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Este relato de experiência descreve ações comunitárias desenvolvidas ao longo de 2025 em uma unidade básica de saúde localizada no distrito da Brasilândia, zona Norte do município de São Paulo, território marcado por elevada vulnerabilidade social, ocupação desordenada e precariedade de infraestrutura urbana. O objetivo foi relatar as experiências vivenciadas durante ações de prevenção e controle da dengue e demais arboviroses, por meio da aproximação com a população e da disseminação de orientações educativas. Foram realizadas 57 ações de busca ativa de criadouros, com orientações sobre eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti e práticas preventivas nos domicílios. Como estratégia de educação em saúde, utilizou-se a música como recurso lúdico, com a produção de quatro paródias autorais. Os resultados evidenciaram maior engajamento comunitário, fortalecimento do vínculo entre equipe e população e ampliação da compreensão das medidas preventivas.
Relatar as experiências vivenciadas durante a realização das ações comunitárias ao longo do ano de 2025, estando ainda mais próximo da nossa população, com o intuito de escutar as principais dificuldades enfrentadas no cotidiano, bem como divulgar e disseminar orientações voltadas à prevenção e ao controle da dengue e demais arboviroses.
A dengue é uma doença transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, que encontra condições favoráveis de reprodução em ambientes urbanos, especialmente em recipientes que acumulam água parada, com destaque para o interior dos domicílios. Dessa forma, a eliminação de criadouros constitui a principal estratégia de prevenção e controle da doença. Diante desse cenário, foram realizadas 57 ações de busca ativa de criadouros de dengue e outras arboviroses, prioritariamente em áreas de ocupação irregular e territórios de extrema vulnerabilidade social. Durante as ações, a população foi orientada quanto às principais medidas preventivas, incluindo: preenchimento dos pratos de vasos de plantas com areia; descarte adequado de tampinhas, latinhas e embalagens plásticas, mantendo materiais recicláveis protegidos da chuva; armazenamento de latas, baldes e frascos com a boca para baixo; manutenção de caixas d’água devidamente tampadas e sem rachaduras ou protegidas com tela tipo mosquiteiro; destinação correta de pneus, mantendo-os furados ou em locais cobertos; cobertura ou descarte adequado de entulhos e sobras de obras, inclusive por meio da Operação Cata-Bagulho; e cuidados especiais com plantas que acumulam água, orientando-se a rega apenas no solo. Essas ações permitiram não apenas a eliminação de focos potenciais do vetor, mas também o fortalecimento da educação em saúde e da corresponsabilização da população no enfrentamento dengue e demais arboviroses.
As ações comunitárias possibilitaram maior aproximação entre a equipe de saúde e a população do território, favorecendo a escuta qualificada das principais dificuldades vivenciadas no cotidiano. Como estratégia de educação em saúde, utilizou-se a música como recurso lúdico-pedagógico, visando ampliar o engajamento da comunidade. Foram produzidas quatro músicas autorais, elaboradas a partir de paródias de canções conhecidas e de grande aceitação popular, com o objetivo de divulgar e disseminar orientações relacionadas à prevenção da dengue e demais arboviroses de forma leve, acessível e empática. Essa abordagem contribuiu para tornar o processo educativo mais participativo, fortalecendo o vínculo com a população e potencializando a compreensão das medidas preventivas.
As ações comunitárias realizadas ao longo de 2025 evidenciaram que o enfrentamento da dengue e demais arboviroses está diretamente relacionado às condições sociais, ambientais e territoriais da população. O contexto de vulnerabilidade social, caracterizado pela ocupação desordenada, precariedade do saneamento básico e deficiência de infraestrutura urbana, favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Nesse cenário, a atuação da Atenção Básica mostrou-se fundamental, não apenas na eliminação de criadouros, mas principalmente na promoção da educação em saúde e no fortalecimento do vínculo entre equipe e comunidade. A aproximação com os moradores possibilitou uma escuta qualificada e intervenções mais adequadas à realidade local. Destaca-se o uso de estratégias educativas inovadoras, como a música, que contribuiu para maior engajamento da população e melhor compreensão das orientações preventivas. Conclui-se que o controle efetivo das arboviroses depende de ações contínuas, intersetoriais e participativas, envolvendo poder público, serviços de saúde e comunidade.
arboviroses
CRISTIAN REGINA REYES KURY, LETICIA CABRAL ALVARADO BEJAS, RAIROND CERACINE PAULINO, RENATA BORGES FARIA