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A questão dos refugiados, destacada globalmente e no Brasil, torna-se cada vez mais urgente. A necessidade de intervenção dos Estados Nacionais diante dessa crise humanitária é evidente, refletindo não apenas eventos recentes, mas uma longa história de violação dos direitos humanos, demandando ação imediata. Campo Limpo Paulista, alinhado ao Plano Municipal de Políticas Públicas para Refugiados e Imigrantes do Estado de São Paulo, assumiu uma postura proativa. Em outubro de 2022, estabeleceu uma parceria crucial com a ONG PANAHGAH, visando integrar efetivamente refugiados, imigrantes e apátridas na esfera política e prática. A iniciativa busca garantir condições dignas e acesso às necessidades básicas para famílias frequentemente desprovidas de documentos, enfrentando um processo de identificação lento e burocrático. A ONG desempenha papel fundamental ao acolher e abrigar indivíduos, oferecendo informações em diversos idiomas e condições éticas de sobrevivência. Muitos fogem de guerras, pobreza e perseguições, frequentemente sem documentação, vacinas ou tratamentos de saúde e pré-natal interrompidos. Em resposta, Campo Limpo Paulista mobilizou a VE e a AB para atendimentos imediatos à chegada dessas famílias, garantindo proteção e direito à vida. As ações visam não apenas à sobrevivência imediata, mas à integração efetiva na comunidade, refletindo um comprometimento coordenado e humanitário entre o município e a ONG, oferecendo uma perspectiva digna para refugiados.
1- Realizar ações de saúde pública com alerta para risco de reintrodução da poliomielite do vírus de sarampo; 2- Atender às necessidades fundamentais das famílias de refugiados. 3- Promover e prevenir a saúde dos refugiados afegãos provenientes de áreas de circulação de poliovírus e sarampo no Município de Campo Limpo Paulista.
Trata-se de um relato de experiências e desenvolvimento de estratégias adotadas para o acolhimento na cidade de CLP dos afegãos refugiados até serem encaminhados pela ONG à cidade de moradia. De Outubro/22 a Dezembro/23 foi realizado atendimento pela equipe de saúde com todos os refugiados acolhidos no município. Foi elaborado em conjunto com a equipe de VE, APS e Secretaria de Saúde um protocolo para atendimento às famílias tendo como base: Avaliação geral dos quadros de saúde e atualização do Calendário Vacinal. Antes da chegada de cada família, a informação é comunicada com antecedência à VE por meio de uma planilha online que é atualizada conforme necessário. Posteriormente, é confirmada pela ONG via ligação telefônica. A partir dessa comunicação, a VE e APS planejam uma visita para realizar as ações. As orientações da equipe de saúde do município são compartilhadas com os responsáveis da ONG, incluindo a importância da coleta de material para detectar precocemente poliomielite e sarampo devido às áreas endêmicas dos países de origem, a necessidade de atualização do calendário vacinal e a continuidade nos tratamentos, especialmente para gestantes, hipertensos e diabéticos. Os atendimentos são conduzidos pela equipe de saúde do município em um prazo máximo de 72 horas após a chegada. Todos os procedimentos são registrados e se necessário, é feito contato após a família deixar o município, especialmente se estiverem se mudando para a cidade de moradia fixa.
Em outubro de 2022, com a admissão do primeiro refugiado e a subsequente implementação de protocolos desenvolvidos em conjunto entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Vigilância Epidemiológica (VE) e Atenção Primária à Saúde (APS) ao longo de 2023, observou-se uma evolução significativa no atendimento prestado aos refugiados no local. Este protocolo, eficaz desde então, envolveu reuniões, capacitações das equipes e a colaboração de todos os setores da saúde. Até o momento, foram registrados 643 acolhimentos. Destaca-se a expressiva taxa de 100% de vacinação entre os refugiados e a realização de 265 coletas de exames em menores de 21 anos, conforme previsto no protocolo, com resultados negativos. É importante ressaltar que Campo Limpo Paulista se destaca como um dos poucos municípios a realizar a vacinação e coleta de exames em tempo oportuno. O acompanhamento contínuo de gestantes, pacientes hipertensos, diabéticos e aqueles em tratamento contra o câncer demonstra o comprometimento do município em assegurar uma assistência integral e de qualidade aos afegãos. Este êxito reforça a eficiência do protocolo implementado, consolidando Campo Limpo Paulista como um dos dois municípios referência na prestação de cuidados à população refugiada na região de Campinas.
No decorrer dessa jornada, superando resistências iniciais e alinhando esforços entre a ONG e os setores de saúde, Campo Limpo Paulista alcançou não apenas uma efetiva integração dos refugiados, mas também implementou práticas essenciais para a prevenção de doenças. A construção colaborativa de um fluxo de atendimento qualificado e a utilização de instrumentos avaliativos baseados no Plano Estadual de Estratégia de São Paulo foram passos cruciais para aprimorar a assistência oferecida às famílias acolhidas. Os resultados, como a vacinação oportuna de todos os refugiados e a realização de coletas de amostras para detecção da Paralisia Flácida Aguda dentro dos prazos estabelecidos, não apenas refletem o êxito dessas ações, mas também desempenham um papel vital na prevenção de doenças. Essas práticas não só asseguram um atendimento integral, mas contribuem significativamente para evitar a ressurgência de doenças já erradicadas no Brasil. Portanto, é as estratégias adotadas não apenas suprem às necessidades imediatas dos refugiados, mas também desempenham um papel preventivo crucial na proteção da saúde pública.
afegãos, refugiados
Cristiane Hurtado Ziviani Tonetto, b. Adriana Inácio Lacerda da Silva