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O transtorno de acumulação compulsiva caracteriza-se pela dificuldade persistente de descartar objetos, resultando em acumulo excessivo de materiais que comprometem a funcionalidade dos domicílios e favorecem a proliferação de vetores, animais sinantrópicos e peçonhentos, configurando importante agravo à saúde coletiva. Essa condição também está associada a vulnerabilidades psicossociais, demandando abordagem ampliada do cuidado, conforme os princípios da integralidade e intersetorialidade preconizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No município de Itapeva-SP, a experiência teve início em março de 2019, diante do aumento de denuncias relacionadas à insalubridade domiciliar e riscos epidemiológicos. A iniciativa foi organizada pela Vigilância em Saúde através da Vigilância Ambiental em articulação com a Atenção Básica, Assistência Social e Serviços Urbanos, visando estruturar fluxo municipal para atendimento desses casos.Tendo como desafio inicial o trabalho integrado da rede e a compreensão ao cuidado desta demanda diante das situações apresentadas A experiência beneficiou diretamente indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social e contribuiu para a proteção da saúde da comunidade, fortalecendo ações de Vigilância Ambiental e promoção da saúde no território.
Promover melhoria das condições sanitárias e da qualidade de vida de pessoas em situação de acúmulo compulsivo por meio de ações intersetoriais no território. Como objetivos específicos, buscou-se reduzir riscos epidemiológicos relacionados à presença de vetores e animais sinantrópicos, desenvolver estratégias de abordagem humanizada centrada no usuário, realizar intervenções ambientais nos domicílios afetados, fortalecer a articulação entre serviços municipais e implementar acompanhamento contínuo dos casos visando prevenção de reincidências.
Trata-se de relato de experiência desenvolvido no município de Itapeva-SP, fundamentado nos princípios da Vigilância em Saúde territorial e da atuação intersetorial. Inicialmente foi estruturado fluxo municipal de atendimento por meio de reuniões técnicas envolvendo diversas secretarias da rede: Vigilância Ambiental, Atenção Básica, Assistência Social, Administrações Regionais, Jurídico e Serviços Rurais. A identificação dos casos ocorreu por meio de denuncias protocoladas na Vigilância Ambiental e CRAS através da população. Após identificação, realizava-se visita domiciliar multiprofissional para avaliação sanitária, social e ambiental, seguida da elaboração de plano de intervenção compartilhado entre os serviços envolvidos. As ações incluíram orientação, aceitação de limpeza através de termo assinado pelo morador para execução da limpeza, remoção de resíduos sólidos com apoio da Cooperativa de Coleta Seletiva, fiscal da Vigilância Ambiental, serviços urbanos e coordenadores de CRAS para acompanhamento social e psicológico quando necessário. Posteriormente, foram realizadas visitas periódicas para monitoramento e manutenção das melhorias alcançadas.
Em acompanhamento aproximadamente casos mais complexos sendo10 famílias em diferentes territórios do município. As intervenções possibilitaram a remoção de cerca de 20 caminhões de resíduos sólidos acumulados nos domicílios. Observou-se melhora significativa na qualidade de vida do individuo acometido pela condução visivelmente notadas por registros fotográficos,pelas condições sanitárias e ambientais, redução da presença de vetores e animais sinantrópicos e diminuição dos riscos à saúde coletiva. Também houve fortalecimento do vínculo entre equipes multiprofissionais e usuários, favorecendo adesão às orientações e continuidade do acompanhamento. A experiência possibilitou a organização de fluxo intersetorial estruturado, ampliando a resolutividade dos serviços municipais e qualificando as ações de vigilância em saúde no território.
A experiência demonstrou que o enfrentamento do acúmulo compulsivo exige abordagem integrada, humanizada e centrada no território, alinhada aos princípios do SUS. A articulação entre Vigilância em Saúde, Atenção Básica e Assistência Social mostrou-se fundamental para efetividade das intervenções e sustentabilidade dos resultados. Destaca-se que o acompanhamento longitudinal dos casos é essencial para prevenção de reincidências e manutenção das melhorias sanitárias alcançadas. A experiência contribuiu para qualificação do processo de trabalho das equipes e fortalecimento das ações de Vigilância Ambiental. Como perspectiva futura, ressalta-se a necessidade de ampliar estratégias educativas, qualificar continuamente as equipes multiprofissionais e consolidar o fluxo de atendimento como política permanente municipal, favorecendo a replicabilidade da experiência em outros territórios.
Acúmulo compulsivo,Intersetorialidade,
JULIANA FERREIRA CARVALHO