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Entre abril e julho de 2023, a equipe Nasf (UBS Parque Hipólito) começou a receber encaminhamentos de médicos pediatras para avaliação de bebês com Torcicolo Congênito. As avaliações nos permitiram identificar que esses bebês além do torcicolo também apresentavam assimetrias cranianas. A grande preocupação foi que, a maioria dos bebês encaminhados apresentavam idade entre 5-6 meses. Como a literatura retrata, as assimetrias cranianas são conhecidas como crânio de formato assimétrico ou deformado e são classificadas em plagiocefalia, braquicefalia e escafocefalia Na maioria dos casos manifesta-se nos primeiros meses de vida, isto porque é nessa etapa que o bebê se movimenta muito pouco e prefere ficar sempre numa mesma posição. Podem também vir associadas ou não ao torcicolo congênito ou postural. Vale ressaltar que, quanto mais precoce essas alterações forem identificadas e tratadas, menor as chances de o bebê necessitar de tratamentos menos conservadores. O tratamento para as alterações cranianas bem como para o torcicolo basicamente consiste em reposicionamento da cabeça do bebê por meio da troca de decúbito postural ou almofadas apropriadas e estimulações terapêuticas.
Objetivo Geral: Capacitar e qualificar profissionais pertencentes as unidades básicas assistidas pela equipe NASF-Hipólito sobre assimetrias cranianas e os tipos de torcicolo bem como saber identificá-los e encaminhá-los durante as consultas de rotina. Objetivo Específico: Elaborar um protocolo de avaliação com ferramentas apropriadas para detecção precoce das assimetrias e torcicolo congênito afim de encaminhar o bebê e orientar a família quanto ao tratamento adequado.
Participaram do projeto de capacitação e qualificação cinco UBS pertencente ao território assistido pela Equipe Nasf-Hipólito. A capacitação foi realizada dentro de cada UBS com dias marcados e revezamento entre os funcionários. Todas as equipes participaram de uma aula expositiva e presencial de 2h e 30 min ministrada por uma fisioterapeuta da equipe especializada na área pediátrica. A equipe NASF também conversou com os pediatras atuantes em cada unidade e foi então explicado e detalhado o projeto para futuros encaminhamentos. Após o término da capacitação, os bebês com diagnóstico sugestivo de torcicolo e assimetria foram encaminhados pelos profissionais e avaliados pela equipe. Para avaliação das assimetrias foi utilizado o craniômetro de medição da Mimos Pilow que gradua as assimetrias em Leve (L), Moderada (M), Grave (G) e Severa (S). Os bebês foram posicionados em uma cadeirinha para bebês e feita a medição. Duas medidas foram realizadas: uma para plagiocefalia e outra para braquicefalia seguindo os critérios estabelecidos pelo craniômetro. A avaliação do desenvolvimento motor também foi realizada seguindo a escala de desenvolvimento neuromotor e comportamental para lactentes da autora Amiel Tyson que gradua o desenvolvimento em atraso leve, moderado e severo para idade cronológica. Após as avaliações, o grau de assimetria era calculado e na mesma sessão passada aos pais. A família era direcionada quanto ao tratamento podendo ser somente reposicionamento e estimulações
Com relação a capacitação, 38 profissionais de saúde (cinco enfermeiros/coordenadores, dois farmacêuticos, dez técnicos de enfermagem, oito administrativos e treze agentes de saúde) foram capacitados. Com relação aos bebês encaminhados com diagnostico sugestivo de torcicolo e assimetria craniana, no total foram nove bebês até o momento na faixa etária entre 3 e 8 meses de idade, sendo dois bebês com 3 meses, dois bebês com 4 meses, um bebê com 5 meses, dois bebês com 6 meses, um bebê com 7 meses e um bebê com 8 meses. Quanto ao sexo três eram meninos e seis meninas. Com relação ao torcicolo congênito, 88% dos bebês apresentavam limitações de cabeça e pescoço, mas sem comprometimento da movimentação passiva, somente da ativa para rotação e inclinação de cabeça e pescoço. Quanto as assimetrias foram encontradas cinco bebês com palgiocefalia, dois com braquicefalia e um sem assimetria. Quanto ao grau de assimetria, 12,5% dos bebês apresentaram grau leve, 37,5% evoluindo do grau leve para moderado, 37,5% com grau moderado, 12,5% grau grave. Quanto ao desenvolvimento motor somente 55,55% dos bebês apresentaram atraso leve do desenvolvimento motor. Todas as famílias foram orientadas e/ou encaminhadas segundo o resultado das avaliações. Os bebês com deformidade leve e inicialmente moderada foram encaminhados para centros de reabilitação da rede e parceiros especiais
A capacitação dos profissionais na atenção básica se faz necessária cada vez mais com intuito de construir equipes mais sólidas e qualificadas para atender as demandas dos usuários nas redes básicas. Um profissional de saúde mais qualificado e capacitado é fundamental para nortear, tranquilizar e auxiliar as famílias que recebem o diagnóstico. Por outro lado, observou-se9 que a implementação de ferramentas de avaliações padronizadas como craniômetro devem ser inseridas como forma de triagem na rede básica para que todo profissional seja capaz de detectar as assimetrias e nortear de forma adequada o tratamento. Com relação aos resultados encontrados nota-se um aumento na incidência do torcicolo postural bem como das assimetrias secundárias a ele em bebês de 0 e 6 meses. Ficou evidente que a maioria das famílias não são orientadas corretamente e que muitos bebês são mantidos em uma mesma posição por muito tempo, não são estimulados, e que passam muito tempo em carrinho ou bebê conforto, influenciando diretamente no desenvolvimento motor. Por fim, a detecção e intervenção precoce determinam a melhora do quadro clínico desses bebês e os afastam de tratamentos de alto custo como as órteses que não são ofertadas pelo SUS
assimetria craniana, torcicolo
Vitor Sergio Couto dos Santos, Faedra Rosada, Denise Ferro, Josiane Miranda, Maria Angélica da Rocha Diz Israel, Patrícia Greve Fernandes, Ana Shirley Elena Barradas, Carlos Jacintho