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O grupo de tabagismo (Tabaco Zero), da UBS Vila Conceição sempre foi constituído por um profissional médico, um dentista, uma enfermeira e uma psicóloga. Após o início das atividades em grupo, o médico que realizava acompanhamento com os pacientes durante o andamento do grupo para prescrição de medicamentos, solicitou desligamento. Com a ausência de médicos na unidade, a presença do profissional de farmácia somente uma vez por semana, nos deparamos com a dificuldade de continuar, pois os pacientes estavam condicionados à necessidade dos medicamentos para cessar o hábito de fumar e demonstraram muita insegurança. Decidimos então manter o grupo a partir de uma reformulação nos métodos utilizados, incluindo o cirurgião dentista como prescritor da medicação e inserção do farmacêutico todos os dias na unidades e parte integrante da equipe de controle de tabagismo.
Relatar a experiência de reorganização metodológica do grupo de tabagismo, enfatizando a conscientização dos pacientes quanto à importância da participação nos encontros para a construção do autocontrole e mudança comportamental, não somente o uso de medicamentos. Introduzir o cirurgião dentista nas consultas e prescrições do grupo e maior participação da e-Multi e farmacêutico.
Com base na Lei 5.081/66, que regulamenta o exercício da Odontologia e estabelece que compete ao cirurgião-dentista prescrever e aplicar especialidades farmacêuticas de uso interno e externo, indicadas em Odontologia, foi proposto que o cirurgião dentista capacitado fizesse a prescrição dos medicamentos indicados na cessação do tabagismo, com apoio matricial do médico e a conscientização dos pacientes sobre a capacidade dos outros profissionais pertencentes ao grupo. Além disso, houve a inclusão da equipe e-multi, em atividades de caminhada e orientação alimentar, além de abordagens de assuntos específicos, proporcionando ao paciente um tema diferente a cada encontro. Observamos também a baixa adesão ao longo dos encontros e alto índice de abandono após entrega dos medicamentos aos pacientes. Com a chegada do profissional farmacêutico fixo na unidade optamos por alterar a dispensação dos medicamentos para a data dos encontros, onde o paciente participa da atividade e recebe seu medicamento na quantidade somente até o próximo encontro, devendo, portanto, comparecer à próxima sessão para continuar o tratamento.
A reorganização das atividades e metodologia do grupo, foi uma alternativa para que não houvesse interrupção, fortalecendo e enfatizando a importância de todas as categorias profissionais. Ao longo dos encontros, houve alto índice de aceitação do novo modelo, sem a presença do profissional médico, além da conscientização de que o uso de medicamentos é uma terapia complementar, mas não imprescindível para cessar o uso do tabaco e que o autocontrole e a mudança comportamental são essenciais.
Após a realização do projeto de mudança da configuração do grupo, pudemos observar uma taxa de 90% de sucesso, com 9 de 10 pacientes do grupo em andamento que conseguiram cessar o uso de tabagismo até o momento e seguem em acompanhamento, além de profissionais mais motivados, o que auxilia neste resultado. O projeto segue em andamento e com as melhorias propostas sendo implantadas para o inicio do próximo grupo, sem o profissional médico e com resultados muito satisfatórios.
Tabagismo, Atenção Primária à Saúde, Odontologia.
Maria Luísa Miotto Martins Gomes, Sandra Setsuko Egima Nakaoka, Régia da Silva Fernandes