao Calendário Nacional de Imunização e tabulamos os dados em planilhas eletrônicas de fácil acesso aos usuários (com permissão individual para edição) permitindo a geração automática dos gráficos e indicadores da cobertura vacinal. Para garantir a eficácia do projeto, foi realizada uma reunião com os Enfermeiros Responsáveis Técnicos (RTs), Diretores Técnicos e Administrativos das unidades de saúde onde foi abordado sobre a AVAQ, posteriormente realizamos outra reunião, somente com os RTs, a fim orientar sobre o manejo, utilização da ferramenta de análise, conforme as necessidades identificadas durante o processo, além de treinamento in loco para as equipes da sala de vacina.
Após treinamento com o Estado, houve reunião com a Coordenação da Secretaria Municipal da Saúde e o Secretário da Saúde para explicar sobre a AVAQ. Seguindo o Manual da AVAQ, estabeleceu-se a Comissão de Coordenação da AVAQ via portaria municipal nº 5.785, de 07 de dezembro de 2023. Com os materiais estaduais, capacitamos 37 profissionais das unidades de saúde: RTs de Enfermagem, Diretores Técnicos e Administrativos. Para otimizar, foi criado uma planilha eletrônica com dados vacinais e da população de cada unidade. Instruímos os RTs de Enfermagem sobre o preenchimento das planilhas e fornecemos orientações nas unidades às equipes da sala de vacina. Durante a coleta de dados, foi notado imprecisões nos registros das doses de vacina, devido a equívocos na identificação ou inserção das informações. Por exemplo, uma dose deveria ser D1, mas foi digitada apenas como D ou até mesmo como D2, divergindo do calendário vacinal. Foi discutido os equívocos com as equipes, enfatizando a importância do preenchimento correto das informações devido ao impacto na cobertura vacinal. Durante a implantação da AVAQ, foi melhorada a gestão das salas de vacina por meio de: análise crítica das doses, identificação de casos faltosos e comportamento da população na busca por doses em outras unidades de saúde, desenvolvimento de novas estratégias para aumentar a cobertura vacinal, incluindo a digitação/ transcrição da caderneta de vacinação de unidades privadas para crianças menores de 5 anos.
A identificação dos equívocos na digitação das doses ressalta a necessidade de manter a educação permanente dos profissionais responsáveis pela inserção de dados nos sistemas de informações. Assim como promover o comprometimento, por parte dos mesmos, na análise e consistência dos registros, visando assegurar a qualidade dos dados e a eficácia das análises realizadas. Essa metodologia nova, proposta pelo MS, é um processo árduo para os profissionais não acostumado em realizar análise de dados do seu território, mas quando esse processo se tornar rotina, permitirá uma melhor avaliação da situação do território e consequentemente uma melhor estratégia para o alcance da cobertura vacinal. A implantação da AVAQ demonstrou ser uma importante ferramenta para o trabalho em conjunto e a conscientização dos profissionais das unidades sobre os dados vacinais de seu território, fazendo com que a equipe da APS se reconheça como parte do planejamento das ações de vacinação do município, e não apenas executores. A próxima etapa será implantar a AVAQ nas demais faixas etárias.
Microplanejamento, Vacinação de Alta Qualidade
Tathiana Vieira Pojar