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As Doenças Crônicas Não Transmissíveis representam um problema de grande magnitude no Brasil, sendo responsáveis por 70% das mortes no país, e atingem principalmente grupos populacionais vulneráveis, como a população de baixa renda e escolaridade. Entre as enfermidades crônicas, duas têm destaque no cenário nacional: a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM), que constituem a primeira causa de hospitalizações no sistema público de saúde brasileiro. Para o tratamento adequado dessas patologias é necessária uma abordagem ampla dos pacientes estimulando a compressão sobre a doença e suas complicações, educar sobre as medidas comportamentais e alimentares, orientar sobre o tratamento medicamentoso e a importância da adesão as orientações médicas e multiprofissionais. Nos cenários de pacientes mais graves, sua abordagem acaba sendo complexa e muitas vezes ineficazes durante um atendimento na unidade básica. Desta forma, elaborou-se um projeto com vistas ao gerenciamento do cuidado de doentes crônicos, no qual foram construídos pelas pesquisadoras protocolos clínicos baseados nas informações das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão e Diabetes.
A criação do ambulatório de saúde cardiovascular tem como objetivo a utilização de estratégias de educação em saúde, com o cuidado centrado no paciente e atendendo às suas expectativas e necessidades mediante o estabelecimento de metas com o objetivo de proporcionar um tratamento mais adequado e otimizado para cada paciente e, consequentemente, diminuir as complicações e risco de mortalidade dos pacientes.
Para um melhor atendimento da população, foram criados quatro ambulatórios em unidades básicas distintas no munícipio de Santana de Parnaíba. Para o encaminhamento a esse ambulatório, foram selecionados os pacientes com maior gravidade. Dentre os critérios de encaminhamento, temos os pacientes com hipertensão arterial sistêmica resistente, hipertensos em estágio 2 ou 3, pacientes com diabetes mellitus tipo 2 com diagnóstico recente e descompensados apesar de tratamento medicamentosos otimizado, pacientes com lesão de órgão alvo ou pacientes de alto risco cardiovascular. Após o atendimento com o clínico da atenção básica, os pacientes eram encaminhados ao ambulatório de saúde cardiovascular e o novo ambulatório passa a ser o responsável pelos seus cuidados. Devido a maior gravidade dos pacientes e a maior necessidade na sua educação, os ambulatórios atendem os pacientes com uma duração maior de consulta (média de 30 minutos).
Desde a sua inauguração (março de 2023), houveram 1680 consultas ambulatoriais nas quatro unidades de atendimento. Apesar da taxa de absenteísmo ser muito próxima a dos atendimentos clínicos na atenção básica, o formato do ambulatório permitiu uma maior comunicação e entendimento dos motivos das ausências dos pacientes. Por se tratar de pacientes com maior gravidade, muitas faltas foram decorrentes de idas a outros serviços de saúde (hospitais e consultas com especialistas). Nesse curto prazo de avaliação, pode-se avaliar que a população teve uma boa adesão ao programa, demonstrando um maior conhecimento em relação a doença e aos seus cuidados. Uma boa parte da população teve melhora nos controles pressóricos e glicêmicos.
O ambulatório de saúde cardiovascular é uma ótima opção para promover um melhor tratamento aos pacientes portadores de HAS e/ou DM. Os dados iniciais apresentados nesse curto período de análise mostram boas perspectivas em relação as melhorias promovidas no tratamento e nos benefícios apresentados pelos pacientes. Entretanto, novas análises futuras são necessárias para entender os efeitos em relação as complicações das doenças, se haverá impacto na mortalidade dos pacientes e na saúde pública municipal.
Hipertensão arterial , saúde cardiovascular
Rafael Rafaini Lloret, Maycon Soto Simplicio, Thais Cardoso Benedetti, Maria Silvia de Almeida Mello Freire, José Carlos Misorelli