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Iniciativas nacionais e globais alertam sobre altas taxas de morbimortalidade relacionado ao avanço das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) na população. Diante disso, a ONU-Organização das Nações Unidas, incluiu nos objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) metas para a redução de DCNT e fatores de risco até 2030, onde estabelece na ODS 3 – Saúde e Bem-estar, redução de um terço na mortalidade prematura por DCNT através de prevenção e tratamento1. Essa meta associa-se diretamente com a atuação da atenção primária no combate às DCNT, onde se tem como princípio o incentivo de hábitos saudáveis para a prevenção e/ou controle de enfermidades. Estudo recente aponta que ocorreram mudanças nos estilos de vida da população com e sem DCNT após a pandemia, como redução de atividades físicas, aumento do tempo sedentário, redução do consumo de hortaliças e aumento de alimentos ultra processados – congelados e salgadinhos. Na análise das prevalências dos estilos de vida durante a pandemia entre os dois grupos, observou-se que os portadores de DCNT apresentaram menor prática de atividade física, consumo menos adequado de hortaliças e maior tempo sedentário em frente da televisão. Quanto ao consumo de tabaco, álcool, frutas e alimentos não saudáveis, não houve diferença entre os grupos2. Diante desse diagnóstico geral, a UBS S.F. Francisco I consolidou projeto que envolve saúde ambiental, nutricional e assistência farmacêutica em prol da promoção de saúde da população local.
Promover mudança no estilo de vida relacionada à consciência Ambiental, Farmacêutica e Nutricional focados na prevenção e mitigação de agravos de saúde na população da UBS J. S. Francisco I.O Objetivos específicos 1. Fortalecer o acesso da população da UBS a abordagens relacionados a saúde ambiental, farmacêutica e nutricional; 2. Incentivar a prática de bons hábitos de saúde voltados a mitigação de agravos relacionados a DCNT, focado aos usuários do Programa de Auto monitoramento Glicêmico – AMG; 3. Desenvolver os profissionais de saúde da UBS como Promotores de mudanças socioambientais aos usuários da área de abrangência.
O projeto se desenvolve em três seguimentos: Mãos à Horta, Horta em Casa e Segmento Trabalhador. O Segmento Mãos à Horta, cujo princípio é prevenção, promoção de saúde, redução de possíveis complicações, incentivo a hábitos saudáveis e sustentáveis, voltados a melhoria da qualidade de vida. Sua metodologia consiste na construção da horta educativa e Jardim na unidade, desenvolvimento de grupos fixos com abordagem de temas ambientais, nutricionais e farmacêuticos relacionadas a prática da Horta. Segmento Horta em casa, voltado a prevenção e controle de agravos a pessoas com DCNT, que são atendidas pelo AMG. Sua metodologia consiste na realização de Visita Domiciliar em todos os participantes do grupo AMG para avaliar o interesse do Horta em Casa, desenvolvimento do material educativo que será encaminhado junto a caixa de horta; oficina de Horta nos caixotes; novas Visitas Domiciliares para avaliação do resultado e construção Estufa. O Segmento Trabalhador, os profissionais de saúde possuem atuação direta na Horta e Práticas sustentáveis da UBS, visando bem-estar, qualidade de vida e desenvolvê-los como promotores de mudanças socioambientais no território. A metodologia consiste em manutenções diárias na horta da unidade, preenchimento do documento de evidência do trabalho realizado, atividades de plantios de novas mudas, reuniões mensais no planejamento e desenvolvimento de ações socioambientais e desenvolvimento de educação continuada e oficinas aos profissionais de saúde.
A horta educativa na unidade foi construída através do trabalho dos profissionais junto à comunidade. O grupo fixo com a abordagem das 3 vertentes do projeto é desenvolvida semanalmente, ambos estão em andamento e foram incorporados pela população local. No segmento Horta em Casa, ACS e APA realizaram visitas domiciliares aos participantes do AMG e 41 pessoas aceitam participar e construir horta para sua residência. O projeto está em andamento e até o momento foram entregues 19 caixas de horta à população, sendo que atualmente 13 permanecem em funcionamento e 6 foram interrompidas. Considerando o número de hortas entregues, obteve-se 68,5% de sucesso, o que aponta mudança de hábito da população ao aceitar o desafio de permanecer o cuidado da horta. O principal motivo para descontinuidade das hortas interrompidas é relacionado a limitações estruturais da residência. Visando a sustentabilidade do projeto no fornecimento de mudas utilizadas na Horta da unidade, na entrega das Caixas pendentes e manutenção das já entregues, construiu-se estufa ecológica com auxílio da população. Os depoimentos dos usuários sobre a participação no projeto destacam melhorias na relação alimentar e bem-estar durante os cuidados da Horta. No Segmento do Trabalhador, manutenções são realizadas diariamente, atividade evidenciada por documentação específica. São realizadas reuniões mensais com a comissão, para planejamento e acompanhamento do projeto. Observa-se boa adesão dos profissionais no Projeto.
Ao longo do desenvolvimento do projeto que está previsto para ser cíclico e incorporado à prática da unidade observamos que cultivo e manutenção da horta em casa proporciona além de exercitar o pensamento de uma alimentação mais saudável uma vertente de melhoria da saúde mental no desempenho do ato de cuidar. No processo de manutenção da Horta na UBS como espaço terapêutico e educativo observou-se um aumento no senso de pertencimento da comunidade e dos profissionais de saúde além de estreitar vínculos na adesão a atividades não alopáticas e intervencionistas.
Socioambientais, horta, qualidade de vida.
ANDRESSA DE SOUZA BORGES, Leticia Silva de Oliveira, Flavia Jacqueline Lorenz Zar