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O atendimento à pessoa em sofrimento psíquico é uma demanda presente na realidade diária das equipes de Estratégia Saúde de Família, o que muitas vezes, requer dessa equipe articulação e apoio de outros serviços da rede afim de proporcionar uma melhor abordagem de cuidado a esse usuário e família. Nessa perspectiva, a articulação e parceria entre os serviços da ESF e o CAPS representa algo a ser incorporada a rotina de planejamento e cuidado de qualquer usuário em sofrimento mental e, principalmente nos casos complexos, que exigem uma exaustiva discussão e planejamento das ações. Experiências dessa articulação dos serviços são vivenciadas e vale destacar que algumas dessas, se tornam marcantes na medida em que, essa parceria resulta em sucesso e aprendizado. Este relato de experiência trata do caso de jovem, aproximadamente 25 anos, sexo masculino, sem histórico de atendimento na unidade por motivos de saúde mental. A procura pelo serviço se deu através da mãe que buscou o acolhimento da unidade de saúde a fim de solicitar ajuda ao filho que, segundo ela, nos últimos seis meses apresentava comportamentos estranhos e preocupantes na sua rotina diária
O objetivo desse relato é descrever a experiência de cuidado articulado entre uma equipe de ESF do município de diadema e o serviço do CAPS no atendimento a um usuário em grande sofrimento psíquico e sua família.
Foi realizada escuta ativa em espaço de acolhimento na Unidade Básica de Saúde e articulação com o Centro de Atenção Psicossocial, seguido de uma visita domiciliar conjunta. Houve articulação com outros pontos da Rede de Atenção à Saúde como o SAMU e a Emergência Psiquiátrica para organizar os primeiros cuidados e internação, com acompanhamento das equipes de ESF e do CAPS durante todo o processo
Podemos destacar o acolhimento e escuta qualificados presentes na rotina da UBS como postura e ferramenta essenciais na medida em que, as necessidades são ouvidas, percebidas e que se construa a possibilidade de acesso à rede e ao cuidado. O relato da mãe era pautado na vivência atual com um filho que se recusava a sair de casa, havia deixado de falar com as pessoas, evitava comer o que lhe ofereciam, falava sozinho, relatava estar sendo perseguido e dormia com facas debaixo do travesseiro a fim de se proteger de algo que ela desconhecia. O sofrimento do familiar, que percebe esse adoecimento mental é evidente e foi identificado por falas cobertas de dúvidas, explicações, culpa, sensação de impotência e medo. Ao acolher a mãe e suas angústias, a enfermeira da equipe compreendeu que, pela gravidade do caso, necessitaria de apoio dos serviços especializados, visto que a mãe se recusava a chamar o SAMU por conta própria e por medo de tomar essa decisão sozinha. Assim, a equipe articulou com o serviço do CAPS que realizou visita domiciliar compartilhada. A visita ocorreu na mesma semana em que a mãe procurou a unidade, o que, para a família, representou a preocupação da equipe às suas necessidades e de seu filho. Na visita foi identificada a necessidade de avaliação psiquiátrica no serviço de urgência, portanto, foi articulado o resgate do paciente numa data combinada com a mãe e com o Hospital Municial. Após um período de internação paciente recebeu alta para seguimento no CAPS
Esse relato mobiliza a equipe na medida em que essa mãe retorna ao serviço e agradece a equipe da ESF e do CAPS pelo empenho e pelo retorno do filho ao convívio familiar. A equipe da ESF reconhece a importância do apoio da rede nos mais diferentes casos e principalmente nos casos mais graves de sofrimento psíquico. Podemos então, a partir dessa experiência, identificar que na prática diária nas equipes de ESF o atributo do acesso aos serviços de saúde pode ser garantido na medida em que a atenção primária é a porta de entrada e que de acordo com as necessidade do usuário articula para que o mesmo transite pelos demais níveis da rede e tenha suas necessidades de saúde respondidas.
Articulação de Rede; Matriciamento, Acolhimento
Jeniffer Marcela Carlos Blanco, Izailda Vieira Ramos de Siqueira, Marlene Aparecida Correa de Oliveira, Vilma Maria dos Santos