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Segundo estimativas do INCA, de 2023 a 2025, serão diagnosticados anualmente no Brasil cerca de 15.000 novos casos de câncer de cavidade oral, ocupando a oitava posição entre os tipos de câncer mais frequentes. Na região sudeste, no entanto, o câncer da cavidade oral é o quarto mais comum entre os homens1. Assim como ocorre com os demais tipos de câncer, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado e oportuno são essenciais para minimizar as sequelas da doença e reduzir o risco de morte. Infelizmente, a maioria dos casos de câncer da cavidade oral é diagnosticada tardiamente. Além disso, em alguns casos, também ocorre uma demora significativa entre o diagnóstico da doença e o início do tratamento. Isso se deve, em parte, ao desconhecimento de médicos e dentistas sobre os fluxos de encaminhamento. Torna-se necessário, portanto, a elaboração de fluxos claros e amplamente divulgados, permitindo que as pessoas com a doença recebam tratamento adequado e com a agilidade necessária.
Conferir às equipes de Saúde Bucal um papel de protagonismo no monitoramento dos casos de câncer da cavidade oral diagnosticados em suas respectivas áreas de abrangência, garantindo maior agilidade nos encaminhamentos e, consequentemente, reduzindo o intervalo de tempo entre o diagnóstico da doença e o início do tratamento.
Semanalmente, a supervisão de Saúde Bucal levanta os casos de câncer da cavidade oral (C00 a C09) diagnosticados na rede pública de Saúde do município de Jacareí (SP) e casos suspeitos. Esse levantamento é realizado por meio do Sistema Eletrônico de Gestão em Saúde (FAST Medic), através de filtros de busca específicos que possibilitam identificar pessoas diagnosticadas com a doença em um determinado intervalo de tempo. A seguir, a equipe de Saúde Bucal da unidade de saúde de referência é acionada via e-mail. Realiza-se, então, a busca ativa e é agendada uma primeira consulta e, havendo necessidade, a pessoa é incluída para tratamento odontológico. Nessa consulta também é verificado se o diagnóstico de câncer já está fechado e se ela foi devidamente encaminhada. Estando o diagnóstico em aberto ou havendo alguma falha em relação ao encaminhamento, a pessoa é direcionada ao setor de estomatologia do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), onde é concluído o diagnóstico e realizado o encaminhamento para o hospital de referência por meio do CROSS.
O monitoramento dos casos de câncer da cavidade oral pelas equipes de Saúde Bucal possibilitou um melhor acompanhamento das pessoas com a doença, resultando em maior adesão ao tratamento. Além disso, com um fluxo de encaminhamento bem estabelecido e claro, houve uma redução no intervalo de tempo entre o diagnóstico da doença e o início do tratamento.
É inegável o papel das equipes de Saúde Bucal no monitoramento dos casos de câncer da cavidade oral. Além de amplamente habilitadas e terem a oportunidade de realizarem o diagnóstico da doença ainda em estágios iniciais, as equipes de Saúde Bucal possuem a expertise necessária para que as pessoas com a doença sejam encaminhadas de maneira correta, evitando que elas percam tempo em filas de espera desnecessárias e pouco resolutivas. Finalmente, vale ressaltar que a manutenção da saúde bucal é essencial ao sucesso do tratamento, uma vez que ajuda a prevenir possíveis complicações.
Câncer Oral, Saúde da Família, Odontologia.
Daniela Mota Hespanha, Hipólito Oliveira Júnior, Pâmela Aparecida Diniz, Fernando Augusto Cervantes Garcia de Sousa