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Os territórios atendidos pelas UBS Parque Regina e UBS Campo Limpo, no distrito do Campo Limpo/SP, apresentam alta vulnerabilidade social, marcada por desemprego, baixa renda, moradia inadequada, baixa escolaridade, exclusão digital e violações de direitos. Esses determinantes sociais impactam diretamente o processo de adoecimento e ampliam a complexidade das demandas que chegam à Atenção Primária, exigindo práticas que ultrapassem o modelo biomédico e considerem as dimensões sociais, econômicas e familiares dos usuários. Nesse contexto, a integração do serviço social à equipe multiprofissional mostrou-se fundamental para qualificar o cuidado e ampliar o acesso a direitos. A criação dos Plantões Sociais, com agendamento direto pelas equipes, organizou o fluxo assistencial, evitou filas, garantiu escuta qualificada e possibilitou encaminhamentos imediatos. A assistente social destacou-se ainda na mediação de conflitos familiares, prevenção de judicializações, articulação com a rede intersetorial e orientação sobre benefícios, documentação e políticas públicas. A prática justifica-se pela necessidade de um cuidado ampliado, capaz de responder às vulnerabilidades do território e fortalecer a autonomia dos usuários. Ao reconhecer a centralidade dos determinantes sociais e promover ações intersetoriais, o projeto contribui para um SUS mais humano, resolutivo, inclusivo e alinhado aos princípios de integralidade e garantia de direitos.
Fortalecer o cuidado integral na Atenção Primária à Saúde por meio da integração qualificada do serviço social à equipe multiprofissional, promovendo acesso a direitos, redução de vulnerabilidades e ampliação da resolutividade das demandas sociais dos usuários dos territórios de alta vulnerabilidade do Campo Limpo/SP. Objeitvos espeficificos: Implementar e manter os Plantões Sociais para garantir acesso rápido e organizado às demandas sociais, qualificar o fluxo de atendimento e evitar perdas e filas; assegurar escuta qualificada e encaminhamentos intersetoriais; fortalecer a autonomia e o acesso a direitos; mediar conflitos familiares para prevenir judicializações; sensibilizar e capacitar as equipes sobre os determinantes sociais da saúde; promover práticas interprofissionais centradas na pessoa e no território; e contribuir para um SUS mais humano, inclusivo e resolutivo.
A metodologia adotada baseia-se na organização do processo de trabalho na APS, na integração multiprofissional e na articulação intersetorial. Inicialmente, foi realizado o mapeamento das vulnerabilidades sociais do território pelas equipes de saúde, identificando fatores como renda, moradia, escolaridade, vínculos familiares e acesso a políticas públicas. A partir desse diagnóstico, foram criados os Plantões Sociais, inseridos formalmente na agenda semanal da assistente social. As equipes clínicas passaram a realizar agendamento direto para o atendimento social sempre que identificam demandas durante consultas ou visitas domiciliares. Nos plantões, é realizado acolhimento com escuta qualificada e avaliação das necessidades apresentadas pelos usuários. As intervenções incluem orientação, mediação de conflitos familiares, análise socioeconômica e encaminhamentos articulados com a rede intersetorial — CRAS, CREAS, Defensoria Pública, INSS, escolas, Habitação e outros equipamentos. Após cada atendimento, são efetuados registros técnicos e, quando necessário, elaboração de relatórios sociais. A metodologia também inclui ações de educação permanente com a equipe, por meio de matriciamentos sobre determinantes sociais da saúde e fluxos da proteção social. Por fim, o processo é continuamente monitorado, avaliando número de vagas, resolutividade e impacto na organização do cuidado, permitindo ajustes conforme as demandas do território.
A implantação dos Plantões Sociais resultou em avanços significativos na qualificação do cuidado na APS. O novo fluxo, com agendamento direto realizado pelas equipes de saúde, eliminou filas de espera e reduziu o acúmulo de demandas, garantindo acesso rápido e organizado aos atendimentos sociais. Observou‑se maior agilidade na identificação e resolução de questões relacionadas a benefícios sociais, documentação, violação de direitos e vulnerabilidades familiares, aumentando a resolutividade dos casos. Houve fortalecimento do trabalho multiprofissional, com maior articulação entre médicos, enfermagem, odontologia, NASF e agentes comunitários, que passaram a reconhecer com mais clareza o papel estratégico do serviço social. O vínculo entre equipe e usuários também se intensificou, favorecendo acolhimento, confiança e continuidade do cuidado. A atuação da assistente social apresentou impacto expressivo na mediação de conflitos familiares, prevenindo judicializações e promovendo soluções dialogadas no território. A articulação intersetorial com CRAS, CREAS, escolas, Defensoria e INSS tornou-se mais efetiva, ampliando o acesso a direitos e fortalecendo redes de apoio. Além disso, as ações de educação permanente contribuíram para ampliar a compreensão das equipes sobre os determinantes sociais da saúde, resultando em uma prática mais sensível ao contexto social dos usuários e em um cuidado mais integral, humano e inclusivo.
A experiência desenvolvida na UBS Parque Regina – Campo Limpo/SP evidenciou que a integração do serviço social à equipe multiprofissional é fundamental para fortalecer o cuidado integral, reduzir desigualdades sociais e ampliar o acesso a direitos. A criação dos Plantões Sociais, com agendamento direto pelas equipes de saúde, otimizou o fluxo de atendimento, eliminou filas de espera e qualificou a resposta às demandas sociais dos usuários. A atuação da assistente social destacou-se ainda na mediação de conflitos familiares, evitando judicializações e fortalecendo a rede de apoio local. Essa prática inovadora rompe com o modelo biomédico tradicional, promovendo um cuidado centrado na pessoa, no território e na intersetorialidade, essencial em contextos de alta vulnerabilidade. O projeto reafirma a importância da escuta qualificada, do trabalho integrado e da articulação comunitária como pilares para um SUS mais humano, inclusivo e resolutivo.
Serviço Social; APS; Cuidado Integral; Acesso;
FERNANDA CAMARGO GERIBOLA TATANARI, FABIANA GONÇALVES OLIVEIRA, LUCIANA MATIAS