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O ombro é uma das articulações mais complexas do corpo humano e a de maior mobilidade, podendo ser sede de uma variedade de lesões, como: estiramentos, inflamação, fibroses, lesões do manguito rotador, associada ou não a degeneração articular. São várias as causas dos distúrbios do ombro, como o trauma, a hipovascularização na inserção do músculo supra- espinhoso, o impacto subacromial primário e o envelhecimento, que é a causa mais comum. Os distúrbios de ombro são raros antes dos 40 anos e aumentam proporcionalmente com o aumento da idade. As lesões de ombro, respondem por mais de 80% dos diagnósticos que resultaram em concessão de auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez pela Previdência Social. Entre eles, encontram–se: capsulite adesiva, síndrome do Manguito Rotador, tendinite biciptal e tendinite calcária do ombro. A reabilitação do complexo do ombro pode ser dividida em 4 fases: controle de inflamação e dor, restauração da amplitude articular, fortalecimento muscular e busca do equilíbrio dinâmico, trabalho de proprioceptivo da cintura escapular e do membro superior. Observando a grande demanda de encaminhamentos relacionados à esses distúrbios, e o tempo necessário para a reabilitação total, sentimos a necessidade de elaborar um projeto visando dar continuidade ao tratamento para este público no formato de grupo buscando reduzir a fila de espera e também desenvolver uma ficha de avaliação específica para identificar casos agudos e crônicos.
Foi oferecer um programa de tratamento em grupo facilitando as funções motoras para realizar as avds e melhoria na qualidade de vida de pacientes com lesões de ombro que incluem luxações, lesão do manguito rotador, bursites, tendinites Síndrome do impacto e capsulite adesiva, que saem do estágio agudo.
Inicialmente quando o paciente é acolhido no CRI, é realizada uma anamnese e avaliação inicial individual, através de uma ficha de avaliação específica para lesões de ombro, classificando a patologia em fase aguda ou crônica. Pacientes identificados na fase III e IV da reabilitação e crônicos são direcionados para o grupo, dando continuidade ao tratamento. Foram implantados dois grupos sendo, um no período no período matutino e no período da tarde (fevereiro de 2023), em formato de circuito, com aproximadamente 15 pacientes, que realizam exercícios de fortalecimento e alongamentos específicos para lesões de ombro durante 40 minutos. Após 10 meses de implantação dos grupos, os pacientes foram avaliados novamente no mês de Dezembro/2023 da seguinte forma: – Escala Visual Analógica – EVA: consiste em escore de aferição da intensidade de dor pelo paciente. Trata-se de uma 0 significa ausência total e 10 o nível de dor máxima suportável pelo paciente. – Pesquisa de Satisfação: realizada em dezembro de 2023 onde avaliamos: acolhimento, resultados obtidos, se houve melhora força, ADM, AVDs, autoestima, trocas de experiências, novas amizades ou então, não melhora e avaliação da estrutura física.
Foram coletados os dados em forma de questionário no início do grupo em fevereiro de 2023 e reaplicado da mesma forma em dezembro de 2023. Escala Visual Analógica – EVA: As queixas são representadas e interpretadas da seguinte forma: o número 0 representa sem dor, de 1 a 3 dor leve/fraca, 4 a 6 dor moderada, 7 a 9 dor forte e 10 dor insuportável. Em relação a Escala Visual Analógica que avalia a intensidade da dor, 50% dos usuários avaliados apresentaram dor insuportável e 50% apresentaram dor forte. Já em relação a avaliação da dor final, 68% relataram dor leve, 24% dor moderada e 8% sem dor. Pesquisa de Satisfação: Em relação ao acolhimento no CRI, 71% dos usuários se consideram extremamente satisfeitos e 29% satisfeitos. Já em relação a satisfação dos resultados obtidos pelo grupo, 52% se consideram extremamente satisfeitos e 48% satisfeitos. Quanto a melhora apresentada: 16% relatam aumento de força, 17% melhora na ADM, 20% AVDS, 17% relatam amizades novas, 16% melhora na auto estima, 16% troca de experiências. Quanto a estrutura física do CRI, 48% consideram extremamente satisfeitos, 29% satisfeitos, 19% pouco satisfeitos e 1,5% completamente insatisfeito.
A partir dos resultados encontrados nesta pesquisa, concluímos que a implantação dos grupos no CRI – Solo Sagrado para a reabilitação de lesões em ombro, foi uma experiência exitosa, alcançando o objetivo de melhoria da qualidade de vida dos pacientes, reinserção do paciente em suas atividades laborais e de vida diária, sendo que a pesquisa de satisfação apresentou que mais de 50% dos usuários se consideraram extremamente satisfeitos, além disso, houve redução da fila de espera para pacientes com lesões de ombro, tornando-se uma estratégia para promoção à saúde.
GRUPOS TERAPÊUTICOS
Marisa Cadão Martani, Nathália Henrique Garcia Bernardo, Simone Regina Firmino Rodrigues, Wanessa Castilho Vidotto