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A doença de Parkinson é um distúrbio degenerativo do sistema nervoso central que acomete, principalmente, o sistema motor. Sem causa conhecida, atinge mulheres e homens, geralmente a partir dos 50 anos de idade. É uma das condições neurológicas que mais acomete a população e, aparentemente, não está ligada a condições genéticas (Nitrini e Bacheschi, 1991; Gamboa et al., 2001). Pelas próprias condições dadas pela doença de Parkinson (rigidez e bradicinesia), do ponto de vista fonoaudiológico, as alterações na voz, articulação e deglutição podem ser comumente encontradas. Essas alterações podem comprometer consideravelmente a comunicação e alimentação do indivíduo parkinsoniano (Ramig et al., 1995; Ramig et al., 2001a; Cardoso et al., 2002; Schindler e Kelly, 2002; Oliveira et al., 2004). A alimentação do paciente passa a ter prejuízos quando ele começa a apresentar sintomas de disfagia. A disfagia orofaríngea é uma das complicações ocasionadas pela doença de Parkinson e é determinada por prejuízos no transporte do bolo alimentar resultantes do aumento do tempo de trânsito orofaríngeo ealterações na mobilidade laríngea (Volonte et al., 2002; Cardoso, 2003), podendo, também, estar associada às alterações funcionais em esfíncter esofágico inferior (Leopold e Kagel, 1997), comprometendo o estado nutricional e a qualidade de vida desses indivíduos em casos mais severos.
Identificar alterações fonoaudiológicas (na fala, voz e deglutição) dentre os pacientes da Academia da Saúde no Programa Raimunda Moura para Parkinsonianos da cidade de Atibaia.
Para esse estudo foram avaliados 28 idosos com Doença de Parkinson, pacientes do Programa Raimunda Moura para Parkinsonianos da cidade de Atibaia. Participaram 19 homens ( a maioria 67,85%) e 9 mulheres, com idade entre 60 e 82 anos, média de 64,4 anos com tempo médio de diagnóstico da patologia de três anos. Identificou-se que 42,85% dos participantes encontravam-se no Estágio I da doença, 50% encontravam-se no Estágio II da doença e 10,71% encontravam-se no Estágio III da doença. Para a avaliação das alterações Fonoaudiológicas nesses pacientes utilizou-se os Protocolos de avaliação da fala e voz – PADAF (Protocolo de Avaliação dos Distúrbios Adquiridos de Fala em Indivíduos com Doença de Parkinson – Presotto, Rieder e Olchik, 2018) para identificar as principais alterações na base motora de fala como alterações de ressonância, voz, prosódia e articulação e a escala FOIS (Functional Oral IntakeScale, 2005) escala funcional de avaliação de ingestão por via oral, identificando graus de disfagia dos pacientes. Os protocolos foram aplicados em sessões de 40 minutos onde se avaliava a fala, articulação, ressonância, respiração e a prosódia. Também foram avaliadas a motricidade oral de cada paciente, as diadococinesias, a mobilidade de lábios, língua e palato mole. Para avaliar a deglutição com o protocolo FOIS foi solicitado ao paciente ingerir água em copo de 200 ml, ingerir um alimento (fruta: banana) e realizou-se avaliação clínica da deglutição.
Em relação a cada estágio em que os pacientes se encontravam na doença de Parkinson foram encontradas as seguintes alterações fonoaudiológicas: disfonia, disartria e disfagias de leve a moderada. Entre os 12 pacientes que se encontravam no estágio I de Parkinson (42,8%), os doze (100%) apresentavam disfonia, seis deles (50%) apresentavam disartria, seis apresentavam disfagia leve (50%) e um apresentava disfagia moderada (0,08%). Com relação aos 14 pacientes avaliados e encontrados no estágio II de Parkinson (50% do total), dez deles apresentavam disfonia (71,42%), cinco apresentavam disartria (35,71%), três apresentavam disfagia leve (21,42%) e três, disfagia moderada (21,42%). Importante ressaltar que as porcentagens apresentadas são obtidas sobre os valores absolutos, não se levando em conta as possíveis concomitâncias existentes. Por fim, dois pacientes foram avaliados e encontrados no estágio III de Parkinson, sendo que ambos (100%) encontravam-se com disfagia moderada e disfonia.
De acordo com os resultados obtidos nas nossas avaliações concluímos que, quanto mais grave o estágio de Parkinson em que o paciente se encontra, maiores são as complicações de natureza fonoaudiológica; a disfonia é ocorrência em todos os estágios, o que explica alteração na laringe (rigidez na musculatura) em cerca de 90% dos pacientes. A alteração da deglutição é fator importante a ser considerado desde o estágio I de Parkinson, de forma a concentrar os esforços na prevenção de broncoaspirações prematuras. A participação da fonoaudiologia em uma equipe multidisciplinar no tratamento do Parkinson é imprescindível na detecção e tratamento dos males relacionados e na contribuição da qualidade de vida geral do paciente.
DOENÇA DE PARKINSON; AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA
Rose Mary Aparecida de Souza Berchol, Marcos Antonio de Moura, Dirce Sanches Rodrigues, Kátia Gouvêa Lousada, Luiz Arthur Moreira Nunes