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O cuidado da saúde dos adolescentes que visa garantir, integralidade, universalidade, equidade e excelência acontecem na atenção especializada na C.A.S.A. desde 2021, de porta aberta, com uma equipe multiprofissional. Adolescentes têm sofrido com depressão, ansiedade, estresse e autolesão, principalmente após o período de isolamento devido à Pandemia Covid-19. Interação com práticas terapêuticas em áreas verdes, têm contribuído para o alívio desses sintomas. Entendemos que o adolescente faz e é parte da NATUREZA e esse contato estimula a estruturação de processos investigativos, fomenta a criatividade, a iniciativa, a autoconfiança, a capacidade de escolha, de tomar decisões e resolver problemas, o que por sua vez contribui para o desenvolvimento de múltiplas linguagens e a melhora da coordenação psicomotora, potencializa e aprimora as capacidades físicas, emocionais, sociais e afetivas. Áreas urbanas possuem déficit de área verde e contato com ambientes naturais de qualidade e o acesso restrito às áreas naturais, torna instituições de saúde, espaços chave para ampliar a oportunidade desse contato para os adolescentes. Por meio de uma parceria entre o Programa de Saúde do Adolescente de São Paulo e o Instituto Árvores Vivas (IAV), foi aplicado o Programa Conviver e Aprender na Natureza no Centro de Atenção à Saúde do Adolescente (C.A.S.A) de Taboão, fortalecendo as estratégias que estimulam o desenvolvimento pleno e integral.
I- Criar de forma participativa e inclusiva espaços de conexão com a natureza, qualificados com diversidade de espécies de flora e com infraestrutura de medicação, a serem utilizados para o atendimento de adolescentes e suas famílias em conjunto com as abordagens integrativas incluídas na C.A.S.A; II- Promover conexão com as mais diferentes perspectivas da diversidade multissensorial da natureza, seus elementos e territórios. III- Estimular e oferecer aos adolescentes atendidos, experiências diretas para desenvolvimento de vínculo e repertório com elementos da natureza, por meio de sensibilização e oficinas de conversa, aprimorando e valorizando os conhecimentos e percepções sobre a conexão com a natureza e segurança climática. IV- Oferecer para a equipe multiprofissional da saúde, inseridos na C.A.S.A e na REDE, capacitação, informações e ferramentas úteis para a incorporação de abordagens baseadas na natureza nos atendimentos.
As atividades realizadas seguiram a metodologia do Instituto Árvores Vivas em quatro etapas principais: Diagnóstico; Sensibilização profissional; Sensibilização dos Adolescentes e Requalificação Ambiental. O Diagnóstico consiste na criação dos “biomapas”, processo de identificação e caracterização ambiental, cultural e histórico-social da região atendida pela C.A.S.A. Também foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com os profissionais e adolescentes, a partir da adaptação de uma escala de percepção da natureza e das mudanças climáticas. A segunda e a terceira etapas foram aplicadas conjuntamente. As sensibilizações com os profissionais consistem em um ciclo de 6 oficinas, no intuito de disseminar temas sobre a importância do contato com a natureza para o desenvolvimento pleno dos adolescentes e da presença de áreas naturais como mitigadora dos impactos de mudanças climáticas na saúde. Já com os adolescentes, as sensibilizações consistem em oficinas lúdicas e rodas de conversa que propiciam o contato e experimentação com elementos naturais, bem como a discussão sobre as percepções dos adolescentes sobre conservação ambiental e cidadania para a conservação. A quarta etapa finaliza o primeiro ciclo do programa, onde os participantes se juntam à equipe do projeto para fazer uma intervenção de requalificação ambiental planejada coletivamente para atender às necessidades de cada uma das casas participantes.
16 encontros de sensibilização para abordagens baseadas na natureza no atendimento de adolescentes, com participação de 140 profissionais atuantes, sendo Hebiatria, Psicologia, Ginecologia, Odontologia, Enfermagem, Orientadores sociais, Assistentes Sociais, arquitetos, engenharia ambiental e administrativos. A partir dos encontros realizados com os profissionais, foram elaborados planos participativos de requalificação ambiental, que são resultado do processo formativo onde os profissionais puderam expressar desejos para a presença de mais elementos naturais. 8 encontros em mutirão para a implementação da requalificação ambiental, cerca de 180 participantes. Foram implementadas 114 espécies de plantas nativas, sendo 21 arbóreas, 35 paisagísticas e 58 alimentícias, tornando o ambiente mais acolhedor e harmonioso, inclusive com a colocação de uma fonte dágua, rede, hotel para inseto, casinha e comedouro de passarinho. 56 oficinas realizados na C.A.S.A e na REDE (OSC Sementes do Amanhã, Parque das Hortênsias, SAICA/Abrigo) de sensibilização com a participação de mais de 200 adolescentes abordando quatro módulos de conteúdo para a experimentação, FOGO (fogueira), TERRA (flora e fauna), ÁGUA (em seus estados físicos) e AR (confecção de brinquedos como PIPA e cata-vento).
As atividades oferecidas por meio do Programa Conviver e Aprender na Natureza ampliaram a perspectiva integral de cuidado na C.A.S.A por meio das ações de requalificação ambiental, os profissionais do Programa do Adolescente tiveram contato com ferramentas para desenvolver atividades nas áreas externas como a Horta, o Jardim de Convivência e os espaços de contemplação. O manejo da Horta e a revitalização de alguns espaços contribui para manutenção e florescimento das diversas atividades que ocorrem no local. Como um todo, inclui o tema do meio ambiente, aproveitamento das áreas verdes e momentos de descompressão dentre os assuntos discutidos com a equipe da C.A.S.A. Os encontros de sensibilização com adolescentes e profissionais, combinados com os momentos de trabalho coletivo para a revitalização dos espaços, foram fundamentais para o aumento da percepção da Natureza como importante elemento de saúde. Todo processo teve impacto na conscientização de que são necessárias ações para combater os efeitos de mudanças climáticas locais, resguardando a saúde da população de forma justa e igualitária.
adolescente; natureza; casa; saúde mental
Aline S Markoski dos Santos, Carla A Borges, Rosana Angelo Ribeiro - psicóloga, José Alberto Tarifa Nogueira