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A Organização Mundial da Saúde, propõe que todas as pessoas tenham acesso à atenção integral à saúde com serviços de qualidade baseados nas necessidades individuais e coletivas, sem barreiras que dificultem a acessibilidade (WHO,1978). A pesar de todo esforço, há de se admitir que o acesso às unidades de APS no Brasil ainda não ocorre da forma facilitada; atualmente, ainda se observa barreiras relacionados a distâncias geográficas, restrição de horários e embargos burocráticos que fazem com que as demandas dos usuários nem sempre sejam atendidas de forma rápida e resolutiva; propiciando a busca por outros serviços, o que onera os custos, desorganiza o sistema e aumenta a insatisfação dos usuários e profissionais (MENDES, 2016). No Brasil, as diversas experiências de organização e oferta da APS no SUS convergiram para o modelo de Saúde da Família, adotado progressivamente a partir dos anos 1990; desde então, o país vem implantando um conjunto de medidas de políticas de saúde includentes com o objetivo de fortalecer o SUS, entre essas medidas podemos destacar o pronto acolhimento à Demanda Espontânea (DA) (BRASIL, 2011). O modelo de Acesso Avançado (AA) foi uma estratégia criada por médicos americanos no final da década de 90 e consiste em oferecer o atendimento às pessoas no momento em que elas procuram o serviço permitindo que os pacientes consultem seu médico pessoal no dia em que desejarem, seja por motivo urgente ou rotineiro (MURRAY E TANTAU, 2000).
Compartilhar a experiência de implantação do Acesso Avançado na UBS Jd Mitsutani
Estudo descritivo retrospectivo, tipo relato de experiência.
A implantação do acesso avançado na região sul do município de São Paulo ocorreu paulatinamente, com avanços e desafios, inerentes a todo processo de adesão a uma nova tecnologia. A apropriação do atendimento à demanda espontânea na UBS, ainda é um ponto contraditório na percepção de alguns profissionais, que temem que essa prática transforme a APS em um “pronto atendimento”. Cabe ressaltar, porém, que o atendimento a queixas agudas está no escopo de atendimento da APS (BRASIL, 2011). Para garantir o sucesso do modelo de AA, é necessário capacitação profissional e educação permanente, que discuta o modelo com a equipe, contribuindo para a troca de experiências e o diálogo de saberes com outras profissões. (MURRAY E TANTAU, 2000). A “Equipe Irmã” é mais uma estratégia dentro do AA para ampliar o acesso. Nessa estratégia, sempre haverá profissional da equipe da área do usuário para atendê-lo, com médicos e enfermeiros alternando os horários de atendimento entre as equipes irmãs (SECRETARIA DA SAÚDE DE CURITIBA, 2014). A consulta compartilhada é outra ferramenta necessária do AA. Nessa ferramenta há uma união e compartilhamento dos saberes entre os profissionais da Atenção Básica e Equipe Multiprofissional. Outro aspecto importante é que os profissionais reconheçam a necessidade do atendimento da população considerando as características demográficas, socioeconômicas, sanitárias e epidemiológicas do território (MENDES, 2016).
Os resultados obtidos na implantação do AA na região sul do município de São Paulo, confirmam os relatos trazidos pela literatura quanto aos benefícios do modelo AA: reduz o tempo de espera por uma consulta, promove a continuidade do cuidado, diminui as taxas de absenteísmo, altera positivamente o estado de saúde das pessoas, aumenta a satisfação de profissionais e usuários, sem aumentar os custos. No processo de Implantação do AA, a preparação prévia dos profissionais, as adequações na estrutura física e organizacional da unidade foram fatores essenciais.
UBS, SUS, Continuidade do cuidado, Acesso Avançado
JERUSA COSTA DOS SANTOS, DANIELA CRISTINA GERALDO, JULIANA KAORI IKEDA LOUREIRO, DENISE MARIA CAMPOS DE LIMA CASTRO