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No cotidiano do CAPS Infanto Juvenal (IJ) Ermelino Matarazzo observavam-se dificuldades significativas entre adolescentes relacionadas à expressão de sentimentos, isolamento social, fragilização de vínculos e baixa participação em atividades coletivas. Muitos jovens demonstravam resistência às abordagens tradicionais de cuidado em saúde mental, centradas no atendimento clínico individual, além de apresentarem poucas perspectivas em relação à escolarização, projetos de vida e mundo do trabalho. Diante desse cenário, identificou-se a necessidade de estratégias que dialogassem com os interesses juvenis, favorecessem a convivência e estimulassem o protagonismo. O Jornal Ermelindos surge como resposta a essa situação-problema, utilizando a produção coletiva de um jornal como ferramenta de escuta, expressão, socialização e promoção da saúde mental, alinhada aos princípios do SUS e da RAPS.
Promover a saúde mental de adolescentes usuários do CAPSiJ por meio do fortalecimento do protagonismo juvenil e da participação em atividades coletivas. Ampliar as possibilidades de expressão, comunicação e socialização dos adolescentes. Fortalecer vínculos entre os participantes e com o serviço de saúde. Estimular reflexões sobre cidadania, direitos, diversidade, território e projetos de vida. Contribuir para a ampliação do repertório sociocultural e para a aproximação dos adolescentes com possibilidades de formação e inserção no mundo do trabalho.
O projeto é realizado por meio de encontros semanais presenciais, com duração média de duas horas, integrados à rotina do CAPSiJ. Participam, de forma contínua, aproximadamente 8 a 12 adolescentes, de 12 a 17 anos, em acompanhamento psicossocial. Os encontros incluem momentos de acolhimento e roda de conversa, produção coletiva de conteúdos para o jornal e planejamento das próximas atividades. Os adolescentes escolhem os temas abordados, que envolvem questões do cotidiano juvenil, saúde mental, diversidade, cultura, território e futuro. A experiência também contempla atividades externas no território, como visitas a espaços culturais e de lazer. Ao final de cada ciclo, é produzido um novo número do jornal em formato impresso e/ou digital.
Observou-se aumento da participação e do engajamento dos adolescentes nas atividades coletivas do serviço. Houve melhora na comunicação e na capacidade de expressão oral, escrita e artística, além do fortalecimento dos vínculos entre os participantes, com redução do isolamento social. Os adolescentes passaram a demonstrar maior autonomia na escolha de temas, organização das atividades e tomada de decisões. As atividades externas contribuíram para a ampliação do repertório cultural e maior apropriação da cidade e do meio onde vivem e convivem. Também foram identificados avanços na reflexão sobre direitos, cidadania e projetos de vida, com alguns participantes buscando cursos e oportunidades de formação profissional.
O Jornal Ermelindos mostra-se uma estratégia efetiva de promoção da saúde mental no SUS, ao integrar cuidado psicossocial, educação e participação juvenil. A experiência amplia o papel do CAPSiJ como espaço de convivência e produção de sentidos, indo além do cuidado clínico tradicional. Ao reconhecer os adolescentes como sujeitos ativos e produtores de cultura, o projeto contribui para o fortalecimento da autonomia, dos vínculos sociais e da perspectiva de futuro. Sua continuidade e ampliação reforçam a importância de práticas interdisciplinares, participativas e territorializadas na atenção psicossocial infantojuvenil.
Adolescente – Saúde mental - Expressões
TALITA MAURICIO DA ROCHA