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Para atender aos requisitos de um Governo integrado, em consonância com a Estratégia de Governo Digital do Governo Federal, e às exigências atuais de uma sociedade 4.0, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS) tem desenvolvido uma série de iniciativas voltadas à otimização de suas operações por meio do uso de tecnologia para transformar a cultura organizacional e o relacionamento com os cidadãos. Em 2018, foi instituído o Programa Avança Saúde cujo objetivo era melhorar as condições de acesso e aprimorar a qualidade de serviços de saúde, através da estruturação da assistência segundo o modelo de Redes Regionais de Assistência à Saúde, fortalecendo a infraestrutura, a qualidade e a integralidade dos serviços. Composto pelo desenvolvimento de novas tecnologias e mudança de processos, o programa englobou a criação de uma plataforma de dados de saúde, denominada e-SaúdeSP. Essa plataforma traz como um dos pilares a integração de dados provenientes de diferentes sistemas e aplicações, sendo considerada uma etapa fundamental para impulsionar a capacidade da SMS se tornar, cada vez mais, uma organização orientada a dados. A fragmentação dos sistemas de informação, em que se insere a saúde pública brasileira, e o contexto da transformação digital, que estabelece novas diretrizes na relação da tecnologia com as organizações, tornam premente a adoção de medidas, pelos diversos níveis de governo, para adequação de seus processos a padrões modernos de gestão.
O objetivo do projeto foi viabilizar a interoperabilidade necessária entre os sistemas de informação em saúde por meio da criação de uma estrutura de Data Lake, que recebe as diversas bases de dados na plataforma de saúde, denominada e-SaúdeSP, que consiste em: i) um repositório de dados; ii) uma plataforma através da qual é disponibilizada a ferramenta que permite a visualização dos dados clínicos para uso por profissionais na assistência; iii) disponibilização de um aplicativo para uso do cidadão. Os objetivos específicos são aprimorar a gestão cotidiana de informações, incentivar inovação e uso de novas soluções técnicas e tecnológicas em saúde, além de atender às necessidades de integração de dados, em um contexto complexo, composto por uma grande quantidade de sistemas de informação, gerando valor a partir dos dados para qualificar processos de tomada de decisão.
A metodologia adotada para sua execução dialoga com a trilha para a transformação digital descrita pelo Governo Federal em 2022, que envolveu desde a criação de um grupo de trabalho responsável pela governança à necessária revisão de processos de trabalho vigentes. O grupo designado para este fim possui como atribuições a definição de diretrizes para o funcionamento da plataforma, promoção do aprimoramento do registro das informações em saúde buscando a qualificação dos dados, analisar e validar as demandas relacionadas à plataforma, promover a articulação entre as áreas de produção de informação e de desenvolvimento de sistemas da SMS-SP, definir padrões técnicos de interoperabilidade de informações em conformidade com a Política Municipal de Informação e Informática e a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde do Ministério da Saúde, com atenção à definição de condições e fluxos para a alimentação dos sistemas de informação em saúde e à segurança da informação. A partir da criação do repositório de dados e uma vez que ele passou a receber as bases de dados dos Sistemas Legados, o Comitê debruçou-se sobre a validação, padronização e integração do seu conteúdo. Para tanto, aprofundou-se a análise sobre o Conjunto Mínimo de Dados Municipal para nortear a análise e tratamento dos dados, bem como a sua forma de apresentação.
A implantação da plataforma foi concluída e atualmente se encontra ativa, com fluxo de recebimento das diversas bases de dados da Secretaria Municipal da Saúde em seu repositório e a disponibilização de ferramenta de visualização do histórico clínico do cidadão para a assistência na Atenção Primária. Os processos de integração de dados se encontram em andamento, sendo previstos como próximos passos a revisão de fluxos de informações para o repositório e a validação da consistência dos dados. Esse é um requisito para a qualificação da informação disponibilizada pela plataforma. No momento o Comitê de Gestão Técnica, instituído por portaria para conduzir o projeto, está revisando o desenho e os conteúdos do visualizador clínico disponibilizado para os profissionais da rede de atenção acessarem o histórico clínico digital dos usuários. Mesmo em fase intermediária de maturidade, o projeto favoreceu mudança de cultura da organização e tem permitido a revisão de processos de trabalho que se alinham com os princípios de transformação digital. Essa experiência, realizada no SUS municipal de São Paulo, tem conseguido abordar tais dimensões sob a perspectiva tanto da administração como do usuário, estabelecendo um marco na gestão da informação condizente com os novos desafios apresentados.
Iniciativas dedicadas à transformação digital exigem uma alteração da cultura organizacional, o que se apresenta como um desafio para este projeto. Outra adversidade consiste em lidar com sistemas de informação fora da governabilidade da gestão municipal, o que limita as possibilidades de soluções para a integração dos dados. Apesar do repositório implementado, a complexidade do processo de integração das bases de dados torna necessária a realização de uma validação qualitativa para garantia da qualidade da informação. Um dos problemas a ser superado é a identificação da chave primária para integração dos dados, uma vez que há um passivo nos sistemas de informação em saúde, especialmente com relação ao cadastro de pacientes e profissionais decorrente da geração indiscriminada de cartões nacionais de saúde sem um regramento definido. Embora o projeto esteja ainda em fase intermediária de maturidade, já se verificam benefícios decorrentes da utilização das ferramentas disponíveis na assistência à saúde. Além disso, ele demonstra um caráter inovador da gestão municipal que fomenta uma mudança importante de posicionamento frente ao uso de evidências na gestão das políticas públicas e ao acesso dos cidadãos às suas informações de saúde
plataforma, integrada, racionalização, informações
Andreza Tonasso Galli, Artur Madeira Kaufmann, Suellen Decario Di Benedetto, Bianca Tomi Rocha Suda, Bruno Martinelli, Bruno George Abud, Estevão Nicolau Rabbi dos Santos, Fernanda Braz Tobias de Aguiar, Ilka Corrêa De Meo, Ivony Lessa Santos, Luiz Carlos Paranhos, Maria Camila Florêncio, Miriam Carvalho de Moraes Lavado, Nicholas Reis Bauclair Silva, Patrick Rodrigues Andrade