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O presente projeto é resultado do Curso Básico de Geriatria e Gerontologia do IPGG (Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia José Ermírio de Moraes), em parceria com a Prefeitura Municipal de Guarulhos/SP, e nasceu da intenção em promover maior qualidade de vida para as pessoas idosas que frequentam os serviços de saúde, bem como daquelas que se encontram em contexto de institucionalização. Mudar a forma como pensamos, sentimos e agimos com relação à idade e ao envelhecimento é uma das áreas de atuação que faz parte da estratégia global que envolve governos, sociedade civil, profissionais, universidades, mídias, etc., uma iniciativa da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) juntamente com a OMS (Organização Mundial de Saúde). Munidas dessa informação e, com base em nossa realidade social, nos deparamos com um questionamento necessário: como as pessoas idosas se enxergam e como são tratadas em suas relações sociais, no âmbito da família, nos serviços? Chegamos a um fenômeno social muito importante que afeta a vida de grande parte das pessoas idosas no Brasil: o “idadismo”. Como garantir um envelhecimento saudável sem a autonomia dos sujeitos protagonistas desse processo? Para nós, esta foi uma questão central para o projeto gerontológico em questão.
Exercer uma prática de prevenção e promoção da saúde que identifique e intervenha sobre as condições sociais de idosos/as, suas famílias e cuidadores/as, de maneira a impactar sobre a qualidade de vida dessas pessoas no processo de envelhecimento, focando no enfrentamento do “idadismo” e no respeito à autonomia dessas pessoas. Entre os objetivos específicos, podemos citar: 1. Promover o envelhecimento ativo e saudável; 2. Estimular a constituição de redes de apoio a pessoas idosas; 3. Problematizar e enfrentar o fenômeno do “idadismo”, discriminação contra pessoas idosas.
O projeto está dividido em três eixos, sendo eles: 1. Pessoas idosas; 2. Ações de prevenção e promoção da saúde para o envelhecimento saudável; 3. Apoio para cuidadores (as) e familiares de pessoas idosas. As atividades planejadas foram: rodas de conversa, bate-papos, salas de espera, campanhas, oficinas temáticas, ações comunitárias que priorizam a promoção do envelhecimento saudável com autonomia, voz, diálogo e práticas antidiscriminatórias contra pessoas idosas. Para isso, foram realizados a divulgação do Projeto, levantamento de pessoas com perfil e interessadas, cadastro e contato, além da inclusão nos grupos da unidade de saúde.
O projeto esteve em andamento de março a outubro de 2023. Dentre os encontros realizados, podemos citar: – 21/03/23: 8 participantes. Abertura do projeto e orientações sobre envelhecimento saudável, cuidados com a própria saúde e oferta de políticas públicas, com Assistente Social. Reflexão em forma de roda sobre como os participantes se sentem sobre a própria idade e como as outras pessoas lidam com os idosos. – 19/04/23: 12 participantes. Educação sobre diabetes e hipertensão, com Enfermeira. Informações sobre situações que fazem a pressão arterial subir. – 10/05/23: 9 participantes. Educação sobre AVC, com Médica. Roda de conversa para que os participantes pudessem expor suas dúvidas e relatos pessoais. Foi entregue informativo sobre o que fazer em casos de AVC para socorro imediato. – 06/06/23: 6 participantes. Educação sobre os tipos de violência contra a pessoa idosa, com Assistente Social. Os participantes puderam se informar e conversar sobre o tema. – 22/06/23: 4 participantes. Educação sobre memória, síndromes demenciais e Alzheimer, com Médica. Orientações sobre o tema, diferenciando as síndromes demenciais e educando sobre os estímulos para prevenir os quadros, assim como as possibilidades de tratamento.
O Projeto COMviver parte da necessidade e importância da convivência social entre as pessoas e, no caso de pessoas idosas, dos benefícios de uma vida ativa e com o máximo de autonomia possível para a promoção da saúde e da qualidade de vida. Daí, o nome do Projeto COMviver, além de fazer referência ao direito social da CONVIVÊNCIA, estar relacionado também COM VIDA! Ou seja, as pessoas idosas, em condições mais ou menos frágeis, vivem e existem e, nesse sentido, têm voz e capacidades, não podemos anular ou depreciar sua existência por causa da idade avançada. Compreendemos que a educação em saúde é um eixo fundamental do trabalho nessa área e na atuação com idosos. Para além de pautarem-se no controle e subordinação dos usuários/as às rotinas de trabalho e orientações/prescrições de profissionais dos serviços de saúde e instituições, as ações socioeducativas e/ou de educação em saúde podem possibilitar a construção e/ou fortalecimento de um senso crítico sobre o próprio processo saúde/envelhecimento. De modo que os próprios sujeitos e demais envolvidos participem mais ativamente desse processo, tanto a nível individual quanto coletivo.
envelhecimento, preconceito, idosos, etarismo
Amanda Eufrasio