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Nos últimos anos, a incidência de gravidez na adolescência vem aumentando expressivamente, tanto no Brasil como no mundo. No Brasil, observa-se que, apesar do declínio das taxas de fecundidade desde o início dos anos 70, é cada vez maior a proporção de partos entre as adolescentes em comparação com o total de partos realizados no País. Isso não e diferente no cenário da cidade de Palmital-SP. No ano de 2022 tivemos 33 partos em meninas de 10 a 19 anos, sendo o total de 169. Foi a partir dai que observamos a necessidade de elaborar um projeto para minimizar a gravidez não planejada na adolescência, como forma de oportunidade de vida e futuro melhor para as nossas jovens. Sabemos também que a gravidez na adolescência tem complicações tanto para o bebe quanto para a mãe, exigindo mais cuidados. Além disso, existem as questões sociais que essa gestação acarreta, como o impacto desta criança nessa família que não estavam preparadas para recebê-la, a evasão escolar das mães e os aspectos econômicos envolvidos no nascimento. Diante desse cenário, e após muito estudo foi visto que se inseríssemos, com recursos próprios já que o SUS não incorporou essa tecnologia ainda, os métodos reversíveis de longa duração (LARCS), principalmente o implante subcutâneo pela facilidade de inserção e a taxa de falha ser mínima (0,05%), como opção de método para as adolescentes residentes do nosso município teria uma redução grande nos próximos anos no numero de gravidez não deseja na adolescência.
• Reduzir o numero de gravidez não planejada nas adolescentes, principalmente as que estão em situação de vulnerabilidade, com a orientação sobre saúde sexual e uso dos métodos reversíveis de longa duração. • Fazer orientações sobre saúde sexual nas escolas de ensino médio periodicamente. • Elencar com apoio do Departamento de Assistência Social e Departamento de educação as adolescentes que estão em situação de vulnerabilidade. • Disponibilizar o implante subcutâneo liberador de etonogestrel para todas as adolescentes que desejam esse método.
Em 2021 fomos apresentadas ao projeto de sucesso de Indaiatuba que foi implantado em 2018 com o objetivo de reduzir a gravidez na adolescência principalmente. A partir dai começamos a levantar dados de incidência de gravidez no município de Palmital, o custo de uma gravidez de baixo risco e de uma gravidez de alto risco e o custo em investir em métodos contraceptivos reversíveis de longa duração. No início de Janeiro de 2023 o projeto foi lançado e divulgado em todos os canais da Prefeitura Municipal de Palmital (Site, Facebook e Intagram) e estabelecia que fosse ofertado o implante subcutâneo para as adolescentes de 14 a 19 anos em situação de vulnerabilidade. Vale ressaltar que o Estatuto da Criança e do Adolescente ampara penalmente relação sexual com menores de 14 anos-especificamente com crianças (CRIANÇA=menores de 12 anos), em seu ART. 241-D; a tutela penal deste tipo de relação ficou relegada ao Código Penal, através do seu Art. 217-A, que prevê como crime de estupro qualquer relação sexual praticada com menor de 14 anos. Ficou acordado que as unidades de saúde e o social fariam uma busca ativa para elencar as adolescentes e agendar avaliação com a, Drª Gilda Aparecida Gil que ficou designada a ser a responsável pelos procedimentos, e após indicação já era feita a inserção e as orientações. Após meses do projeto em andamento notou a necessidade de expandir a oferta e a parir de Junho de 2023 começou então ofertar o Implante Subcutâneo para todas as adolescentes.
No primeiro quadrimestre foi inserido cinco implante subcutâneo em adolescentes que estavam em risco de vulnerabilidade. Era adolescente entre 14 e 16 anos, com vida sexual ativa, uso abusivo de drogas, histórico de aborto e que já estavam sendo acompanhadas pelo CRAS, CREAS e ate mesmo Conselho Tutelar. A inserção foi autorizada pelos pais e pela própria usuária. No segundo quadrimestre, no qual o projeto já tinha sido expandido para todas as usarias adolescentes, foram inseridos dezessete implante subcutâneo e um dos pontos relevantes foi que muitas avós procuravam a unidade de saúde querendo informações sobre esse método, que muitas chamam de “chip”, para ver a possibilidade de colocação na neta. No ultimo quadrimestre foi inserido um total de vinte e três implantes subcutâneo como método anticoncepcional. Observa-se uma crescente conforme os meses foram passando, chegando no final do ano com quarenta e sete mulheres com implante subcutâneo como forma de prevenção de gravidez. Foi visto também que a adolescentes entre 15 e 16 anos que mais procuraram essa opção como método anticoncepcional.
Entre os anos de 2019 e 2022 o município teve em media 34 adolescentes gravidas e isso levou a gestão buscar inovação para mudar esse cenário. Foi ai que iniciamos com o Projeto LARCs – Métodos reversíveis de longa duração no ano de 2023, no qual já é evidente a eficácia do projeto, pois em um ano já conseguimos reduzir para 25 o numero de adolescentes gravidas no município. Seguimos fazendo as orientações sobre saúde sexual e a disponibilidade dos métodos anticoncepcionais.
gravidez na adolescência, método anticoncepcional
LARA MARIA LOPES DA SILVA, NADIA PATRICIA CASCALEZ ORTIZ GONÇALVES, GILDA APARECIDA GONÇALVES GIL