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As práticas integrativas passam a compor as atividades possíveis de cuidado nos serviços de saúde com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS conforme Portaria n.971 de 03 de Maio de 2006 e legislações posteriores. Entre as práticas está prevista a Auriculoterapia que é a técnica que utiliza a estimulação de pontos do pavilhão auricular para prevenção e tratamento de desequilíbrio orgânico e emocional. A Auriculoterapia é disponibilizada em vários equipamentos de saúde em conjunto aos tratamentos já existentes. Na saúde mental, a prática vem seguindo o modelo de reabilitação psicossocial de integração dos usuários aos ambientes sociais através das ações de fortalecimento da autonomia, inclusão e cidadania. Por se tratar de um método não invasivo, indolor, de fácil aplicação, onde os resultados são imediatos com melhora e redução sintomática de diversas comorbidades, fortalece a adesão dos usuários à proposta disponibilizada. A Auriculoterapia é apresentada aos usuários do CAPS como uma nova abordagem terapêutica de cuidado no campo da saúde mental de forma a compor seu Projeto Terapêutico Singular visando melhorias na qualidade de vida. As Práticas Integrativas, entre elas a Auriculoterapia, propõe uma visão ampliada e integral da saúde, favorecendo maior compreensão do sujeito em vários aspectos de seu contexto de vida de forma biopsicossocial e pode promover melhor vínculo entre usuário e equipe multiprofissional.
– Proporcionar oferta da Auriculoterapia conforme protocolos de forma igualitária, podendo ser disponibilizada a todos os públicos e queixas diversas. – Ofertar cuidado humanizado, estimulando a visão do sujeito como protagonista de sua história, com respeito, singularidade, compondo a construção de seu PTS – Ofertar práticas integrativas aos públicos vulneráveis como garantia de direitos a saúde integral, – Prevenir Agravos – Promover melhorias nos aspectos relacionados ao processo saúde/doença – Promover bem estar mental, físico e social.
Realizada divulgação dos atendimentos em reunião de equipe para que os usuários fossem encaminhados pelos profissionais de referência ou por procura espontânea. Os encontros acontecem semanais, inicialmente de forma psico educativa com apresentação da técnica, benefícios e esclarecimentos de dúvidas, assim como escuta das demandas, e construção do plano de cuidado em ambiente tranquilo e acolhedor, estimulando pontos de acordo com aspectos individuais, físicos, sintomáticos, mentais e dimensionais. Para isso, seguimos os protocolos de 12 sessões incluindo avaliação inicial e reavaliação para conduta de continuidade ou alta, utilizando sementes, materiais de higienização, instrumentos de aplicação e mapa auricular para consulta dos pontos estratégicos.
Observamos que muitos atendidos desconheciam a prática de auriculoterapia, e após as primeiras aplicações já notaram redução nas queixas, principalmente nos sintomas: insônia, ansiedade, irritabilidade e dores, assim como, maior disposição nas atividades diárias. Apresentando motivação para agendamento de retornos ao atendimento para continuar o processo de cuidado, potencializando vinculação e bem estar. Nos últimos atendimentos, houveram situações em que possibilitou a redução medicamentosa e melhorias no manejo sintomático, além de alguns casos em que não se fez necessário uso de fármacos para o tratamento já em andamento.
Ao se ofertar novas possibilidades de cuidado, se amplia as formas de inclusão social, garantia de direitos a saúde (universal, integral e com equidade) e pertencimento a um público já tão estigmatizado pela doença mental que muitas vezes são reduzidos a um rótulo psiquiátrico, tendo desconsiderada sua totalidade subjetiva. As questões e desequilíbrios orgânicos podem gerar relevantes alterações psíquicas, sendo que o funcionamento de um corpo saudável é determinante para estabelecer aspectos de melhora.
PICS, Integralidade, Auriculoterapia, Saúde Mental
Ednar Francisco Ferreira, Tatiane Silva Paulino, Izailda Vieira Ramos de Siqueira