Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
As mudanças sociais, econômicas e tecnológicas das últimas décadas refletem no aumento da expectativa de vida e na queda das taxas de natalidade, que resulta no envelhecimento da população. Essa transição demográfica e epidemiológica repercute na condição de saúde das pessoas, com aumento a prevalência de doenças crônico-degenerativas, demanda crescente de pessoas com necessidade de cuidados paliativos e também pelo aumento de pessoas com incapacidades funcionais temporárias ou permanentes. Paraguaçu Paulista é um município do Estado de São Paulo, no oeste do Estado, com uma população estimada em 2022 de 41.120 pessoas, com expectativa de vida 75,2 anos e 7658 pessoas acima de 60 anos. Em junho de 2023, uma equipe de saúde do município participou da oficina de Gestores da Atenção Primária de Saúde e Saúde da Pessoa Idosa, um projeto de parceria da Universidade Federal de São Carlos com o Ministério da Saúde que tem por objetivo qualificar a atenção ofertada às pessoas idosas na Atenção Primária no Brasil. Durante a oficina, foi preciso realizar um planejamento de ações necessárias para o reconhecimento da população idosa do município através de um mapeamento inicial, avaliar os idosos e identificar aqueles que têm alguma fragilidade ou vulnerabilidade como, por exemplo, os acamados ou idosos mais longevos (75 anos ou mais). Neste sentido, a caderneta de saúde da pessoa idosa é um dos principais instrumentos de monitoramento e planejamento das ações de cuidados.
– Identificar os idosos frágeis e vulneráveis nos territórios. – Identificar a capacidade funcional e vulnerabilidade a partir do VES-13 (Protocolo de Identificação do Idoso Vulnerável). – Reconhecer a situação de saúde e riscos a que a pessoa idosa está exposta a partir da Ficha Espelho da Caderneta da Pessoa Idosa. – Buscar qualificar o cuidado à saúde ofertada às pessoas idosas.
Levantamento de dados através da utilização da Ficha Espelho da Caderneta da Pessoa Idosa, que trata-se de um questionário que pode ser aplicado por qualquer membro da equipe, inclusive e, especialmente, por Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e deve ser respondido pelos idosos ou pelos seus familiares e cuidadores. Os questionários foram preenchidos em domicílio e também nas unidades durante consultas e ida dos idosos, lançados no sistema informatizado, através da Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa.
Foram realizados 1148 questionários e levantado os seguintes dados: Sexo: Feminino: 60,8 e Masculino: 39,2; Principais doenças prévias ou já diagnosticadas: HA: 69,5%; DM: 30,4%; Ansiedade: 22,5%; Depressão: 15,8%; Insuficiência Cardíaca: 10,7%; Incontinência Urinária: 9,4%; Anemia: 7,3%; Declínio Cognitivo: 5,8%; Doença Arterial Coronariana: 5,2%; AVC: 5,1%; Úlcera Gastrointestinal: 4,4%; Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica: 3,9%; Asma: 2,5%; Epilepsia: 1,3%; entre outras; Mais de 2 internações no último ano: 7,4% com diversos motivos como: pneumonia, DPOC, doenças cardíacas, câncer, cirurgias…; Cirurgia(s) prévia(s): 14,4%, com diversos tipos: catarata, hérnia, vesícula, fêmur…; Polifarmácia: 34%; Presença de dor igual ou superior à 3 meses: 29,7% com diversas localizações: coluna, pernas, joelho, ombro, dor no corpo todo…; Avaliação odontológica: 6,4%; Fumante: 13,2%; Uso de Álcool: 8,4%; Pratica de atividades físicas: 27,1%; Possui deficiência: auditiva: 4,1%; visual: 4,5%; intelectual/cognitiva: 4%; física: 6,1%; Teve alguma queda nos últimos anos: 23,1%; A queda causou alguma fratura: 20,4%; Local da queda: dentro de casa: 72%; fora de casa: 28%; Sabe ler e escrever: 83,6%; Aposentado: 75,8%; Suporte Familiar: ILPI: 4,7%; mora só: 20,4%; O esquecimento está impedindo a realização de alguma atividade do cotidiano: 7,6%; Idade: 60 a 74: 69,7%; 75 a 84: 23,9%; ≥85: 6,4%; Classificação segundo Funcionalidade: Perfil 1: 69,6%; Perfil 2: 22,7%; Perfil 3: 7,7%.
Na Atenção Primária à Saúde, o trabalho em equipe é essencial tanto para o planejamento, quanto para a implementação de ações voltadas à comunidade. Todos os membros da equipe devem trabalhar conjuntamente, abordando o paciente de forma integral. O projeto terapêutico deve ser uma ferramenta orientadora e considerar todos os pontos e serviços da rede de saúde e de outras redes setoriais, como por exemplo da Assistência Social e iniciativas das comunidades. Para elaborar um projeto terapêutico singular, primeiramente, deve-se levantar as necessidades em saúde. Depois, pactuar metas e dividir as responsabilidades entre os membros da equipe, o usuário, familiares e cuidadores. De tempos em tempos, esses projetos precisam ser reavaliados e modificados, quando necessário, pois a situação de saúde das pessoas idosas muda ao longo do tempo. A partir do cadastramento, os idosos frágeis e vulneráveis devem ser priorizados para atendimento e visitas domiciliares. Há aspectos da saúde deste grupo que só podem ser bem avaliadas em domicílio, como risco de quedas, de violências e capacidade de autocuidado.
Avaliação Multidimensional do Idoso, ficha espelho
Deise Pereira Ramalho da Silva