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Este trabalho visa apresentar a experiência vivenciada no Centro Especializado em Reabilitação – CER III Sé do município de São Paulo com os pacientes que apresentavam quadro de dores musculoesqueléticas, os quais eram atendidos em um grupo em equipe multiprofissional. Foi notado que para uma melhor intervenção e consciência sobre o cuidado na saúde, haveria a necessidade da implantação de uma linha de cuidado, assim associou-se as Práticas Integrativas Complementares (PICs) com a aplicação de auriculoterapia aos atendimentos, bem como a roda de conversa e exercícios específicos. Desse modo, justificou-se a aplicação do trabalho em grupo, que vai ao encontro das diretrizes do SUS no que tange a equidade, sendo que as orientações que foram transmitidas eram tangíveis para todos os usuários. A vivência obtida com a prática em grupo através da participação do usuário e orientações quanto ao manejo do cuidado em saúde, possibilitou essa divulgação para a sociedade e com isso favorecer as intervenções com o uso das PICs. Uma prática viável e de baixo custo é a auriculoterapia dentre as práticas da Medicina Tradicional Chinesa que visa o corpo humano com vários microssistemas, ou seja, uma parte do corpo, nesse caso a orelha, representando o corpo todo.
Orientar os pacientes para os mecanismos e ferramentas de autocuidado com foco em diminuição da dor. Aumentar a participação do sujeito em seu processo de tratamento, associando às técnicas não invasivas e de baixo custo para a rede. Também se objetiva expor a importância das Práticas Integrativas e Complementares, no caso em específico a auriculoterapia, como método para o controle da dor, garantindo ao paciente bem-estar físico e emocional.
Participaram da experiência 10 pacientes com queixa de dor musculoesquelética crônica atendidos CER III Sé em 20 encontros, uma vez por semana. Os critérios de exclusão: incapacidade física e intelectual para responder os questionários aplicados; manifestação voluntária do desejo de não participar da experiência. Inicialmente e após a proposta de intervenção foi aplicado a escala visual analógica (EVA) para dor (Visual Analogue Scale – VAS) é constituída por uma linha de 10 cm que tem, em geral, como extremos as frases “ausência de dor e dor insuportável”. Pede-se, então, para que o paciente avalie e marque na linha a dor presente naquele momento. As atividades foram aplicadas por três profissionais de saúde: uma fisioterapeuta, uma enfermeira e um psicólogo. Cada sessão de 1 hora incluiu 15 minutos de estratégias educativas, 20 minutos de alongamentos supervisionados, 15 minutos de relaxamento e 10 minutos de auriculoterapia e automassagem. Enfermeira e o psicólogo ficaram responsáveis pelo conteúdo educativo, técnica de relaxamento e estratégias cognitivo-comportamentais e a fisioterapeuta ficou responsável pela orientação e prática supervisionada do alongamento e aplicação de auriculoterapia técnica da Medicina Tradicional Chinesa que trata disfunções físicas, emocionais e mentais por meio de estímulos em pontos específicos da orelha, local onde há terminações nervosas correspondentes a determinados órgãos do corpo.
O grupo foi composto por 10 pacientes do serviço que já tinham realizado terapia individual com pouca melhora da dor com tratamento convencional sem intervenção com PICS. O grupo tinha o predomínio de mulheres, com média de 46 anos de idade para os homens e 56 para as mulheres. O EVA inicial a média foi de 7 e a final de 3. Os pacientes relataram diminuição da dor e foi evidenciado através do instrumento aplicado, conseguiram realizar as técnicas ensinadas durante o processo de tratamento, além de serem beneficiados do tratamento com auriculoterapia que mostra a eficácia do tratamento com PICS evidencia que é um bom investimento dos recursos da saúde. Primeiramente, porque diminui o gasto com medicamentos e, segundo, reduz os encaminhamentos, aumentando a resolutividade da assistência especializada e um ótimo recurso com baixo custo e factível. A auriculoterapia implantada na demanda interna do CER como complemento as terapias de reabilitação, permitiu grande efetividade na conjugação dessa rede de métodos de tratamento, levando ao cuidado integral do paciente em terapia em grupo multiprofissional.
A dor é considerada “uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial” definida pela International Association for the Study of Pain (IASP). O alívio da dor é atualmente visto como um direito humano básico e, portanto, trata-se não apenas de uma questão clínica, mas também de uma questão ética que envolve todos os profissionais de saúde. A dor pode evoluir cronicamente com custos financeiros e sociais. No Brasil a dor crônica é considerada um problema de saúde pública, aproximadamente 60 milhões de pessoas sofrem com ela, que corresponde a 10% da população mundial. A cronicidade é definida como contínua ou recorrente com duração de 3 meses ou mais impactando na qualidade de vida. Considera-se que a intervenção baseada na conscientização do paciente frente ao seu quadro e melhor manejo no cuidado, bem como a associação das PICs podem trazer benefícios satisfatórios. Ainda assim, existem outras experiências que testaram técnicas de relaxamento, meditação e auriculoterapia e também encontraram resultados positivos. Assim o presente trabalho buscou contribuir para o aumento nas diversas terapêuticas em casos de dor crônica no processo de reabilitação.
PRÁTICA INTEGRATIVA, AURICULOTERAPIA, DOR CRÔNICA
Soraya Sayuri Braga Nohara, Daniel Ferro Carapeto, Rafael Ribeiro da Silva