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A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum. O contágio ocorre por meio de relação sexual desprotegida e as manifestações clínicas estão associadas às 4 fases da doença. A sífilis no Brasil, é um problema frequente, em 2018, somaram 158.051 casos novos de sífilis e em 2021, foram 241 mil casos novos da doença com o aumento em 23% da prevalência entre 2018 e 20211-3. O aumento da prevalência é alarmante, pois ações governamentais no âmbito da saúde de erradicação ou estabilização desses números mostraram-se ineficazes, tornando-o um problema de saúde pública persistente4. Corroborando com os dados nacionais, observou-se na USF Vila Luzita, localizada no município de Santo André, o aumento do número de casos, onde entre março de 2022 e maio de 2023, 6,77% dos testes de sífilis foram positivos. O número crescente de pessoas infectadas pelo Treponema pallidum, resulta do desconhecimento sobre a infecção, o diagnóstico tardio e a dificuldade em realizar o tratamento. Dado o contexto, observou-se a importância da conscientização dos profissionais da saúde na Atenção Básica para serem multiplicadores e ampliarem o acesso ao teste, por meio da educação continuada, acerca dos sintomas, prevenção e cuidados com essa IST.
O projeto teve por objetivo a capacitação da equipe multiprofissional da UBS Vila Luzita em relação à sífilis com vistas á uniformização da abordagem sobre o tema, em especial nas ações preventivas realizadas pelos agentes comunitários de saúde.
O projeto foi dividido em três etapas. No primeiro momento foi elaborado e aplicado um questionário com as variáveis: profissão, gênero, e perguntas fechadas sobre a sífilis: causas, modos de transmissão, principais sintomas, transmissão de mãe para filho, controle da infecção, medicamentos usados para o tratamento, lesões, rastreio, cura, morte e existência de vacina para os funcionários da unidade, a fim de verificar o conhecimento prévio individual. Essa etapa durou cerca de 4 semanas pela necessidade de deixar os questionários em papel com os funcionários e depois recolhermos na semana seguinte, assim, houve tempo hábil para maior cobertura de profissionais. Já na segunda etapa, foram realizadas 4 palestras informativas, priorizando a apresentação para grupos, entretanto, pela carga horária de trabalho e disponibilidade, houve conversas individuais ou em duplas de acordo com o tempo disponível do profissional. Concomitantemente a elas foram entregues cartilhas sobre os aspectos mais importantes da Sífilis, como sinais e sintomas, diagnóstico, prevenção e tratamento. Após as apresentações, um segundo questionário foi aplicado para análise da compreensão da palestra, como foi priorizado a resposta do questionário imediatamente após a apresentação, em algumas perguntas houve pouca variação na porcentagem de acertos. A adesão dos funcionários foi menor no preenchimento do segundo questionário, isso se deve aos horários de aplicação dele.
O primeiro questionário sobre a avaliação do conhecimento sobre a sífilis dos profissionais da UBS resultou em 47 respostas. Quanto ao gênero e a categoria profissional, eram majoritariamente mulheres, técnicas de enfermagem, funcionários da recepção, enfermeiros, médicos e estudantes de medicina. O segundo questionário realizado após as atividades de educação continuada, pretendeu analisar a apreensão do conteúdo discutido, contou com 33 participantes com média de acertos de 87,86%. As perguntas menos acertadas foram sobre a possibilidade de sífilis na boca, com 78,7% de acertos. Houve divergência entre as respostas, sendo Sim, e pode ocorrer transmissão caso haja sexo oral a correta. Ao se comparar as respostas entre o primeiro e segundo questionário, a pergunta Posso ter sífilis e não transmitir? teve 85,1% de respostas corretas no primeiro questionário e 90,9% no segundo, com a resposta Não, não é possível reduzindo de 14,9% para 3%. Quanto à mortalidade da sífilis, houve consistência entre os questionários, com 93,6% e 93,9% de acertos respectivamente. Sobre a vacina, houve 93,6% de acertos no primeiro questionário e 93,9% no segundo, apesar de alguma confusão sobre sua disponibilidade na UBS. Embora o segundo questionário tenha tido menos respostas devido ao tempo, o interesse e curiosidade dos participantes foram evidentes.
O presente projeto demostrou um resultado positivo seguindo o objetivo primordial de qualificar e aprimorar o conhecimento dos funcionários de todas as áreas da UBS Vila Luzita, apesar das adversidades e contratempos no seguimento do cronograma, na parte da realização das apresentações, e na adesão dos funcionários no preenchimento os questionários, o resultado final foi animador, pois alguns destes funcionários, como os técnicos de enfermagem e Agentes comunitários de saúde, que por morarem no território de abrangência da unidade básica de saúde, construíram uma maior relação de proximidade e confiança com a população da área de abrangência, principalmente aqueles com condições crônicas, ampliando assim as possibilidade de ao identificar que alguns destes usuários apresentam lesões características da infecção por sífilis e passem a recomendar os testes rápidos auxiliando assim o diagnóstico, a adesão e o tratamento completo da doença.
Sífilis, Atenção Básica, Educação em Saúde, Ensino
Caio Silabi, Victória Abdel Malek Leitão, Júlia Gulinelli Dias, Marquesluis de Carvalho Lima, Nicole Nunes Araujo, Felipe Russo Nogueira, Andre Castagna Ribeiro, Marcia Regina Cunha