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A Dor Lombar Crônica (DLC) está entre as condições de saúde que mais geram custos para sociedade e para o sistema de saúde, exercendo impacto negativo nas funções físicas, emocionais e cognitivas do indivíduo. No Brasil, ela representa uma das principais queixas que leva a população a procurar a Atenção Primária à Saúde (APS). Abordar a DLC de forma interdisciplinar é recomendado, considerando o complexo contexto biopsicossocial envolvido. Este enfoque integral busca não apenas tratar a dor, mas compreender e abordar suas diversas facetas, promovendo uma abordagem mais eficaz e abrangente para a gestão da condição. Ao relatar essa experiência, busca-se oferecer insights práticos, estratégias inovadoras e lições aprendidas que possam ser úteis para profissionais de saúde, gestores e pesquisadores interessados em aprimorar a resposta da APS frente a esse desafio de saúde pública.
Descrever a experiência de um grupo de Práticas Corporais com objetivo de ofertar as melhores práticas em manejo de dor crônica.
O grupo foi reestruturado a partir de uma análise realizada pelos profissionais, que identificaram uma notável heterogeneidade em termos de faixa etária e etiologia das doenças. As atividades do grupo são realizadas semanalmente em um território próximo às duas unidades. Realizamos exercício que trabalham força muscular, condicionamento físico, flexibilidade, consciência corporal e coordenação motora, esses são os aspectos físicos. Além disso, incorporamos propostas interdisciplinares, cada um contribuindo com sua especificidade, e com objetivo de trabalhar o manejo bio-psico-social da dor. São realizadas diversas abordagens com objetivo de proporcionar conhecimento adequado do processo da dor, diminuir crenças, medos, mitos sobre dor/movimento e diminuir as limitações funcionais. Isso de uma maneira lúdica, usando dinâmicas, reflexões, técnicas de “mindfulness”, além de práticas de Yoga. Para cada dia do grupo é abordado um tema, que o profissional faz de maneira expositiva, além dos exercícios físicos. Dessa forma, o processo de educação em dor, leva uns 15/20 minutos, e os outros 40/45 minutos são de exercícios. Outro aspecto evidenciado na literatura e que foi incorporado pelos profissionais foi sobre a aliança terapêutica. Desenvolvendo autocuidados dos pacientes, pois os exercícios realizados conosco precisam ser repetidos em casa, com frequência de 30 minutos por dia. A eficiência da atividade é comprovada por estudos, garantindo assim a eficácia do trabalho.
Percebemos que tais abordagens geram benefícios para as pessoas, que referem melhora em sua condição física que também é frequentemente observada pelos profissionais fisioterapeutas e nutricionista que acompanham o grupo. Identificamos que os usuários melhoram a qualidade do movimento, a velocidade dos exercícios e percepção corporal e consequentemente aumentam sua performance física. Sobretudo, o melhor entendimento de sua condição, por vezes, leva mudança de postura frente as mesmas. Além disso, é observado um alto potencial da equipe da atenção primária á Saúde (APS) em acompanhar esses casos e auxiliar de forma ativa em seus desfechos satisfatórios.
Identificamos esse espaço como oportunidade potente no territorio, com possibilidade de ampliação para permitir promoção e prevenção de agravos cronicos. Além de permitir qualificação e continuidade do cuidado ao usuário, desenvolvemos engajamento social.. Reforçamos nosso compromisso com o propósito de mitigar a dor musculoesqueletica, desenvolvendo ações de educação permanente aos profissionais e propondo uma nova estrategia de intervenção interprofissional para o manejo da dor cronica na APS. Dessa forma, desenvolvemos ao longo do trabalho um ELO entre o MOVIMENTO e a VIDA.
Dor crônica, APS, Práticas Corporais.
Marília Navarro, Matheus Rangel