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Infelizmente, a alta prevalência da doença cárie em crianças é realidade em várias regiões do país. Entre os fatores que contribuem para esse fato destacam-se a falta de conhecimento sobre o processo saúde-doença e sobre as formas de prevenção e tratamento e a escassez de oferta de tratamento e acompanhamento odontológico de forma acessível a todos. Assim, estabelecer uma parceria com a família e a escola se apresenta com uma importante estratégia de promoção da saúde bucal. Abordar a criança em seu próprio ambiente (no caso, a escola), favorece o aprendizado e a conscientização sobre o autocuidado. Além disso, o atendimento odontológico, quando realizado na própria escola, proporciona um acesso mais equânime, humanizado e oportuno.
1. Envolver a comunidade, profissionais da educação e saúde em um aprendizado integralizado e contínuo, através da conscientização da prática do autocuidado; 2. Estimular práticas que envolvam o empoderamento individual e coletivo, de forma que o acesso aos conhecimentos sobre saúde seja de forma progressiva, individualizada e contínua; 3. Aplicar uma metodologia humanizada integrando a saúde bucal com as demais disciplinas e atividades escolares; 4. Levantar as condições de saúde bucal em escolares da Rede Municipal de Ensino do município de Jacareí (SP); 5. Reduzir o índice de cárie dentária, via ações curativas e preventivas.
Foram selecionadas duas escolas para o projeto-piloto, sendo uma de educação infantil “EMEI Dra. Zilda Arns” e outra de ensino fundamental “EMEF Profa. Cláudia Gaspar”. Foram aplicados desenhos às crianças e questionários aos seus familiares, a fim de verificar o conhecimento sobre saúde bucal. Por meio de reuniões trimestrais com os profissionais da Educação, o tema saúde bucal foi introduzido ao currículo de acordo com faixa etária da criança. Foram, então, realizadas práticas diversas, como escovação, palestras educativas, jogos e dinâmicas, promovendo a conscientização sobre hábitos saudáveis e meio ambiente. Além disso, em parceria com a família e a escola, foram aplicados materiais educativos de saúde bucal, reforçando a importância de bons hábitos de higiene bucal entre as crianças. Os alunos, após consentimento dos pais ou responsáveis, foram avaliados na própria escola por um dentista previamente qualificado. Havendo necessidade de intervenção (presença de cárie ativa), as crianças foram submetidas à ART, técnica minimamente invasiva que dispensa anestesia, no ambiente escolar.
Dos 248 questionários respondidos pelos pais ou responsáveis, 92,7% afirmaram considerar a saúde bucal como importante, porém menos de 50% afirmaram supervisionar a escovação do seu filho(a) com frequência e 68,4% relataram que seu filho(a) não faz uso do fio dental. Embora mais de 70% afirmem conhecer como a cárie se desenvolve, 25,1% admitiram que seu filho consome doces todos os dias e 80,2% que seu filho(a) escova os dentes menos de três vezes ao dia. No entanto, 100% consideram bom ou ótimo haver atendimento odontológico dentro das escolas. Quanto às avaliações odontológicas, foram examinadas 637 crianças, sendo que cerca de 20% receberam acompanhamento odontológico. Das 585 lesões de cárie identificadas, 67,5% foram tratadas pela ART.
O envolvimento das equipes de saúde bucal com os profissionais da educação e com os pais ou responsáveis se mostrou essencial na construção do autocuidado, favorecendo o empoderamento individual e coletivo. A soma dos saberes possibilitou o reconhecimento de problemas, seus determinantes e fatores de risco associados, transformando os desafios em resultados.
Autocuidado, Promoção da Saúde, Odontologia.
Marília de Morais Pinelli Rachid, Danielle Mendes da Camara, Glaucia Richelly Pantoja Rebêlo Mendes, Fernando Augusto Cervantes Garcia de Sousa, Daniela Mota Hespanha