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A vacinação é uma intervenção de elevado benefício em relação ao seu custo, pois tem contribuído para o avanço na prevenção, no controle, na eliminação e na erradicação das doenças imunopreveníveis. Importantes mudanças ocorreram no comportamento dessas doenças com o uso de vacinas, após o alcance de elevadas coberturas vacinais ao longo dos anos1. Em Campinas, o PNI é operacionalizado pelo Programa Municipal de Imunização (PMI) do Departamento de Vigilância em Saúde (DEVISA) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), devendo assim realizar a vigilância das coberturas vacinais em nível municipal. Desde 2017, até 2021, observam-se em Campinas quedas acentuadas das coberturas vacinais do calendário básico infantil, conforme gráfico 1. Gráfico 1- Percentual de cobertura vacinal em crianças menores de dois anos no município de Campinas, 2017-2021. Tal situação exigiu a adoção de estratégias adicionais para o resgate da vacinação das pessoas não vacinadas. Por isso, o município, com o apoio de suas diversas secretarias e sociedade civil, tem o desafio e o compromisso de recuperar as coberturas vacinais. O cumprimento das metas de vacinação é uma condição necessária para o alcance dos objetivos do PNI, manutenção do controle e eliminação das doenças imunopreveníveis. Assim, visando ampliar o acesso à vacinação e fortalecer a vacinação de rotina, respeitando as diversidades locais o PMI identificou a necessidade de implementar estratégias intersetoriais sistematizadas junto à Secretar
• Implementar estratégias sistematizadas para a melhoria das taxas de coberturas vacinais; • Elaborar ferramenta padronizada e sistematizada que identifique nominalmente crianças matriculadas na rede municipal de educação infantil com esquema de vacinação desatualizado, facilitando a busca ativa e potencializando o trabalho das equipes; • Capacitar as equipes de saúde para a utilização da ferramenta; • Realizar atualização do esquema vacinal na própria escola na qual a criança está matriculada, favorecendo o acesso; • Realizar, em conjunto com as equipes, monitoramento das ações periodicamente, reavaliando o processo e propondo adequações, se necessárias.
Tendo em vista o início da Campanha de Multivacinação previsto para setembro/2023 no estado de São Paulo, considerando o público-alvo previsto, a aquisição de conhecimentos por meio das oficinas de microplanejamento, o PMI identificou a necessidade de estreitar os vínculos com a Sec Munic de Educação, visando identificar em quais escolas estavam as crianças com esquema vacinal desatualizado. Foram realizadas reuniões e solicitadas as relações nominais de todas as crianças matriculadas na rede municipal de educação infantil. De posse dessas informações, foi realizado um linkage com os cadastros no sistema e-SUS APS das crianças nesta mesma faixa etária e assim, identificadas aquelas crianças com esquema desatualizado. Foi produzida uma planilha que sinaliza em quais escolas as crianças não vacinadas se encontram, que possibilita identificar as escolas que mais tem crianças com esquema em atraso e que direciona a prioridade das ações. As planilhas foram divulgadas às equipes das UBS dos territórios e as ações de vacinação pactuadas para acontecerem na escola, favorecendo acesso à vacinação. Ao longo da Campanha de Multivacinação, o PMI também contou com a parceria de outras secretarias para a efetivação das estratégias, como: Sec. Comunicação para ampla divulgação das ações, Sec. Transporte e Emdec que em conjunto com as empresas e cooperativas do transporte público ofereceram espaço dentro dos ônibus para divulgação, além de oferecerem o transporte gratuito no dia D.
Foi ampliado o acesso à vacinação, oferecendo a vacina diretamente nas instituições escolares. Houve o fortalecimento do vínculo entre as equipes de saúde com os pais/responsáveis e comunidade escolar. E, principalmente, as ações de vacinação executadas em mais de 60 escolas garantiu a adequação do esquema vacinal de mais de 700 crianças. As equipes estão capacitadas para o uso da planilha e periodicamente será realizado o monitoramento desses dados, possibilitando a busca ativa nominal das crianças que se encontram com os esquemas vacinais desatualizados, otimizando o trabalho das equipes para que estas direcionem a organização das ações em escolas que de fato apresentem um maior número de crianças faltosas à vacinação. Com a implantação de mais esta ação, em complementação às várias outras estratégias desempenhadas pelo PMI, identificou-se uma inversão na curva das taxas de cobertura vacinal em crianças menores de dois anos no município de Campinas, conforme Gráfico 2 Observa-se que em 2022, o município de Campinas apresentou aumento nas taxas de coberturas vacinais de todas as vacinas do calendário básico infantil, quando comparadas ao ano de 2021. E em 2023, esse aumento foi ainda mais significativo, sendo alcançadas as coberturas vacinais para duas vacinas, BCG e rotavírus. Os dados oficiais no sistema ministerial ainda estão em fase de processamento, o que permitirá um aumento ainda mais considerável quando forem analisados nos próximos meses.
Fica evidente que as ações implementadas, principalmente as ações extra muro, considerando a singularidade de cada território e buscando o público alvo no local onde estão, impactam diretamente e favoravelmente na ampliação das taxas de cobertura vacinal no município. A vacinação é considerada uma das mais importantes medidas para redução da morbimortalidade relacionada a doenças infecciosas imunopreveníveis. Com a implantação de estratégias robustas que efetivamente ampliam as taxas de cobertura vacinal no município de Campinas, é possível a redução de gastos com assistência, hospitalizações e mortes prematuras.
Vacinação, intersetorialidade, cobertura vacinal
Cíntia Christina Bastos, Daiane Cristina Pereira Morato, Chaúla Vizelli