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O atendimento a profissionais do sexo é uma ação do Centro de Testagem e Aconselhamento/Serviço de Assistência Especializada (CTA/SAE) para atingir as populações vulneráveis, e tem sido um desafio para o serviço de saúde. Em 2023, iniciamos a reestruturação dos serviços desse equipamento, para que as políticas públicas fossem efetivadas para a população vulnerável e elegível. Com isso foi criado o programa “Saúde pras Monas, Minas, Manas e Manos” com ações específicas de testagem para sorologia em locais e horários diversos, orientação sobre os serviços de saúde ofertados no CTA/SAE, oferta da Profilaxia Pré-exposição (PrEP), Profilaxia Pós-Exposição (PeP) e tratamento, que atinjam esse público em seus locais de trabalho. As políticas de Estado vêm se empenhando, no decorrer da história, em regular, proibir ou tolerar as atividades dos profissionais do sexo no mundo e no Brasil. Esse preconceito e incoerência da sociedade e da regulamentação da profissão tem se apresentado como barreira, dificultando ações direcionadas a essa população vulnerável em todos os aspectos da saúde. No que se refere a prevenção e tratamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) nas políticas públicas de saúde, esse panorama demonstra maiores tentativas de organização sistemática, mas o preconceito social ainda dificulta o alcance e a adesão dos profissionais do sexo aos programas de prevenção, promoção e até tratamento de saúde.
Ampliar o acesso aos serviços de saúde, estendendo os locais e horários de atendimento. Os profissionais do sexo, em maioria, realizam suas atividades no período noturno. Portanto, a equipe técnica foi sensibilizada para ofertar os serviços de testagem para sorologias, métodos de prevenção e tratamento nos locais identificados como ponto de aglomeração desses profissionais, com o objetivo apresentar um serviço de saúde acolhedor, inclusivo e que se molda a um novo formato de trabalho para alcançar a população mais vulnerável a contaminação pelas IST.
Atuação da equipe do CTA/SAE em parceria com os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), identificando os profissionais do sexo, onde atuam e residem. Durante os contatos nas casas noturnas, foram identificados locais de prostituição para disponibilizar folhetos sobre prevenção das IST e as atividades do CTA/SAE. Foram mapeados cinco locais onde os profissionais do sexo atuam e instalados dispensadores de preservativos e lubrificantes. Em novembro, a ação Saúde pras Monas foi realizada no CAPS Adulto, em local próximo ao ponto de prostituição para atuar junto a mulheres trans profissionais do sexo. No dia da ação, dois profissionais de saúde ofereceram ações disponíveis e uma Van realizou o transporte até o local do evento. Foram realizadas testagem rápida em HIV, Sífilis, Hepatites B e C, Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de Risco à Infecção pelo HIV, prescrição de exames e tratamento medicamentoso das IST. Foram oferecidas também orientações sobre redução de danos e saúde mental. A continuidade do tratamento dos casos de sífilis detectados foi realizada em parceria com a UBS do local de residência. Em dezembro, foi realizada a ação Saúde pras Minas, onde o ônibus da saúde se posicionou em local próximo a uma casa de prostituição para atendimento das mulheres cis profissionais do sexo. Além das ações oferecidas, houve a coleta de Papanicolau. Essas ações são realizadas bimestralmente em todos os locais mapeados.
Os resultados do programa Saúde pras Monas, Minas, Manas e Manos indicam avanços significativos nas ações de saúde voltadas aos profissionais do sexo, enfatizando a prevenção e o tratamento das IST. As ações de saúde em locais estratégicos foram eficazes na ampliação do acesso aos serviços de saúde para esta população vulnerável. A colaboração com as UBS resultou em uma abordagem integrada que facilitou a continuidade do tratamento e promoveu maior adesão aos serviços oferecidos. A realização de eventos específicos, como a ação Saúde pras Monas e Saúde pras Minas, proporcionou testagens rápidas para HIV, sífilis, Hepatites B e C, além do acesso a PrEP e tratamentos necessários, alcançando o público-alvo em seus ambientes. A distribuição de preservativos e lubrificantes, juntamente com ações educativas, reforçou a importância da prevenção das IST. A abordagem inovadora do projeto, que levou serviços de saúde diretamente aos locais de trabalho dos profissionais do sexo, adaptou os horários de atendimento às rotinas para superar as barreiras de acesso. Esse esforço conjunto evidenciou melhora na percepção dos serviços do CTA/SAE, promovendo um ambiente mais inclusivo e acolhedor. Os resultados apontam para a eficácia de uma abordagem integrada, capaz de atender às necessidades específicas das populações vulneráveis, ampliando o acesso à saúde e proporcionando maior qualidade de vida.
Estão sendo aprimoradas estratégias de divulgação e abordagem da população alvo para alcançar melhores resultados nas próximas intervenções. A adesão à continuidade do tratamento, aos encaminhamentos e exames solicitados foram dificuldades encontradas e é preciso refletir sobre estratégias efetivas para esse perfil de população. Ampliar acesso para a população mais vulnerável é desafiador, pois, nem sempre as ações rotineiras se enquadram para esse público diverso, versátil, vulnerável e carente de informação, acesso e apoio. A participação da equipe multiprofissional foi fundamental para a construção sólida dessa ação e proporcionou um ambiente de saúde inclusivo e preparado para as diversas demandas. Olhar e incluir a população de profissionais do sexo sendo eles cis ou trans, mostra o quanto esta ação tem ampliado não apenas os acessos, mas fazendo valer a equidade no SUS.
prep, pep, profilaxia, promocaodesaude, ist, cta
Andreza Almeida Ramos, Helena Carvalho Lucchino, Ariane Bacarini Menegatti, Patrícia Santana Rodrigues Santos