Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O Centro de Saúde Funcional (CSF) é um equipamento da Prefeitura Municipal de Barueri que é responsável por ações de reabilitação funcional para os munícipes. Este equipamento de saúde conta com os atendimentos nas áreas de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisiatria, psicologia e acupuntura. A terapia ocupacional (TO) atua na reabilitação de usuários acometidos por alterações ortopédicas e reumatológicas diversas em membros superiores. Este profissional atua na reabilitação do indivíduo, utilizando recursos terapêuticos com o propósito de melhorar ou possibilitar a participação em papéis, hábitos e rotinas em diversos ambientes de convívio. Promove a reorganização de rotinas e o gerenciamento do cotidiano, necessários para a independência, autonomia, ressignificação de sentidos e qualidade de vida do indivíduo. Dentre as patologias mais atendidas, atualmente, encontra-se a Síndrome do Túnel do Carpo (STC). A STC é uma síndrome compressiva que gera alterações funcionais, sensitivas e motoras no território de distribuição do nervo mediano ocasionando dor, parestesia e diminuição de força muscular. A sintomatologia interfere na qualidade de vida dos seus portadores, podendo impactar na funcionalidade, rotina e desempenho ocupacional. O TO com especialização em acupuntura pode utilizar a auriculoterapia para otimizar o cuidado oferecido aos pacientes, auxiliando no tratamento de alterações biológicas, psíquicas e sócio ocupacionais advindas da STC.
Este trabalho visa relatar a experiência exitosa do uso da auriculoterapia como recurso terapêutico no cuidado a pacientes acometidos pela Síndrome do Túnel do Carpo, atendidos no setor de Terapia Ocupacional do Centro de Saúde Funcional.
A auriculoterapia é uma técnica da medicina tradicional chinesa (MTC) que utiliza pontos localizados no pavilhão auricular para o tratamento de sintomatologias. No microssistema auricular cada ponto corresponde a uma parte do corpo. A estimulação desses pontos é realizada com a colocação de sementes de colza fixadas por fita microporosa. Semanalmente, durante a sessão de TO, é realizada a colocação de sementes em uma das orelhas (sendo esta alternada nas sessões) e o paciente é orientado a retirá-las em casa após 5 dias e a não recolocá-las caso saiam antes do solicitado. A partir das características da patologia, pelo olhar da MTC, os pontos puncturados, segundo o mapa de Souza, para tratamento da STC foram: -Shen men: Tranquiliza a mente, ajuda no tratamento das dores em geral. -Dedos da mão: Trata disfunções nos dedos das mão -Punho: Trata disfunções no punho -Rim: Armazena a essência, age nos ossos e atua nas enfermidades do sistema nervoso, com ação analgésica e tonificante -Simpático: Suas funções terapêuticas envolvem regulação das atividades do sistema neurovegetativo, efeitos antiinflamatórios, analgésico, relaxante, e de tonificação do sistema musculotendíneo -Fígado: Age diretamente no controle de músculos e tendões, aliviando tensões -Baço: Auxilia nos edemas e mucosidades -Relaxamento muscular: Atua no calmante nas dores, relaxando a musculatura -Diafragma: Auxilia em dores de ordem psicossomática -Vesícula biliar: Auxilia no controle dos tendões e na parestesia.
Com a avaliação de TO notou-se que a maioria dos usuários tinham queixas álgicas e paréticas incapacitantes advindas da STC. Nos atendimentos foram trabalhadas questões relacionadas à diminuição da amplitude de movimento, alterações da força, da coordenação motora e da sensibilidade, além da prescrição de órteses e orientações com relação a rotina e desempenho nas atividades de vida diária. A maioria dos atendidos foram mulheres com idade de 40 a 60 anos. Associada às dores físicas, essas mulheres traziam sofrimentos psíquicos como sintomas ansiosos e depressivos relacionados à sensação de incapacidade e improdutividade. As queixas emocionais causavam prejuízos no padrão de sono e na execução de seus papéis ocupacionais. A auriculoterapia apresentou-se como um recurso terapêutico potente no tratamento, visto que, desde a primeira aplicação trouxe melhora da dor, do padrão de sono e da parestesia, agindo na capacidade funcional e otimizando o tempo e qualidade do tratamento proposto. Com a melhora da sintomatologia, os atendidos conseguiram realizar as atividades propostas, melhorando a força e o desempenho na execução das ocupações. O tratamento durou em média 10 sessões e ao fim os usuários puderam identificar melhora dos aspectos físicos, emocionais e sociais. Os atendidos traziam como recortes desta melhora o retorno às atividades laborais, a participação de atividades de lazer com a família e a realização de atividades significativas como cozinhar e fazer artesanatos.
No CSF, a atuação da TO possibilita uma gama de ações não focadas nas patologias e disfunções, mas na identificação de necessidades reais do sujeito, compreendendo o impacto do adoecimento na sua autonomia, independência e rotina, envolvendo também alterações nos aspectos emocionais e no convívio social. A utilização da auriculoterapia como recurso terapêutico favorece o cuidado integral capacitando o indivíduo a realizar suas atividades em diferentes áreas da vida, favorecendo seu protagonismo e participação social. Dentro do contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a auriculoterapia apresenta-se como um recurso de baixo custo, porém com grande implicação no cuidado oferecido aos munícipes, por impactar além da sintomatologia, trazendo qualidade de vida, “vivacidade” e ressignificando a vida cotidiana dos sujeitos.
auriculoterapia, terapia ocupacional
Natália de Cássia Alves