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Não é de hoje que, reconhecer o impacto do meio ambiente como fator determinante e condicionante ao processo saúde-doença é de suma importância para toda a sociedade e, principalmente, para o setor saúde a fim de identificar riscos e adotar medidas que visem a promoção, proteção e recuperação da saúde da população. Infelizmente, a Organização Mundial da Saúde, prevê para as próximas décadas, um aumento de 250 mil mortes por ano relacionadas às mudanças climáticas1. Diversos especialistas e instituições vem apontando para o impacto das mudanças climáticas na saúde humana, no entanto, existem poucos avanços no enfrentamento da problemática. Dentre os diversos fatores ambientais, destacam-se as ondas de calor que podem aumentar a temperatura corporal, causando o estresse térmico ao corpo humano, e consequentemente, aumentando os riscos de morbimortalidade por causas cardiovasculares e respiratórias. Estudiosos apontam que as ondas de calor poderão se tornar mais comuns apresentando extremos de temperatura cada vez maiores e, o Sistema Único de Saúde (SUS), precisa desenvolver formas de comunicação e orientação tanto para profissionais como para a população.
O presente trabalho tem o objetivo de divulgar a estratégia utilizada pelo Núcleo de Vigilância em Saúde Ambiental do Município de Diadema para implantar ações de alerta aos profissionais de saúde e população quanto a situação meteorológica e orientações de saúde relacionadas às exposições ao calor e baixa umidade.
A equipe elaborou Procedimento Operacional Padrão contemplando as etapas de: – implantação do monitoramento diário dos alertas e previsões meteorológicas divulgados pela Defesa Civil do Estado de São Paulo e Centro de Prevenção de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) nos períodos da manhã e tarde; – elaboração dos documentos orientativos sobre cuidados de saúde relacionados as exposições ao calor e baixa umidade; – descrição do passo a passo do procedimento de edição do arquivo base visando atualizar o período vigente do alerta inserindo as orientações da Defesa Civil a serem utilizadas pela equipe técnica do Núcleo de Vigilância em Saúde Ambiental; – elaboração de email padrão para a Rede de Atenção à Saúde, bem como para o Setor de Comunicação da Secretaria de Saúde a fim de estabelecer contato e parceria com a Secretaria Municipal de Comunicação encaminhando o Alerta de Calor e Baixa Umidade; – pactuação do fluxo para publicização do Alerta com as Coordenações da Rede de Atenção à Saúde e Setor de Comunicação para garantir o processo de trabalho; e, – adoção de registro sistemático dos alertas emitidos no controle de atividades relacionadas à Educação em Saúde e Planilha de Rumores como ação de Comunicação.
A elaboração das orientações foi iniciada em julho/2023 no período de sazonalidade de Baixa Umidade e, posteriormente, as relacionadas ao Calor pelo acompanhamento das previsões meteorológicas disponibilizadas pelo CPTEC/INPE e Defesa Civil. O primeiro Alerta para a Rede de Atenção à Saúde foi emitido em agosto/2023 e, após avaliação da equipe, foram realizados ajustes nos fluxos contemplando a divulgação para a Secretaria de Educação, além do Site Oficial da Prefeitura. Os alertas emitidos em setembro e novembro seguiram as etapas definidas no Procedimento Operacional Padrão. Pode-se destacar as matérias jornalísticas divulgadas no Site da Prefeitura intituladas “Diadema emite alerta para cuidados durante onda de calor” e “População precisa redobrar cuidados devido às altas temperaturas” disponíveis nos endereços https://portal.diadema.sp.gov.br/diadema-emite-alerta-para-cuidados-durante-onda-de-calor/ e https://portal.diadema.sp.gov.br/populacao-precisa-redobrar-cuidados-devido-as-altas-temperaturas/ respectivamente. O conteúdo e formato das orientações que compõe os alertas pode ser verificado no endereço https://portal.diadema.sp.gov.br/wp-content/uploads/2023/09/ALERTA-METEOROLOGICO-18_A_230923.pdf Ainda, outros meios de comunicação realizaram a divulgação dos Alertas elaborados pela equipe, como pode ser observado no Instagram Oficial do Diário Regional do Grande ABC disponibilizado em https://www.instagram.com/diarioregionaloficial/p/CzkbXoyNnGd/
Conclui-se que o Sistema Único de Saúde necessita estar preparado para o enfrentamento dos impactos à saúde humana causados pelas mudanças climáticas e, no tocante ao estresse térmico, é primordial que sejam estabelecidos processos de trabalho que garantam o monitoramento contínuo da situação meteorológica e dos alertas emitidos pela Defesa Civil Estadual, bem como pelos Centros de Meteorologia e Estudos Climáticos a fim de garantir a comunicação aos profissionais de saúde e população. É importante também que as orientações apropriadas sejam veiculadas oportunamente para a Rede de Atenção à Saúde com objetivo de identificar a população afetada pelo estresse térmico, possibilitando o atendimento adequado e visando minimizar os impactos, bem como favorecendo a recuperação da saúde. A equipe ainda planeja ampliar o escopo de Alertas para orientação sobre risco à saúde relacionados a chuva intensa, tempestade de raios e granizo, vendavais e queda de energia, tendo em vista que os temas já fazem parte das ações programáticas do Vigidesastres desenvolvidas pelo município.
Saúde Ambiental, Mudança Climática, Vigidesastres.
Flávia Prado Corrallo, Dediane Alice Carneiro, Juliana Oliveira Antunes, Renata de Augusto