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O presente trabalho relata a experiência de um idoso de 77 anos, solteiro; admitido para acompanhamento pela equipe do Programa Acompanhante de Idosos – PAI Nitro Operária, em junho de 2022, com AMPI- AB pontuação 09, resultado pré-frágil. Idoso restrito ao lar, apresentando dificuldade de acesso aos serviços de saúde, decorrente de lesão em membros inferiores que ocasionam mobilidade reduzida. Também possui diagnóstico de Diabetes e Hipertensão. Apresenta suporte familiar parcial (insuficiente), possui filho único que reside em outro bairro e trabalha em período integral, não conta com suporte comunitário. Desta forma, apresenta vulnerabilidade social.
Proporcionar acesso aos serviços de saúde; contribuir para recuperação e cicatrização da lesão em membros inferiores; sensibilizar a importância da adesão medicamentosa; recuperar autonomia e independência; mediar aproximação familiar para maior suporte; diminuir o isolamento e exclusão social.
A equipe do PAI realizou a visita domiciliar e elaborou de Plano de Cuidados intermediário, com programação de visita médica trimestral, enfermagem semanal, assistente social conforme demanda e Acompanhante de idosos – ACI, semanal para ações em domicílio e externas. Durante o período de acompanhamento foi identificada a necessidade de articulação em rede e acionamento de familiar. Inicialmente a equipe de enfermagem realizou curativo domiciliar semanal, porém, houve a necessidade de avaliação no Polo de Curativo do Hospital Dia, quando foi verificada a necessidade de realização de curativo duas vezes por semana com materiais adequados; então, foi pactuado junto a UBS a ida do idoso, junto a ACI, em veículo do Programa, para realização do procedimento. O serviço social acionou o filho para reunião, com objetivo de compreensão da dinâmica e sensibilização quanto importância dos cuidados com o idoso, da ambiência e higiene da casa visando o risco de infecção. Na Revisão do Plano de Cuidados a equipe manteve grau intermediário, com visitas de ACI semanal, para escuta, manutenção da higiene do domicílio, entrega e monitoramento das medicações e atendimentos externos, como idas a consultas e exames, com a contribuição do filho que se prontificou a acompanhar o pai em algumas demandas. O planejamento da equipe técnica permaneceu, exceto pela enfermagem que passou de semanal, para mensal, devido suporte da UBS.
Diante da execução do Plano de Cuidados, encaminhamentos de saúde com parcerias da rede e abordagem familiar a equipe evidencia processo de recuperação do idoso com cicatrização da lesão satisfatório, diminuição das queixas de dor com consequente melhoria da qualidade de vida, recuperação parcial da independência inclusive uso de transporte público pelo idoso e retomada da religiosidade por ele. Em relação ao suporte familiar a equipe nota aproximação do filho, contribuição nas necessidades do idoso com maior número de visitas e apoio também nas demandas externas, quando acionado pela equipe do Programa.
Observamos que o trabalho pautado em critérios de elegibilidade, elaboração de Plano de Cuidados com foco na particularidade de cada caso e sua execução contribuem para gerar bons resultados. Concluímos que o trabalho em rede favorece no desfecho positivo contribuindo para a recuperação clínica e física; também para o resgate de vínculo familiar, recuperação e manutenção da autonomia e independência do cidadão atendido. A equipe tem como proposta futura a alta segura, referenciada, com transição do atendimento pela UBS, conforme critérios de alta do Documento Norteador do PAI.
Idoso, Plano de Cuidados.
Elisabete Pereira Silva França