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O Hospital Municipal de Diadema, HMD, é um hospital geral, com uma média 700 novas internações/mês. Possui 30 leitos de UTI adulto, 52 leitos de Clínica Médica e 36 leitos de Clínica Cirúrgica. Somam-se ao elevado número de pacientes atendidos mensalmente, as características e fatores que levam o indivíduo a desenvolver lesões por pressão como por exemplo doenças que resultam em deficiências na perfusão e oxigenação como diabetes, doenças vasculares e circulatórias, tabagismo, situação nutricional deficiente, idade avançada e mobilidade reduzida. As lesões por pressão ocorrem principalmente por compressão prolongada das proeminências ósseas em contato com uma superfície rígida. Pacientes com mobilidade reduzida tem maior predisposição a este tipo de lesão, pelo tempo que ficam em uma mesma posição. Isso tudo pode ainda elevar o tempo de internação do paciente, contribuindo para maior risco de infeção e muitas vezes, piora do prognóstico do mesmo. Com isso, verificou-se então a necessidade de adotar-se medidas específicas para reduzir e evitar as lesões por pressão em pacientes hospitalizados, oferecendo um tratamento adequado, bem como a necessidade de prevenção, visto a facilidade com que se pode instalar a lesão de pele. Sendo assim, a implantação de um Serviço de Cuidados com a Pele tornou-se imprescindível para acompanhar os casos mais graves, as lesões mais profundas e infectadas, unificando informações técnicas e prestando o apoio necessário às equipes assistenciais.
Gerenciar e sistematizar o atendimento aos pacientes internados no HMD, com lesão por pressão adquiridas ou não na instituição. Padronizar e qualificar o tratamento através de curativos e, se necessário, intervenção cirúrgica conforme cada caso, com ações conjuntas entre a equipe multiprofissional, por meio do Serviço de Cuidados com a Pele (SCP), com o intuito de restabelecer a integridade da pele ou minimizar a evolução de lesões das mesmas.
Em junho de 2022 um grupo multiprofissional do HMD, composto por enfermeiros, médico cirurgião, nutricionista, farmacêutico e terapeuta ocupacional iniciou estudos para implantar um grupo de cuidados com a pele. Para isso foi necessário mapear os pacientes internados que mais necessitariam das ações concentradas deste grupo. Com isso este grupo elaborou um algoritmo de elegibilidade, onde os valores atribuídos a Escala de Braden do paciente, associado aos valores atribuídos aos Estágios da Lesão, forneceria um SCORE de lesão elegível, sendo o valor igual ou acima de 12 a lesão do paciente estaria elegível aos cuidados deste grupo e o valor igual ou abaixo de 11 a lesão do paciente estaria inelegível aos cuidados deste grupo, permanecendo aos cuidados apenas da equipe de assistência da clínica onde o mesmo encontra-se internado. No início de 2023 este grupo se tornou um Serviço de Cuidados com a Pele (SCP), instituído pelo Hospital, contando com um enfermeiro exclusivo para coordenar as atividades do grupo multiprofissional. A partir de então o SCP atua através de duas principais ações: preventivas e curativas. Nas preventivas fornecendo informações e protocolos para um melhor desempenho das equipes assistenciais. Nas curativas inicia-se na chegada do paciente à instituição, onde é realizada avaliação da pele, bem como identificados os riscos para lesões que apresenta, uma vez estabelecidas as lesões, avalia-se o estágio das mesmas para se instituir os tratamentos necessários.
Os estágios da lesão da pele vão desde o estágio 1 – pele intacta até o estágio 4 – perda da espessura total do tecido com exposição de ossos, tendões ou músculos, sendo, portanto, o estágio mais grave da lesão. O SCORE elaborado no algoritmo de elegibilidade pelo SCP vai da pontuação mais branda de 2 pontos até o mais grave, 20 pontos. Os dados coletados foram do período de 01/02/2023 a 01/02/2024, no qual foram registradas 354 lesões novas inseridas no SCP, sendo a média de 1 lesão nova por dia; constituindo 58% de pacientes do sexo masculino e 42% sexo feminino, com média de idade de 67 anos; 83% eram da Clínica Médica e 17% da Clínica Cirúrgica; 72% dos pacientes estavam internados em Unidades de Internação Não-Intensivas. Das lesões registradas 53% eram de sacra, 14% trocanter, 14% calcâneo e 19% outros tipos. Dessas 354 novas lesões registradas 90% já foram finalizadas pelo SCP (317 lesões); sendo 57% por motivos de alta, 42% por óbito e 1% por transferências externas. Das 317 lesões já finalizadas no SCP, 22% das lesões iniciaram dentro do serviço com o estágio 4 (estágio mais grave), 60% com estágio 3 e 18% com estágio 2; sendo que 88% das lesões entraram no SCP com SCORE de 17 a 20 pontos (pontuação mais grave). Em 1 ano, das 317 lesões finalizadas o SCP conseguiu reverter o quadro grave das lesões de 88% do SCORE Inicial para 40% do SCORE Final, sendo possível ainda restabelecer a integridade total ou parcial da pele lesionada em 29% dos tratamentos finalizados.
Inicialmente houve muita resistência das equipes assistenciais para adesão ao novo serviço instituído no hospital, no entanto graças a resiliência e pró atividade deste grupo, realizando sensibilizações junto as equipes assistenciais foi possível ampliar o atendimento a mais pacientes hospitalizados que necessitavam de um olhar mais especifico para o tratamento das lesões de pele. Os resultados apresentados no período de 1 ano demonstraram que o trabalho realizado por este grupo da equipe multiprofissional do HMD foi de fato bem aceito pelas equipes assistenciais, tendo em vista que o SCP atendeu em média 1 novo caso de lesão de pele por dia. O SCP foi capaz de gerar importantes realizações no sentido de diminuir a gravidade das lesões de pele, levando consideravelmente a uma melhora na assistência ao paciente e mudança na cultura de segurança do paciente junto a percepção das equipes assistenciais, fazendo com que as mesmas não só observassem mais este importante evento adverso como até notificassem mais as ocorrências do mesmo. O resultado positivo demonstrado neste trabalho comprova que há a necessidade de se manter o investimento neste serviço para obter uma melhor qualidade integral ao paciente no cuidado oferecido ao mesmo.
LESÕES DE PELE POR PRESSÃO, QUALIDADE INTEGRAL,
Bruna Danielle Aparecida Bernardi, Lucineide dos Santos Silva, Maria Angela Netto de Souza, Débora Ferreira do Rosário, Darlan de Oliveira, Antônio Eduardo Pereira de Castro, Mirella Portela Trevisani, Marco Antônio Nadal, Denise Pelegrin Dias Morais, Evandro José Gonçalves