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O diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1 (DM1) em crianças e adolescentes representa um grande desafio para as famílias e para os serviços de saúde. O tratamento exige mudanças intensas na rotina e depende fortemente da adesão e compreensão do paciente e seus cuidadores. Diante da complexidade do manejo clínico e educacional do DM1, especialmente em um cenário ambulatorial público, o Programa Educativo em Diabetes: Cuidando Juntos (PED-CJ) surgiu como uma proposta inovadora, multiprofissional e sistematizada, desenvolvida no ambulatório de especialidades pediátricas do município de Guarulhos, com início em abril de 2025 e previsão de encerramento em novembro do mesmo ano. A ausência de programas sistematizados voltados para a educação em diabetes infantojuvenil no município foi um dos principais motivadores para a criação da proposta, além da constatação, em campo, de baixa adesão ao tratamento, desconhecimento sobre o autocuidado e elevada sobrecarga emocional dos cuidadores principais (em sua maioria mães). A proposta está alinhada aos princípios do SUS (universalidade, integralidade, equidade e participação social), e fundamenta-se em diretrizes nacionais e internacionais como as da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024), ISPAD (2022) e o Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde, 2014).
Capacitar crianças, adolescentes e seus familiares para o autocuidado no diabetes, promovendo o conhecimento, o protagonismo e o suporte emocional através de encontros educativos multiprofissionais que abordam os sete comportamentos do autocuidado em diabetes.
A proposta do PED-CJ estrutura-se em sete encontros mensais, realizados no ambulatório da criança, com duração média de 90 minutos cada, conduzidos por diferentes profissionais da equipe multiprofissional (nutricionista, endocrinologista, enfermeiros, psicólogas, assistente social e educador físico), cada um responsável por um dos comportamentos do autocuidado: comer saudavelmente, tomar medicamentos, fazer exercícios físicos, vigiar as taxas, reduzir riscos, resolver problemas e adaptar-se saudavelmente. Os encontros são planejados com metodologias ativas e abordagem lúdica, especialmente adaptadas ao público infantojuvenil e seus cuidadores. Entre as estratégias utilizadas destacam-se: roda de conversa, dinâmicas em grupo, quizzes interativos, atividades práticas com alimentos cenográficos, desafios semanais, recursos visuais como slides, painéis e avaliações com emojis. Até setembro de 2025, já haviam sido realizados cinco encontros regulares e um encontro extra em alusão ao Junho Marrom, mês de sensibilização sobre o cuidado com o diabetes. •Em abril, o tema inicial foi alimentação saudável, conduzido pelos nutricionistas. Em maio, abordou-se uso de medicamentos e adesão ao tratamento, conduzido pela endocrinologista. Em julho, o tema foi fazer exercícios físicos. Em agosto, o tema foi vigiar as taxas, conduzido pela endocrinologista e pela equipe de enfermagem. Em setembro, o tema foi reduzir riscos, abordado pela endocrinologista e pela assistente social.
Os encontros realizados até o momento geraram impacto positivo na rotina do serviço e na adesão dos pacientes. Houve aumento da frequência e participação dos usuários nas atividades propostas. O vínculo entre equipe e pacientes foi fortalecido, e relatos espontâneos indicam maior engajamento familiar e compreensão sobre o papel da alimentação, da insulina e do monitoramento glicêmico. As atividades práticas e interativas permitiram avaliar que os pacientes e cuidadores conseguem compreender conceitos complexos como índice glicêmico e contagem de carboidratos quando apresentados de forma visual e contextualizada. Além disso, observou-se a participação ativa de adolescentes que, em outros contextos, mostravam-se desinteressados ou resistentes ao tratamento. A construção de vínculo com os cuidadores principais também se destacou como um dos principais ganhos do programa, proporcionando um espaço de escuta, troca de vivências e acolhimento. Ainda não foi possível mensurar desfechos clínicos como redução da hemoglobina glicada ou internações, por se tratar de um programa ainda em andamento. Contudo, os resultados iniciais apontam um potencial transformador na abordagem do diabetes pediátrico no município.
O PED-CJ representa uma proposta inovadora de cuidado e educação em diabetes voltada ao público infantojuvenil, com grande potencial de transformação no modelo de atenção em saúde. Seu diferencial está na abordagem lúdica, prática e multiprofissional, adaptada à realidade ambulatorial e à complexidade do tratamento do DM1. A experiência reforça a importância de espaços educativos contínuos e acolhedores como estratégia de fortalecimento do cuidado integral, da corresponsabilização e da autonomia de pacientes e familiares. Para o futuro, espera-se consolidar o programa como política permanente do serviço, ampliar a cobertura e, com os dados clínicos obtidos até o final do ano, realizar nova submissão com análise de impacto em indicadores de saúde.
Diabetes Tipo 1, Educação em Saúde.
GILBERTO DE ALMEIDA GOMES, MÁRCIA MARIA MARIANO PEREIRA FREZ, VÂNIA NUNES BASTOS GAMBERINI, SILVANA ALLARA, DAYANE THAIS TRONCOZO VILLCA, MICHELE RODRIGUES, MÁRCIO FERNANDO DA SILVA