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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o envelhecimento saudável é um processo dinâmico que ocorre ao longo da vida e busca preservar e ampliar as capacidades físicas, mentais e funcionais, promovendo autonomia e qualidade de vida. Essa abordagem ultrapassa a concepção do envelhecimento associada apenas à presença de doenças, ao valorizar o bem-estar integral da pessoa idosa, suas relações sociais, a convivência e a participação comunitária, como as estimuladas pelos grupos desenvolvidos no âmbito do SUS. Nas últimas décadas, a redução da fecundidade e da mortalidade, aliada ao aumento da expectativa de vida, impulsionou o crescimento da população idosa. No Município de São Paulo, esse processo ocorre de forma desigual, expressando disparidades sociais, econômicas e territoriais, o que impõe desafios à organização dos serviços de saúde e exige modelos de atenção sensíveis às especificidades locais. O envelhecimento também é fortemente influenciado por determinantes sociais como gênero, raça/etnia, condições socioeconômicas e local de moradia, que impactam o acesso ao cuidado e as possibilidades de vivenciar o envelhecimento com dignidade, reforçando a necessidade de estratégias equitativas no SUS. Nesse contexto, o grupo de idosos da UBS Zumbi dos Palmares, iniciado em setembro de 2024, configura-se como espaço de convivência, promoção da saúde e fortalecimento de vínculos no território
Criar um espaço de convivência para os idosos cadastrados na área de abrangência da UBS Zumbi dos Palmares, favorecendo o encontro, a troca de experiências, o fortalecimento de vínculos, a promoção da saúde e a redução do isolamento social no território. Objetivos específicos Desenvolver atividades de estímulo cognitivo, como exercícios de memória, atenção e raciocínio, voltadas à manutenção da autonomia e da funcionalidade. Realizar atividades corporais voltadas à coordenação motora, ao equilíbrio e ao fortalecimento muscular, orientadas à prevenção de quedas e à preservação da capacidade funcional. Oferecer atividades culturais, lúdicas e educativas que valorizem a história de vida dos participantes e incentivem a participação, a socialização e o bem-estar.
A experiência foi desenvolvida no âmbito da UBS Zumbi dos Palmares, por meio de um grupo aberto de idosos cadastrados na área de abrangência da unidade, com encontros regulares ao longo do ano de 2025. Participaram idosos de diferentes faixas etárias e condições de saúde, sem critérios de exclusão além do vínculo com a unidade. A principal estratégia de coleta de dados foi qualitativa, realizada por meio de grupo focal conduzido em dezembro de 2025, após 15 meses de intervenções, no qual os participantes realizaram uma autoavaliação de suas percepções sobre saúde, bem-estar, funcionalidade, cognição, humor, autonomia e participação social. Durante o ano, foram desenvolvidas atividades mensais estruturadas com foco no estímulo cognitivo, incluindo exercícios de memória, atenção, linguagem e raciocínio, além de ações voltadas à valorização cultural e ao fortalecimento de vínculos sociais. Também foram realizadas atividades corporais direcionadas ao alongamento, fortalecimento muscular, coordenação motora, equilíbrio e prevenção de quedas. Como instrumento complementar, utilizou-se a Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (AMPI), conforme preconizado pelo Município de São Paulo, aplicada rotineiramente na unidade. As ações incluíram orientações para incentivo à autonomia e ao autocuidado no manejo das condições crônicas. Os dados do grupo focal foram analisados de forma descritiva, identificando percepções recorrentes e eixos centrais de mudança
Durante 2025, participaram do grupo 11 idosos, dos quais 7 apresentaram frequência superior a 90%. A maioria era do sexo feminino, com idades entre 61 e 87 anos. Ao final do período, foi realizado grupo focal com os participantes como estratégia de avaliação qualitativa. Os relatos indicaram melhora do bem-estar geral, do humor, da disposição para atividades cotidianas e da participação social, com redução de sentimentos de isolamento e desmotivação. Na percepção da equipe, observou-se melhora na execução das atividades cognitivas, com maior facilidade de compreensão das orientações, maior engajamento e maior rapidez na realização das tarefas propostas. A principal mudança referiu-se ao eixo emocional, com redução de sinais de apatia e retraimento social e aumento da iniciativa, da autoconfiança e do protagonismo no cuidado. No eixo cognitivo, foram relatadas melhora da atenção, da memória percebida e da capacidade de concentração para atividades do cotidiano. Quanto à funcionalidade, os participantes referiram aumento da autonomia percebida, maior segurança para deslocamento no território e menor medo de quedas. De forma transversal, o grupo foi reconhecido como dispositivo de fortalecimento de vínculos, apoio social e estímulo à autonomia. Os achados sugerem que intervenções grupais na Atenção Primária contribuem para melhora emocional, cognitiva e funcional, reforçando seu papel no envelhecimento saudável e na manutenção da autonomia da pessoa idosa
A experiência demonstrou que a convivência em grupo constitui estratégia relevante para a promoção da saúde e do bem-estar da pessoa idosa, ao favorecer socialização, troca de experiências, vínculos e reflexão sobre o envelhecimento. A partir do grupo focal, observou-se que os participantes passaram a perceber de forma mais positiva sua saúde, autonomia e capacidade funcional, indicando mudanças na autopercepção e na relação com o cuidado. Os relatos evidenciaram melhora do humor, da disposição, da atenção, da memória e da segurança para realizar atividades cotidianas, aspectos associados à redução do isolamento social, ao aumento do engajamento e à valorização do convívio como fator protetor frente ao sofrimento psíquico e ao declínio funcional. Nesse sentido, o grupo configurou-se como dispositivo potente de promoção do envelhecimento saudável no território. Embora instrumentos estruturados tenham sido utilizados como apoio ao acompanhamento, os achados qualitativos mostraram-se centrais para compreender as transformações vivenciadas, ao permitir acessar dimensões subjetivas do envelhecimento não captadas por indicadores padronizados. Espera-se que a continuidade dessa iniciativa fortaleça o cuidado integral à pessoa idosa na AB
Envelhecimento saudável, Promoção da saúde.
LAIS SOUSA MENDES AMIGO, ANA PAULA DA SILVA NASCIMENTO, ITALANEI MAGNA FREITAS BORGES