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O Cerest organizou um matriciamento para as Unidades de Atenção Básica, para o desenvolvimento desta ação contamos com o apoio do Programa de Residência Multiprofissional na área de Saúde Coletiva da Faculdade Medicina de Marília e as Unidades de Estratégia Saúde da Família Vila Altaneira e Novo Horizonte. Onde acreditamos na possibilidade de aproveitar um momento de estágio de Vigilância em Saúde do Trabalhador e Atenção Básica unindo desejos do conhecimento. A experiência inicia em março de 2023 segue até os dias de hoje, no primeiro momento partimos pelo resgate das equipes em olhar para sua população, ato esquecido pelas equipes uma vez que o cuidado está fragmentado e as práticas de saúde estão voltadas apenas para resolutividade das queixas. Foi proposto que as equipes de saúde pudessem resgatar a realidade das famílias do se território, identificar os problemas de saúde mais comuns bem como, situações de riscos aos quais a população está exposta, reconhecer os trabalhadores da área, do que morrem e adoecem. As equipes da Atenção Básica foram estimuladas a fazerem exercícios, utilizar instrumentos disponíveis de acesso rápido e munidos de informações, caracterizar a área com identificação dos riscos à saúde dos trabalhadores, elencar algumas ações de vigilância em saúde para que pudessem mudar fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente. Contudo promover o controle de agravos à saúde e retomar o cuidado continuado e logitudinal. Sistemas: SINAN e E SUS
Implementar ações do Programa Nacional de Saúde do Trabalhador na Atenção Básica, a partir de uma construção do cuidado compartilhado.
Realizados encontros com as equipes de Saúde, primeira etapa, aplicamos questões hipotéticas com a finalidade de construirmos uma relação de trabalho colaborativa para o cuidado compartilhado. Com a temática “trabalho como determinante do processo saúde-doença a aprendizagem dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) se pautou no necessário para desenvolver as ações em saúde do trabalhador que implicou em orientar como identificar as atividades produtivas mais comuns desenvolvidas nos territórios, e seus possíveis riscos e perigos envolvidos nos processos de trabalho, tal diagnóstico situacional foi direcionado através de uma ferramenta, com doze questões abertas que englobavam o cadastramento das famílias. Em seguida, comparamos os resultados das entrevistas com dados digitados no E-SUS pelos agentes, onde identificamos que o campo “Ocupação e Situação no Mercado de Trabalho” não eram digitados. Então levamos a construção de um pensamento e uma reflexão sobre a relação do trabalho na vida das pessoas. Organizamos um cine debate, com apresentação de dois filmes que retratam um olhar diferenciado para a escuta do paciente resgatando a integralidade do cuidado. No momento a equipe olha para si e identifica sua atuação como inadequada, promovendo um resgate pessoal e em equipe, sobre o papel de cada um neste processo de trabalho. Continuando, as equipes sugerem um estudo de caso de um Acidente de Trabalho registrado, para compreender as repercussões na vida do indivíduo.
Objetivo alcançado, equipe resgata o conhecimento do perfil epidemiológico da sua população, compreendendo o sujeito como trabalhador, identifica trabalhadores com riscos potenciais de adoecimento, promove assim linhas de cuidados específicos para situações encontradas. Os Agentes Comunitários de Saúde se sentem valorizados e resgatam seu verdadeiro papel, identificam um distanciamento importante com os demais integrantes da equipe a começar pelo trio gestor (médico, enfermeiro e dentista). Em relação ao preenchimento do Sistema E SUS passam a reconhecer sua importância e identificam funcionalidade do campo “Ocupação e da Situação do Mercado de Trabalho, aproximam-se do Núcleo de Informações da Secretaria Municipal de Saúde que apoia e esclarece questões importantes para utilização adequada do Sistema. Com a compreensão do olhar para o indivíduo como um todo foi possível reconhecer trabalhadores assistidos pela equipe de saúde nas respectivas linhas de cuidados que ainda não haviam considerações do campo do trabalho em seu adoecimento/ sofrimento bem como o cuidado ofertado. A equipe do Cerest fortalece vínculo, fornece instrumentos e materiais pedagógicos com conteúdo em Saúde do Trabalhador de modo a apoiar as intervenções necessárias, em campo atuam com os agentes nas orientações de prevenção em saúde do Trabalhador e propõe estratégias de intervenção multiprofissional
Fortalecer e implementar a Política Nacional da Saúde do Trabalhador e Trabalhadora na Atenção Básica, porta de entrada para a população trabalhadora que na sua maioria se encontra no setor informal, precarizado, desempregado, em situação de vulnerabilidade social. Alcançar o reconhecimento da Atenção Básica sobre a importância da linha de cuidado a Saúde do Trabalhador, identificar ambientes e processos de trabalho, que podem apresentar condições agressivas à saúde na perspectiva do adoecimento é essencial para a produção do cuidado. Elaborar mecanismos de gestão para o enfrentamento dos desgastes que as equipes sofrem diariamente, com insuficiência de recursos humanos, insumos, estruturas físicas, mobiliários, considerar que as questões de realização pessoal também interferem diretamente nas atividades cotidianas. Sugestões frente a experiência: Ser campo obrigatório o preenchimento da Ocupação e Situação do Mercado de Trabalho” no E-SUS; Implementar nas abordagens de acolhimento para todos os pacientes, considerações aos trabalhadores; Orientações pontuais nos ambientes de trabalho com maior potencial de risco identificado pelas equipes com utilização dos dispositivos da rede pública (Equipes Multi, CEREST, Vig. Sanitária)
Saúde do trabalhador, perfil epidemiológico, AB
Luciana Caluz Carvalho Pereira, Camila Costa Ribeiro Simionato