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A Vigilância em Saúde (VS) constitui a base estruturante para o planejamento e a execução das ações voltadas à proteção e promoção da saúde coletiva. Inserida nesse escopo, a Vigilância Epidemiológica (VE) desempenha papel essencial na detecção, monitoramento e controle de doenças e agravos que impactam a população. No município de Guarulhos, o Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) atua como instância coordenadora dessas ações, garantindo resposta oportuna frente a situações de relevância em saúde pública. Em reconhecimento à importância do ambiente hospitalar como espaço estratégico para a identificação precoce de eventos adversos e doenças emergentes, o Ministério da Saúde instituiu, por meio da Portaria GM/MS nº 1.693/2021, a Vigilância Epidemiológica Hospitalar (VEH). Essa norma definiu as atribuições dos Núcleos Hospitalares de Epidemiologia (NHE) e estruturou a Rede Nacional de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (RENAVEH), responsável por promover o intercâmbio de informações. A RENAVEH, por meio de suas unidades sentinelas, atua em estreita articulação com as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e os Núcleos de Segurança do Paciente (NSP), consolidando a vigilância como eixo estratégico da segurança assistencial. Com este foco, o núcleo municipal da VEH implantou em 2023 o monitoramento sistemático do perfil microbiológico, com o objetivo de identificar padrões e tendências de resistência antimicrobiana nos serviços hospitalares.
Implementar um sistema de monitoramento contínuo do perfil microbiológico nos hospitais de Guarulhos, visando a detecção de microrganismos e/ou padrões de resistência emergentes e fortalecimento da vigilância epidemiológica.
Desde 2023, foram incorporadas planilhas do Google sheets padronizadas, preenchidas mensalmente pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) dos hospitais, contendo dados de microrganismos isolados e seus perfis de resistência, identificados em amostras coletadas de qualquer sítio de pacientes admitidos em setores assistenciais (pronto socorro, clínica médica, clínica cirúrgica, clínica pediátrica, centro cirúrgico e UTIs – adulto, pediátrica e neonatal). No ano em que as planilhas foram implantadas o município contava com 13 hospitais (3 públicos municipais, 2 públicos estaduais, 2 filantrópicos e 6 privados) e em 2024 o município contava com 14 hospitais, destes 3 públicos municipais, 2 públicos estaduais, 2 filantrópicos e 7 privados (sendo que um serviço iniciou suas atividades em outubro de 2024). Esses registros foram analisados pela equipe de VEH Municipal mensalmente que realizou devolutivas imediatas, questionando inconsistências, interpretando achados e orientando condutas frente a microrganismos de relevância clínica.
Em 2023, foram identificados 5.427 microrganismos, distribuídos da seguinte forma: 2.241 (41,3%) Gram-positivos, 2.853 (52,6%) Gram-negativos e 333 (6,1%) fungos. No grupo dos Gram-positivos, Enterococcus spp. representaram 12,9%, dos quais 18,7% apresentaram resistência à vancomicina. O gênero Staphylococcus correspondeu a 87,1%, sendo 22,1% identificados como S. aureus, dos quais 49,5% demonstraram resistência à oxacilina, sem detecção de resistência à vancomicina. Quanto aos Gram-negativos, observou-se resistência a carbapenêmicos em 19,2% dos casos, a cefalosporinas de 3ª e 4ª geração em 18,8%, e à polimixina em 0,46%. Entre os fungos, as espécies do gênero Candida foram predominantes. Ressalta-se que dois hospitais não forneceram dados consistentes durante o primeiro ano de implementação. Em 2024, o registro totalizou 7.788 microrganismos, com a seguinte distribuição: 2.997 (38,5%) Gram-positivos, 4.378 (56,2%) Gram-negativos e 413 (5,3%) fungos. No que concerne aos Gram-positivos, Enterococcus spp. representaram 12,7%, dos quais 18,7% exibiram resistência à vancomicina. O gênero Staphylococcus constituiu 87,3% do total, sendo 19,1% S. aureus, dos quais 49% apresentaram resistência à oxacilina, sem identificação de resistência à vancomicina. Em relação aos Gram-negativos, a resistência a carbapenêmicos foi observada em 26,5%, a cefalosporinas de 3ª e 4ª geração em 15,7%, e à polimixina em 0,8%. As espécies do gênero Candida mantiveram sua predominância entre os fungos.
Em um cenário de crescente ameaça por microrganismos multirresistentes, o monitoramento do perfil microbiológico local não é apenas uma ferramenta técnica, mas uma necessidade imprescindível para garantir práticas assistenciais seguras e fortalecer a vigilância epidemiológica. O trabalho de monitoramento tem proporcionado avanços na identificação do perfil de resistência bacteriana no município. A equipe municipal da RENAVEH mantém um acompanhamento mensal rigoroso dos dados e já observa uma melhora significativa no preenchimento das planilhas pelas SCIH dos serviços. Essa prática exitosa, viabilizada pela adoção da planilha padronizada de monitoramento, não só possibilitou a geração de dados gerais de resistência para todo o município, como também permitiu a análise detalhada do perfil microbiológico em setores específicos dentro dos serviços hospitalares.
Microbiológico, Perfil, Resistência Padrão
ARIANE DE FREITAS BUNHOLA, PAULA ANDRADE ALVARES, ALESSANDRA GARIBALDI BERTOLASSI PEREIRA, BEATRIZ SOFIA ESTEVES