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A adesão ao pré-natal constitui um dos principais desafios para a qualificação da atenção materno-infantil no SUS. Apesar do avanço nos indicadores de cobertura e no número de consultas realizadas, persistem fragilidades relacionadas à qualidade do cuidado, evidenciadas pelo início tardio do acompanhamento, pela baixa realização de exames no tempo oportuno e por dificuldades no acolhimento e na organização da linha de cuidado. No município de Osasco (SP), esse cenário revela um paradoxo: elevados percentuais de gestantes com sete ou mais consultas contrastam com baixa efetividade clínica do pré-natal, especialmente quanto à realização dos exames essenciais até a 20ª semana de gestação. Diante dessa realidade, foi desenvolvida uma experiência exitosa no Hospital e Maternidade Municipal Amador Aguiar, articulada à Atenção Primária à Saúde, tendo como eixo central a escuta qualificada das mulheres. As narrativas das gestantes permitiram identificar barreiras no acesso, no vínculo com os serviços e na compreensão do cuidado ofertado. Esses achados subsidiaram ações de sensibilização dos profissionais da Atenção Primária, promovendo reflexão crítica sobre acolhimento, práticas assistenciais e corresponsabilização no cuidado. A iniciativa reforça que a adesão ao pré-natal vai além da presença nas consultas, estando diretamente relacionada à escuta das mulheres e à capacidade dos serviços em transformar essa escuta em práticas mais humanizadas, equânimes e resolutivas no SUS.
Objetivo Geral Promover a qualificação da adesão ao pré-natal no município de Osasco, a partir da escuta das mulheres, utilizando seus relatos como instrumento de sensibilização dos profissionais da Atenção Primária à Saúde para o fortalecimento do acolhimento, do vínculo e da efetividade do cuidado. Objetivos Específicos •Identificar, a partir da escuta das gestantes e puérperas, os principais fatores que interferem na adesão ao pré-natal. •Analisar as barreiras relacionadas ao acesso, acolhimento e organização dos serviços de saúde no acompanhamento pré-natal. •Sensibilizar os profissionais da Atenção Primária à Saúde sobre a importância da escuta qualificada e da dimensão psicossocial da gestação. •Estimular a reflexão crítica das equipes sobre práticas assistenciais e corresponsabilização no cuidado pré-natal. •Contribuir para a qualificação do cuidado materno-infantil, alinhando as práticas às diretrizes da Rede Alyne e protocolos municipais.
Trata-se de um relato de experiência de caráter aplicado, desenvolvido no HMAA, em articulação com a APS do município de Osasco, que teve como eixo metodológico a escuta qualificada das mulheres como estratégia para compreender os fatores que influenciam a adesão ao pré-natal e subsidiar ações de sensibilização dos profissionais da APS. A escuta das gestantes e puérperas ocorreu por meio de questionários estruturados e entrevistas semiestruturadas, realizadas no pós-parto, contemplando aspectos relacionados ao acesso aos serviços, acolhimento, vínculo com as equipes e realização do acompanhamento pré-natal. Paralelamente, foram analisados dados institucionais e documentos normativos, com o objetivo de contextualizar os achados à realidade local. Os relatos das mulheres foram sistematizados e organizados em eixos temáticos, permitindo a identificação das principais barreiras e potencialidades do cuidado pré-natal. A partir dessa análise, foram realizadas ações de devolutiva e sensibilização junto aos profissionais da APS, por meio de encontro educativo e espaço de reflexão coletiva sobre práticas assistenciais, acolhimento e corresponsabilização no cuidado. A metodologia adotada valorizou a participação ativa das mulheres e das equipes, fortalecendo o diálogo entre os diferentes pontos da rede de atenção e promovendo a transformação dos achados em estratégias concretas de qualificação do cuidado pré-natal, alinhadas às diretrizes da Rede Alyne e às políticas locais de saúde.
A escuta qualificada das gestantes e puérperas permitiu identificar fatores relevantes que interferem na adesão ao pré-natal, relacionados principalmente ao acolhimento, à organização dos serviços, ao acesso aos exames e à qualidade do vínculo com as equipes de saúde. Os relatos evidenciaram que, embora as mulheres reconheçam a importância do pré-natal, muitas vivenciaram dificuldades para iniciar o acompanhamento no tempo oportuno e para realizar os exames essenciais durante a gestação. A sistematização das narrativas possibilitou dar visibilidade às experiências das mulheres, tornando-as instrumento central para reflexão das equipes. Como resultado, observou-se maior sensibilização dos profissionais da APS quanto à importância da escuta, do acolhimento e da corresponsabilização no cuidado pré-natal, ampliando a compreensão sobre as vulnerabilidades sociais e emocionais que impactam a adesão. A oficina de indicadores tendo o pré-natal como foco, favoreceu a mudança no olhar das equipes sobre o cuidado ofertado, fortalecendo práticas mais humanizadas, melhoria da comunicação com as gestantes. A experiência também contribuiu para o fortalecimento do diálogo entre a APS e a maternidade, estimulando a articulação da rede e a reflexão sobre fluxos e processos de trabalho. Como resultado destaca-se o reconhecimento da escuta das mulheres como ferramenta potente de qualificação do cuidado, capaz de promover mudanças nas práticas assistenciais e fortalecer a adesão ao pré-natal.
A experiência demonstrou que a adesão ao pré-natal vai além da presença nas consultas, estando diretamente relacionada à qualidade do cuidado, ao acolhimento e à escuta das mulheres. Valorizar as narrativas das gestantes como instrumento de qualificação do cuidado permitiu compreender barreiras persistentes e promover mudanças no olhar e nas práticas das equipes de saúde. A utilização da escuta como estratégia de sensibilização mostrou-se potente para fortalecer o vínculo profissional-usuária, qualificar os processos de trabalho e fomentar práticas mais humanizadas. A experiência reforça a importância de institucionalizar espaços permanentes de escuta e educação em saúde, contribuindo para a reorganização do cuidado pré-natal, alinhada às diretrizes da Rede Alyne e aos princípios do SUS.
Pré-natal, Saúde Materno-Infantil, Acolhimento.
CYNTHIA LIMA ROSSETTI, ANA CLARA DANTAS GOMES DE CASTRO, SILVIA HELENA BASTOS DE PAULA