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Embora, em nosso meio, a percepção do uso da tecnologia para apoiar as interações no âmbito da saúde tenha ocorrido principalmente no cenário da recente pandemia por Covid-19, o uso de tecnologias para apoiar ações de saúde é antigo. A disseminação da internet, na década de 1990, ampliou a expectativa em relação a esse tipo de tecnologia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), lançando-a como prioridade de agenda mundial em 2005. Os avanços tecnológicos, a redução dos custos e a popularização do acesso à tecnologia transformaram o modelo da telessaúde. O município de São Bernardo do Campo (SBC), considerando a definição de telessaúde e as modalidades de telemedicina de acordo com a resolução CFM nº 2.314/2022 (Teleconsulta, Teleinterconsulta, Telediagnóstico, Telecirurgia, Telemonitoramento ou Televigiância, Teletriagem e Teleconsultoria), já tem utilizado essas ferramentas com a finalidade de melhorar o acesso aos serviços de saúde, otimizando o aproveitamento dos recursos ofertados No relato de experiência deste trabalho, em resposta à busca por qualificação do serviço e à demanda reprimida para o acesso às consultas de especialidades focais e aos exames de maior complexidade, somado à determinação de incorporar novas tecnologias que viabilizem o atendimento ao usuário do SUS em tempo oportuno, apresenta-se a iniciativa de implantação pelo município de São Bernardo do Campo do projeto-piloto de Telematriciamento.
Viabilizar o atendimento/exame do usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) em tempo oportuno conforme os princípios do SUS. Oferecer suporte às decisões clínicas e ao processo técnico dos profissionais da assistência. Otimizar o aproveitamento dos recursos em saúde ofertados. Qualificar as solicitações através da educação permanente dos profissionais. Aprimorar os processos de gestão através da incorporação de novas tecnologias.
A partir das ferramentas disponíveis na Central de Regulação municipal, tais como o atual sistema de informação (Hygia) que conta com o prontuário eletrônico e o processo de regulação, a plataforma de telecomunicação Zoom (gratuito) e a equipe já existente de Reguladores técnicos (equipe multidisciplinar contando com médicos, enfermeiros e dentistas), iniciou-se o processo de implantação do Telematriciamento no município. Definida a estrutura física adequada contendo sala silenciosa, computadores com recursos para vídeoconferências e utilização de headset. O agendamento do telematriciamento, seja para discussão de caso clínico ou de temáticas, é realizado no Hygia. Para garantir os registros das informações referente as discussões, todos os dados são informados em prontuário eletrônico e formulário eletrônico (nome do profissional matriciado, função do profissional matriciado, unidade do profissional matriciado, número de cadastro do paciente em caso de discussão de caso clínico, nome do paciente em caso de discussão de caso clínico, assunto discutido no matriciamento, desfecho obtido no matriciamento, observação (campo aberto) sobre o matriciamento, área de atuação do matriciado). ● Além da equipe de reguladores/matriciadores já vinculados à Central de Regulação municipal, foram identificados profissionais da rede com interesse, perfil e disposição para atuar no processo regulatório e de telematriciamento.
Após a implantação do projeto-piloto em 05/07/2023, foram realizados seiscentos e seis telematriciamentos com a participação de trinta e oito serviços de saúde (34 UBSs, 2 Policlínicas e 2 Centros de Especialidades Odontológicas) e vinte e sete categorias profissionais (equipe administrativa, assistentes e técnicos em saúde bucal, médicos, dentistas, enfermeiros, equipe de cirurgia, equipe farmacêutica, equipe multidisciplinar, equipe do núcleo interno de regulação – NIR, entre outros). As áreas de atuação dos matriciadores foram dermatologia, ginecologia e obstetrícia, medicina de família e comunidade, odontologia, oftalmologia, ortopedia, pediatria/nutrologia pediátrica e regulação. Entre os principais temas focais encontram-se: lesões de pele (acne, neoplasias, ceratose, dermatites, eczemas, fibromas, psoríase etc), onicomicoses, gestação e comorbidades, climatério, diabetes gestacional, uso de dispositivo intra-uterino, diabetes, insulinoterapia, multimorbidades, abordagens em odontologia (pacientes anticoagulados, cardiopatas, fluxo de especialidades), perda visual, cefaleia na infância, ganho ponderal, artroses, sequelas de trauma, discussão de fluxos (especialidades, oncologia etc) etc . Em relação aos desfechos, o telematricamento esclareceu dúvidas, direcionou para agendamento presencial, evitou encaminhamento desnecessário, priorizou agendamento de caso, sugeriu troca de especialidade, sugeriu exames complementares para seguimento entre outros.
A implantação do telematriciamento surge como uma ferramenta para auxiliar no processo de gestão da saúde pública, aproveitamento dos recursos ofertados, capacitação e suporte ao profissional da assistência, monitoramento e busca ativa de casos potencialmente graves. O telematriciamento associado ao processo de telerregulação permite que casos potencialmente graves identificados em fila sejam discutidos a fim de reavaliar o caso e garantir a equidade no atendimento ao paciente. Além disso, é possível o reconhecimento de temas que podem obter resolução na Atenção Primária à Saúde (APS) ou temas de maior dificuldade de condução a fim de se promover discussões e orientações e suporte às decisões clínicas do dia a dia. Nesta implementação, percebe-se a necessidade de estabelecer uma relação mais próxima com os profissionais da rede de saúde em relação à atividade do telematriciamento, desassociando quaisquer ideias que possam inibir a utilização da ferramenta. A esse respeito, ainda, preza-se pelo perfil do matriciador que, além da capacidade técnica, deve conhecer o contexto de atendimentos da APS, os recursos, limitações e fluxos contextualizados ao município e as possibilidades de terapias a serem ofertadas.
Telessaúde,tecnologia de informação e comunicação
Bruno Keiji Okoshi, Elaine Gomes da Silva, Vanilda Paula da Cruz, André Minoru Shibata Kauchi, Analucia Montalvão Nunes Terron, Beatriz Fernandes Diogo Alves, Gianna Roselli, Livia Costa Tavares, Natália de Paula Kanno, Rosa Maria Reschini (, Rui dos Santos Barroco, Viviane Coppini Toyofuku, Valquíria de Souza Djehizian