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Segundo o estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mais de 150 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos de várias nações, já vivenciaram alguma forma de violência, no âmbito escolar. Hoje essa triste realidade, constitui-se em uma questão de saúde pública em função de seus índices crescentes e da escalada da violência, como apontado, em diferentes estudos no Brasil e no exterior. O arcabouço jurídico com seus marcos legais e políticas públicas que subsidiam o enfrentamento da situação, já são uma realidade brasileira. Porém precisamos nos organizar de maneira crescente em “rede” e partir para a “ação” de forma a materializar nossos objetivos de produzir saúde no ambiente escolar. A intersetorialidade e a contribuição comunitária são condições fundamentais para que todos se conscientizem, assumindo e ampliando suas responsabilidades a respeito do tema. Nesse contexto respondendo a demanda trazida pela Escola Estadual da região, o Centro de Atenção a Saúde do Adolescente (C.A.S.A.) articulou uma ação/intervenção englobando equipamentos e comunidade com vistas a modificar de maneira concreta as vivências negativas consequentes a violência escolar.
Garantir ambientes seguros para promoção de um crescimento e desenvolvimento pleno durante o período da adolescência é um direito constitucional corroborado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A ação intervenção realizada na escola estadual embasada neste conceito de saúde trazido pela Constituição Federal de 1988; “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” Teve por objetivo: Fortalecer o vínculo entre os estudantes e instituição de ensino Enfrentar a cultura de violência, quebrando seu ciclo de perpetuação Empoderar os estudantes para que sejam agentes de modificação Informar e orientar a cerca de fatores de risco e proteção em situações de violência dentro e fora do ambiente escolar Induzir e fortalecer a rede de cuidado de forma Inter setorial.
Na elaboração, planejamento e compreensão da demanda escolar, foram realizadas duas reuniões com a Diretoria da escola e posteriormente com os profissionais da C.A.S.A. A ação escolhi ser fator de proteção foi articulada: Etapa 1: Apresentação do projeto para os alunos, com todos os profissionais da C.A.S.A. Recurso utilizado: a exibição do filme, escritores da liberdade, para o período da manhã e da tarde, do 6º ano ao Ensino médio. Etapa 2: Realizada em 3 dias e horários diferentes, separados em 07 turmas, para atingir todos os alunos da escola (aproximadamente1200). Roda de conversa sobre bullying, fatores de risco, fatores de proteção. Utilizado como recurso: curta metragem, musica e materiais gráficos. Durante a ação houve produção de material, com os docentes, para a realização do Sarau e finalização da ação. Etapa 3: Encerramento da ação realizada no parque das hortênsias em formato de sarau. Utilizado como recurso; os alunos apresentaram, musicas, poesias, batalhas de rima. A C.A.S.A. disponibilizou profissionais para aplicar técnicas de relaxamento; auriculoterapia com a naturologa voluntaria e massagem nas mãos, pela massoterapeuta voluntaria. O material produzido pelos discentes nas etapas anteriores ficou exposto no Parque . Para simbolizar uma cultura de paz foi utilizado balões brancos liberados ao ar, no parque.
O fortalecimento do vinculo entre estudantes e instituição, foi observado através da expressão artística realizada no dia do sarau, onde os docentes presenciaram as diversas potencialidades existentes nos alunos, ressignificando conceitos pré estabelecidos “não sabia que este aluno rebelde era tão conhecido como rapper”.(sic) O empoderamento como agentes de modificação, pode ser observado através das produções artísticas (cartazes, frases de motivação, poesias, painel, batalhas de rima…), expressas a partir do conhecimento assimilado da ação realizada em sala de aula. Informar e orientar a cerca de fatores de risco e proteção em situações de violência dentro e fora do ambiente escolar foi uma ferramenta potente para organizar e reestruturar o pensamento adolescente. A ação “escolhi ser fator de proteção”, teve sua estratégia e articulação voltada para o enfrentamento da violência. Compreendemos a complexidade deste assunto e que se faz necessário uma movimentação das diversas esferas governamentais. Porem está articulação CASA x escola, nos mostrou novas possibilidades de ação. Nossa ação/intervenção além de envolver diferentes equipamentos e áreas de abrangência como a saúde, educação e cultura, contou também com o voluntariado em naturologia e massoterapia, ressaltando nosso compromisso social e comunitário.
A C.A.S.A. (Centro de Atenção à Saúde do Adolescente) tem sua estrutura de atendimento voltada para equipe multiprofissional e compreende sua importância na articulação e colaboração em ações externas. A busca da escola por nosso serviço, com o intuito de planejar uma ação para enfrentamento da violência, reflete a nossa interação e integração com a comunidade, no objetivo comum de construir a saúde do adolescente. É do conhecimento de todos sobre a importância da escola para o desenvolvimento, crescimento e construção da identidade. É este o espaço que norteia este individuo para a vivência em sociedade.
Casa; Adolescente; saúde mental
Aline S.Markoski dos Santos, Marinalva Fernandes Lima Vieira, Priscila Silva Paulino, Stana Helena Giorgi Grosso, José Alberto Tarifa Nogueira, Rosana Angelo Ribeiro, Carla A Borges