Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A fisioterapia aquática é caracterizada pela realização de atividade terapêutica em uma piscina aquecida, tratada e adaptada. São realizados manuseios específicos, utilização dos princípios físicos da água e dos efeitos fisiológicos da imersão, no processo de reabilitação. São estabelecidos objetivos funcionais associados ao quadro clínico do paciente e ao conhecimento das propriedades hidrodinâmicas da água para explorar o máximo potencial do paciente. O ambiente por ser lúdico, as crianças apreciam e conseguem maior liberdade de movimento, influenciando positivamente na sua motivação para movimentar-se. Dificilmente um paciente é atendido sozinho na piscina, o que aumenta o convívio social. Em geral, alterações neurológicas em crianças causam distúrbios motores, sensoriais, posturais e de equilíbrio, que geram limitações funcionais. O tratamento é multidisciplinar, sendo que a fisioterapia aquática faz parte do processo de reabilitação, com objetivo de melhorar as capacidades motoras. A avaliação baseada no modelo psicossocial da CIF facilitaria a justificativa dos processos de alta e a enfatizar a corresponsabilidade paciente/família no processo de reabilitação, facilitando o empoderamento e engajamento. Perante a CIF, é discutido que a fisioterapia aquática pode ser considerada um fator ambiental, do tipo facilitador.
O objetivo deste estudo foi mapear o uso da fisioterapia aquática em neuropediatria, de forma a identificar os princípios físicos, efeitos fisiológicos e terapêuticos para o corpo em imersão e a caracterizar as intervenções no meio aquático.
Foi realizada uma revisão da literatura em relação aos princípios físicos, efeitos fisiológicos e terapêuticos da fisioterapia aquática, na reabilitação de pacientes infantis, com disfunções neurológicas. Foi realizada uma busca nas bases de dados PubMed e Scielo nos últimos dez anos e material de apoio decorrente de curso na AACD em setembro de 2023 e do congresso da Associação Brasileira de Fisioterapia aquática, em maio de 2023. A seleção dos registros foi feita entre abril e setembro de 2023, inclusos artigos em português e inglês.
Após a imersão, ocorre no sistema respiratório o aumento do volume sanguíneo central, compressão da caixa torácica e abdômen, redução da capacidade vital em 6%, e do volume de reserva expiratório em 66%, aumento do trabalho respiratório em 65%. No sistema cardiovascular ocorrem aumentos da pressão intratorácica de 0,4 no solo para 3,4 na água, da pressão no átrio direito de 14 para 18, da pressão venosa central de 2 a 4 para 3 a 16, da pressão arterial pulmonar de 5 para 22 e do débito cardíaco de 30 a 32%. Já a frequência cardíaca cai em 10 bpm. No sistema renal, há aumento do trabalho renal e diurese. A água aquecida favorece o relaxamento muscular, facilita manuseios de alongamento muscular, mobilidade de cintura pélvica e escapular e reduz a dor; pressão hidrostática reduz edema e aumenta a aferência sensorial; viscosidade confere resistência ao movimento, maior tempo de resposta a desequilíbrios, facilitando o treino das reações de equilíbrio. Flutuabilidade ou empuxo reduz descarga de peso corporal, facilitando ativações musculares da musculatura anti-gravitacional e vivência de posturas ou deslocamentos. A descarga de peso ou o esforço do paciente é graduada de acordo com o nível de imersão. O ambiente tridimensional confere maior liberdade de movimento, favorecendo o trabalho de tronco e a turbulência que forma redemoinhos, facilita ou dificulta o exercício. Questões emocionais e cognitivas são estimuladas por meio dos movimentos corporais realizados em água.
A fisioterapia aquática é uma das principais abordagens na reabilitação de crianças, pois o ambiente aquático diferencia-se pelas suas propriedades hidrodinâmicas, que podem facilitar ou dificultar a execução dos movimentos, com o objetivo de que as tarefas treinadas neste ambiente possam aprimorar o desempenho da função realizada em solo. Os ganhos obtidos em terapia geram um aprendizado motor e através da transferência positiva, esse aprendizado é transferido para o dia a dia de cada indivíduo, visando maior independência e participação em seu contexto social. Diversos autores e estudos clínicos afirmam que os ganhos obtidos na água são refletidos em solo, pela capacidade do corpo de adaptação. O projeto é visto pela população com deficiência e familiares, não somente como um tratamento de fisioterapia, mas principalmente como um importante instrumento de inclusão e possibilidade de acesso a serviços diferenciados dentro do SUS.
fisioterapia aquática, técnicas, hidroterapia.
Leiliane Barreto Sejani