Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O conceito de saúde sexual abrange a possibilidade da vivência da sexualidade sem que haja constrangimento, a decisão pela anticoncepção e a voluntariedade na maternidade. É importante notar que temas como a sexualidade geram polêmicas e, por isso, avançam lentamente devido a tabus e preconceitos. Além disso, a organização de instituições e práticas de saúde muitas vezes perpetua esse contexto, oferecendo atenção com baixa resolutividade e fragmentação do cuidado. Há uma maior atenção a queixas clínicas direcionadas ao público feminino, com foco em ações curativas em detrimento de ações preventivas e de promoção da saúde sexual e reprodutiva (Telo; Witt, 2016) . Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS) , saúde sexual é o estado de bem-estar físico, emocional, mental e social relacionado à sexualidade e não se refere à mera ausência de doenças, disfunções ou enfermidades. É um conceito amplo que valoriza o desenvolvimento de uma sexualidade saudável, a aceitação do corpo, o respeito aos próprios limites e desejos, e o estabelecimento de relacionamentos saudáveis. Considerando a jovem população do território do Habiteto e a incidência de gestações na adolescência e não planejadas, em diferentes ciclos de vida, elaborou-se uma intervenção que pode ser reproduzida em diferentes partes do território, abrangendo aspectos da saúde de forma mais ampla.
Com o objetivo geral de desmitificar a saúde no território em diferentes dispositivos sociais, com objetivos específicos em quatro eixos temáticos, tais como: Autoconhecimento – Mente e Corpo: Proporcionar o autoconhecimento do corpo e da mente como parte da educação sexual e fortalecer a autonomia e o respeito pelos próprios limites e desejos; Em Saúde Bucal: Incluir a higiene oral como parte da educação sexual além de destacar a importância da saúde bucal para a saúde geral e relacionada à sexualidade; Prevenção da Gravidez Não Planejada: Enfatizar a importância das informações sobre métodos contraceptivos reversíveis e irreversíveis e facilitar o acesso a serviços de saúde para aconselhamento e suporte durante a gravidez não planejada; Prevenção de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis): Conscientizar sobre as ISTs, incluindo suas formas de transmissão e prevenção. Promover o uso de preservativos e a importância de testes regulares para ISTs.
Diante de uma perspectiva metodológica, o presente estudo adota uma abordagem qualitativa descritiva, configurando-se como um relato de experiência. O autor expressa vivências através da narrativa, fornecendo conhecimento com embasamento científico. O foco é a educação sexual, métodos contraceptivos, infecções sexualmente transmissíveis, saúde bucal e autoconhecimento do corpo e mente. O público-alvo inclui adolescentes de ambos os sexos, com idades entre 12 e 16 anos da Pastoral do Menor, e mulheres em idade reprodutiva acompanhadas no CRAS. Palestras e dinâmicas foram conduzidas pelo enfermeiro residente da unidade e equipe eMulti Norte, composta por psicóloga, farmacêutica, fisioterapeuta, além de profissionais convidadas, como a cirurgiã dentista da USF Aparecidinha e a enfermeira da USF Sabia. As atividades abordaram temas como a desmitificação da saúde sexual, dinâmicas sobre o contágio de ISTs, orientações sobre saúde íntima, demonstração correta da técnica de escovação, uso adequado do fio dental, distribuição de folhetos informativos, jogos de mitos e verdades sobre escovação e alimentação, ressaltando a importância de práticas diárias. A metodologia visou promover a saúde e fortalecer o conhecimento da população, contribuindo para a redução de problemas de saúde pública e melhoria da qualidade de vida. Importante ressaltar que, como se trata de um relato de experiência, não houve necessidade de submissão e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.
No primeiro dia, realizamos dinâmicas e discussões sobre a cadeia de transmissão. Os participantes demonstraram bom entendimento do tema, mas ao abordarem suas experiências pessoais, mostraram confusão e logo se dispersaram. Durante a sessão sobre saúde bucal, eles se envolveram mais, e na última parte, que tratou da saúde física e mental, conseguiram realizar a meditação, experimentando uma notável consciência corporal. No segundo dia, ao trabalharmos com o grupo mais jovem na Pastoral, conduzimos conversas sobre sexo seguro e higiene íntima, dividindo-os por gênero para evitar constrangimentos. Também discutimos saúde bucal, mental e física. Houve uma boa conexão entre os jovens, que ficaram agitados de início, mas conseguiram relaxar com a meditação e a conscientização corporal, expressando o desejo de participar de mais experiências assim. Na segunda semana, a terceira ação foi focada em mulheres adultas. Este grupo se destacou por sua forte conexão com o conteúdo, absorvendo as informações e participando de diálogos significativos com os profissionais. Foi possível discutir o papel da mulher na família e na sociedade, bem como abordar as diferentes relações, muitas vezes abusivas, nas quais podem estar envolvidas. Ao final de cada ação, pedimos aos participantes que registrassem suas experiências, que descreveram como boa, legal, relaxante e leve. Em resumo, obtivemos resultados positivos, especialmente na redução da ansiedade e no aumento do autoconhecimento.
Nossos esforços na promoção da saúde sexual e reprodutiva renderam resultados substanciais. Superando tabus e desinformação, nossa intervenção proporcionou conhecimento e empoderamento a várias faixas etárias. Através de dinâmicas, palestras e discussões, criamos um ambiente acolhedor e educativo, gerando conscientização sobre questões de saúde sexual. As atividades diversificadas impactaram positivamente os participantes. Desde o entendimento das ISTs até o incentivo ao autoconhecimento. A participação multidisciplinar de profissionais, incluindo enfermeiros, cirurgiã-dentista, psicólogo, farmacêutica e fisioterapeuta, enriqueceu a abordagem. Valorizamos as contribuições dos jovens e mulheres envolvidos, cujas reflexões finais enriqueceram nossa compreensão. Embora tenhamos alcançado sucesso, reconhecemos oportunidades de melhoria e expansão futura para beneficiar mais pessoas.
saúde sexual, adolescência, território
MARIANA NASCIMENTO FERREIRA DA SILVA, DANIEL VISENTIN DE MORAES FERREIRA, Ana Célia Carone Mayrink, Gabrielly Silva Ramos, Rafael Martins Barbosa Campos, Thalita Nunes Oliveira Marcos